Crónica Opinião

Amália Rodrigues

A rainha do fado que levou Portugal na sua voz e encantou o mundo inteiro.
Por Inês Ribeiro

Amália da Piedade Rebordão Rodrigues nasceu no dia 23 julho de 1920, de acordo com os registos oficiais, contudo, a fadista afirmava que esta não é a data certa do seu nascimento, pois o seu registo foi feito tardiamente. Amália nasceu no dia 1 de julho, em Lisboa, na Mouraria, onde viviam os seus avós maternos. Os pais de Amália viviam no Fundão, mas na altura do nascimento desta quinta filha permaneceram na capital durante uns meses à procura de uma vida melhor. Quando Amália já tinha pouco mais de um ano de idade, os seus pais decidiram voltar para o Fundão e deixaram-na a viver com os avós na cidade de Lisboa, onde esta ilustre mulher descobriu a paixão pelo fado.

9 anos depois, os seus pais decidiram ir para Lisboa, onde ficaram a viver, mas Amália preferiu continuar a viver com os avós, que nessa altura se encontravam a morar no bairro da Alcântara. A fadista só voltou a morar com os pais alguns anos mais tarde, quando já tinha concluído a instrução primária e trabalhava. Nunca baixou os braços e teve vários trabalhos para conseguir ajudar a sustentar a família. Foi aprendiza de costureira, de bordadeira, operária de uma fábrica de doces e vendeu fruta pelas ruas de Alcântara, juntamente com a sua irmã Celeste. Numa das vezes que se encontrava a vender fruta, Amália cantarolava, como era costume, e assim foi descoberta e escolhida para ser a solista da Marcha de Alcântara no ano de 1935.

Com 19 anos começou a cantar no “Retiro da Severa”, onde havia um salão de fado. A primeira vez que cantou neste sítio apresentou-se com um vestido às riscas, uma pose contida, a cabeça inclinada para trás e os olhos fechados – aqui, a personalidade artística de Amália Rodrigues começou a ganhar forma e a futura rainha do fado começou a ser um grande fenómeno que toda a gente queria ouvir.

Os anos 40 foram bastante promissores para a carreira de Amália. Nunca deixou de lado o fado, mas conciliou-o com o teatro e o cinema, tendo feitos alguns filmes que foram um verdadeiro sucesso – sucesso tal que lhe permitiu viajar pelo mundo para cantar e representar. Nunca mais parou. A sua vida manteve-se agitada até ao fim, visitou e encantou todos os cantos do mundo, fez as pessoas admirarem e adorarem o fado, mesmo se não percebessem as palavras cantadas. A própria Amália dizia: “O que interessa é sentir o fado. Porque o fado não se canta, acontece. O fado sente-se, não se compreende, nem se explica.”

Depois de uma longa vida cheia de trabalho, sucesso e reconhecimento, Amália Rodrigues acabou por falecer no dia 6 de outubro de 1999, vítima de um enfarte. Portugal chora a sua morte até aos dias de hoje, mas em cada fado encontramos Amália. No dia 11 de dezembro desse mesmo ano foi fundada a Fundação Amália Rodrigues, tal como era a sua vontade. 2 anos depois, em 2001, foi transladada para a Igreja de Santa Engrácia, sendo a primeira mulher a ter honras de Panteão nacional. Em 2011, o fado foi reconhecido como património imaterial da humanidade.

Portugal agradece à grandiosa Amália Rodrigues o seu talento e dedicação e promete nunca esquecer a sua importância, continuando a louvar o fado.

 

Artigo da autoria de Inês Ribeiro