Artigo de Opinião Opinião

Deixem os liberais celebrar a liberdade

Impedidos de celebrar o 25 de Abril? Podiam ser numa realidade muito infeliz de Portugal que tivesse regressado ao fascismo. Podiam ser na situação pandémica excepcional do ano passado. Mas esta não é nenhuma das duas situações descritas.

Após o interregno de 2020, devido ao estado de emergência, o anual desfile do 25 de Abril regressa à Avenida da Liberdade. A Iniciativa Liberal, que participa no evento desde a criação do partido em 2018, foi afastada pela própria organização.

Em comunicado, o partido liberal explica que entrou em contacto com a organização do desfile, a Associação 25 de Abril, e obteve uma resposta sob a forma de tentativa de impedir a sua participação.

O próprio líder liberal, João Cotrim de Figueiredo, contactou directamente o presidente da A25A, Vasco Lourenço, mas a posição da organização não se alterou. A justificação é a necessidade de restringir o número de participantes, devido à pandemia. Mas o que eu vejo aqui é uma restrição do número de partidos e não de pessoas presentes. Um partido que demonstre interesse em celebrar a ocasião deve pelo menos ter o direito de estar representado.

Se, de acordo com as normas da DGS, é permitida a participação de entidades e partidos, não faz sentido escolher a dedo quais delas têm direito a estar presentes e excluir outras que também se identificam com os valores de Abril. É tão errado e tão contrário a esses valores.

As celebrações desta data não são exclusivas de certos partidos. A revolução de 1974, que colocou fim ao regime ditatorial, deve ser celebrada por todos aqueles que são a favor da democracia independentemente de cores políticas.

O desfile vai realizar-se num espaço público, ao ar livre, que tem mais de 1km de comprimento, com regras sanitárias. Quão difícil seria a convivência em segurança com mais um grupo a representar um partido que não se assume de esquerda ao contrário dos restantes?

O 25 de Abril não é exclusivo de ninguém. A Avenida da Liberdade não é exclusiva de ninguém. E acredito que nenhum militante da IL queira desrespeitar a distância de segurança em relação a militantes de outros partidos. Portanto, isto é simplesmente desnecessário.

“A liberdade não tem donos”. E quem quiser ser dono da liberdade, devia repensar os limites da própria liberdade que celebra.