Opinião

Não julgues um livro pela capa, ou melhor, uma música pelo idioma

"Não entendo a letra, isso não presta!"; "Não se percebe nada do que eles cantam!"; "Que linguagem tão esquisita!". Estes são apenas alguns dos muitos comentários dirigidos a músicas ou a artistas, quando estes apresentam trabalhos 'invulgares', diferentes do costume, com idiomas que não conhecemos.

Vários géneros musicais têm vindo a popularizar-se nos últimos anos. Atualmente, ouvimos na internet e nas nossas rádios estilos e conceitos que antigamente eram quase inexistentes. Mas a novidade e a crítica caminham lado a lado, e não podemos negar que existe algum preconceito (para não dizer muito) para com alguns géneros musicais específicos, para com certos idiomas em particular.

“Não entendo a letra, isso não presta!”; “Não se percebe nada do que eles cantam!”; “Que linguagem tão esquisita!”. Estes são apenas alguns dos muitos comentários dirigidos a músicas ou a artistas, quando estes apresentam trabalhos ‘invulgares’, diferentes do costume, com idiomas que não conhecemos. A música deveria ser uma arte apreciada no seu todo. O valor de uma composição musical não reside apenas na letra que está a ser cantada, mas na melodia, no ritmo, na emoção!

O mundo está cheio de diferentes culturas e tradições, cada uma com a sua língua nativa, os seus ideais, crenças e, obviamente, a sua música. A essência de cada região reflete-se, muitas vezes, na música que por lá se cria. Temos tanto por onde escolher, há música para todos os gostos, desde a famosa música norte-americana, até à música portuguesa, brasileira, latina, sueca, asiática, africana…

O ser humano gosta sempre de julgar um livro pela capa. Tantas vezes fazemos juízos de valor sobre o livro sem ter lido, pelo menos, o prólogo. E quando falamos de música, ou da arte no geral, não é diferente. A verdade é que até os mais pequenos e “insignificantes” países possuem uma variedade musical que não se encontra em mais lugar nenhum. E, felizmente, temos a oportunidade de conhecer toda essa diversidade. Aproveitemos enquanto podemos!

Pegando num exemplo concreto, eu, como seguidora do Festival da Eurovisão e fã de K-Pop, vejo-me diversas vezes perante línguas que desconheço. Ouço músicas cuja letra não sei o significado e com ritmos, sons diferentes dos “habituais”. Não, eu não entendo absolutamente nada. Posso, porventura, ter uma vaga ideia da história que a música pretende transmitir, caso a letra apresente versos em inglês. E não, não acho que saio a perder por não perceber o que as vozes me estão a querer dizer. Inglês ouvimos nós praticamente todos os dias, seja de manhã, no rádio do carro, ou à noite, na Netflix. Já outros idiomas, não. E se aquela melodia nos soa bem, por que razão devemos deixar de ouvir? Só porque foi criada noutro país e não percebemos a letra?

É ótima a sensação de sermos livres para ouvir novas músicas, conhecer novos idiomas, perceber que tipo de sons se ouvem lá fora, descobrir como as palavras são articuladas em composições estrangeiras e como a cultura de um país influencia a sua música. Podemos escolher as nossas preferências, de entre a grande variedade que o mundo nos oferece, e ainda viajar pelo mundo, somente através de notas musicais!

O importante está na música, e não no que se esconde por trás dela. No fundo, não é o idioma que mais importa. É fundamental conhecer antes de criticar. Não julgues um livro pela capa, ou melhor, uma música pelo idioma.