Artigo de Opinião Opinião

Vamos todos a votos!

As eleições presidenciais deste ano estão à porta. As votações já arrancaram a 17 de janeiro, mas para muitos o próximo domingo é o dia de todas as decisões. 

Ao longo deste mês, temos assistido a vários discursos, debates e campanhas de eleição, que permitiram conhecer cada um dos candidatos ao cargo de Presidente da República e obter vários cenários possíveis consoante o resultado da sua eleição.

O atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, sabe que tem a simpatia do povo e, por isso, demonstrou sempre a calma e a confiança que lhe são características. Nos debates reforçou a diferença entre a direita que apoia e a que é defendida pelo líder do Chega. Além disso, apontou perfeitamente a falsidade por detrás das palavras e ações de Ventura, sendo esse um dos momentos mais positivos de todos os debates realizados.

Em relação a Ana Gomes, esta continua firmemente a defender a urgência de restaurar a estabilidade do sistema político português. Destaco pela positiva os momentos em que relembrou a importância de exercer o direito de voto e todas as críticas que fez aos partidos com ideologias de extrema-direita, que ameaçam a liberdade e os direitos pelos quais muitas pessoas – e ela, inclusive – lutaram.

Tal como seria de esperar, André Ventura insiste em abraçar o discurso de ódio, de xenofobia e racista, bem como a espalhar mentiras – algumas delas prontamente desmascaradas. É possível que esta rapidez com que é desmascarado justifique a necessidade de recorrer a estratégias que impedem os adversários de desenvolver proficientemente as suas opiniões. Porém, não posso deixar de mencionar a sua inteligência na perigosa forma de como manipula as ideias dos discursos dos seus adversários e as usa contra eles. 

Se houve alguém que conseguiu surpreender pela positiva, esse alguém foi Tiago Mayan Gonçalves. O candidato pela Iniciativa Liberal está a estrear-se no mundo da política e o seu desempenho nos debates foi o suficiente para perceber que ele tem futuro na área. Mayan foi também dos poucos que não desceu ao nível de André Ventura e conseguiu explicar a diferença entre a direita que segue e a direita do partido Chega. 

O candidato mais inusitado é, sem dúvida alguma, Vitorino Silva. Desde o início, deixou claro que, apesar de ser uma pessoa simpática, ainda não está preparado para jogar nesta liga. Contudo, a sua forma de abordar assuntos políticos é simples e refrescante. As parábolas a que recorre são inteligentes, principalmente a que eficazmente usou no debate com Ventura para desconstruir a intolerância e o racismo, e o truque está em saber interpretá-las.

O candidato escolhido pelo PCP, João Ferreira, deixou muito a desejar nos debates, já que perdeu imensas oportunidades de expor os seus objetivos e foi incapaz de reagir eficazmente ao discurso de Ventura, o que fez com que o ruidoso debate entre os dois fosse o pior de todos. Apesar de conseguir expressar-se melhor nos seus discursos, acredito que podia ter conseguido captar mais pessoas se tivesse sido mais bem sucedido nos debates com os seus adversários.

Mais que João Ferreira, Marisa Matias foi a grande desilusão destas eleições. Devido ao facto de ser uma candidata muito passiva, as suas intervenções são bastante fracas. Por isso, demonstrou que, infelizmente, não está à altura dos seus adversários e a disparidade entre o número de votos que conseguir angariar será significativo quando comparado aos dos seus opositores. 

No que diz respeito às campanhas eleitorais, gostaria de louvar os candidatos que tiveram em conta a situação atual do país e, sempre que possível, recorreram à tecnologia para discursarem à distância para interagirem com o seu público-alvo, evitando, desta forma, deslocações e reuniões de grandes grupos.

Apesar da enorme quantidade de pessoas que foram votar no passado domingo, prevê-se um aumento da abstenção. As pessoas têm receio de se expor ao vírus, mas temos de confiar que as regras de prevenção contra a sua propagação são suficientes para nos proteger. Se cumprirmos todas as normas da DGS, não há motivo para receio. É muito fácil culpar as pessoas que impõem as regras e apontar os seus erros, mas a colaboração de todos é essencial. Se o povo não demonstrar o mínimo de sensibilidade e respeito perante a situação delicada que estamos a viver, não pode esperar que a responsabilidade das consequências seja somente do governo.

Posto isto, apelo a todos que se desloquem às mesas de voto, este domingo, devidamente protegidos, levem as suas canetas, e escolham o candidato que acreditam ser mais adequado para representar Portugal. Todos podemos ajudar a melhorar o nosso futuro. Votem! Se não o fizerem, podem acordar um dia e aperceberem-se que a pessoa eleita é alguém que nunca teriam escolhido; e nesse dia, vão lamentar não terem feito o que podiam para o evitar.