Artigo de Opinião Opinião

Homenagem ao 25 de Abril

25 de abril de 2021: Passam 47 anos da Revolução dos Cravos, que devolveu a liberdade a Portugal e iniciou o percurso para instauração da Democracia. Neste que é o meu primeiro 25 de Abril enquanto colaborador do JUP, faço uma homenagem ao que é o verdadeiro dia de Portugal, mas também uma reflexão sobre o estado da Democracia portuguesa.
Por Pedro André Pinheiro

Na madrugada do dia 25 de abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas dava o primeiro passo de uma longa tarefa que era democratizar Portugal e entregar ao povo aquilo que é do povo: a liberdade e o poder. Hoje, volvido quase meio século, parece-nos que a Democracia é garantida; porém, em simultâneo, assistimos a manobras e a movimentos que querem pôr em causa os valores de Abril, a nossa liberdade e a nossa Democracia; que querem privatizar o SNS, um serviço tão urgente e importante, como nos mostrou a pandemia, pelo seu caráter público e universal; que querem privatizar a educação, tornando-a numa espécie de privilégio, regredindo 150 anos atrás em evolução e avanço civilizacional; impor a sua retórica ultra-conservadora e/ou ultra-identitária aos outros, colocando os seus “valores” à frente da liberdade, censurando os opositores.

Não só em Portugal, mas por toda a Europa, na América e por esse mundo fora, assistimos à regressão e destruição dos regimes e sistemas democráticos. A culpa, a apontá-la (e a História o dirá), é desses mesmos regimes, que deturpados da sua realidade e missão de servir o Povo, soberano da Democracia, seguiram por políticas neoliberais e de um capitalista selvagem e exacerbado, com uma visão do mundo na qual as pessoas não são mais do que meros números, ignorando-se os seus sentimentos e necessidades. Mas isso fica para outro artigo.

Hoje, é dia de celebrar este que é o verdadeiro dia de Portugal, como era nos primeiros anos da Terceira República, até ter sido relegado a Dia da Liberdade, entregado o seu título original ao 10 de Junho, esse feriado falso, criado do nada e que, por isso mesmo, quase não tem valor para as portuguesas e portugueses. O dia de hoje é que é, sim, importante. É de festejar como se a nossa vida dependesse disso, dia que deve ser protegido daquelas retóricas, que até tentam arranjar falsos “25s” e distrair e encobrir este grande dia com polémicas absurdas e ideias falsas. Mais nenhum feriado do calendário português apaixona e move as pessoas e é festejado com gigante e contagiante alegria e felicidade como o imortal 25 de Abril.

Devemos, assim, um grande e perpétuo agradecimento aos capitães de Abril, que libertaram o nosso país de um regime ditatorial de 50 anos, devolvendo-nos a liberdade. A eles, obrigado! A nós, melhoremos em união a nossa Democracia e cumpramos o nosso dever de protegê-la, honrando a memória desses mesmos militares e de todos os que lutaram pela liberdade, contra o Estado Novo, sempre acreditando num futuro melhor e mais livre.

Termino com o chavão: 25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais!… e um viva à Democracia! Um viva à República! E um viva a Portugal!

 

Artigo da autoria de Pedro André Pinheiro