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João Ferreira e o seu nariz esmurrado

Como disse e bem Miguel Morgado (entre outras coisas erradas que pronunciou), André Ventura aprendeu a debater desta forma na melhor escola que existe: os debates televisivos de futebol.

Se os critérios escolhidos forem a infantilidade, a incoerência e a falta de respeito então sim, André Ventura venceu o debate de ontem contra João Ferreira. E sendo esse o cenário, João Ferreira saiu dos estúdios da TVI com o nariz a sangrar, dando uma imagem clara aos eleitores de intimidação, o que contribui ainda mais para o declínio do partido que o apoia.

Como disse e bem Miguel Morgado (entre outras coisas erradas que pronunciou), André Ventura aprendeu a debater desta forma na melhor escola que existe: os debates televisivos de futebol. Interrompe, grita, considera todas as críticas mentira e puxa para esse jogo o adversário. Com interrupções constantes por parte dos dois candidatos – uma prática vergonhosa que marca presença em eleições de qualquer país -, o grande perdedor é o eleitorado, que fica sem saber qual a opinião dos candidatos, sendo esse o objetivo da realização dos debates.

É também claro, e espero que os canais responsáveis pelas transmissões se apercebam disso, que cada candidato deve ter tempo limite para cada resposta, ou tempo limite total, e que o microfone de cada interveniente deve ser ligado apenas quando é feita uma questão.

Sendo que esta foi uma noite de derrotados, aponto ainda outro: a TVI. Se já foi completamente estapafúrdia a pergunta de Miguel Sousa Tavares a André Ventura sobre a cor da pele dos seus amigos, é também de lamentar a pergunta de Carla Moita a André Ventura sobre o que achava de ser intitulado “Bolsonaro português”. Perguntas deste género em nada contribuem para esclarecer o eleitorado e não estão relacionadas, nem de perto nem de longe, com a Presidência.

João Ferreira está a candidatar-se à Presidência da República para marcar presença pelo partido que o apoia. André Ventura está a candidatar-se à Presidência da República para conquistar eleitores e fazer crescer o seu partido. Ambos demonstram a falta de interesse pelo posto de presidente, o mais alto magistrado da nação. Além disso, é igualmente prova de desprezo a ideia de que as eleições já aconteceram e que Marcelo Rebelo de Sousa é o vencedor. Para que servem, então, os votos de todos os portugueses? Qual a razão, então, de todas as candidaturas exceto a de Marcelo?

É chocante e inadmissível a incapacidade de João Ferreira e do PCP em condenar ataques à democracia, como na Venezuela, e regimes ditatoriais, como o da Coreia do Norte. É chocante e inadmissível a leviandade com que André Ventura afirma que o regime norte-coreano está, na altura do debate, a assassinar a população. É também chocante e inadmissível a incapacidade de João Ferreira em ser incisivo e determinado a criticar André Ventura. Entre mentir em relação a acumulação de cargos, falta de transparência, defesa do fim do sistema de impostos progressivos, faltas a reuniões parlamentares ou liderança completamente desorganizada e caótica do partido, material era o que não faltava. Sempre que tentava, outra voz sobrepunha-se.

Neste debate e em debates futuros não vai perder nem ganhar nenhum candidato presidencial. Vai sair derrotada e enfraquecida a democracia.