Artigo de Opinião Opinião

A importante decisão final americana de 2020

O dia da eleição presidencial americana está muito próximo e a liderança dos Estados Unidos da América está a ser disputada por dois candidatos que não podiam ser mais diferentes, quer em termos de caráter e ideologias, quer em termos de estratégias políticas e atitude face aos problemas que abalam o país.

Durante esta disputa pelo cargo mais importante na Casa Branca, o povo norte americano acompanhou o democrata Joe Biden, ex-vice-presidente, e o atual presidente dos Estados Unidos da América, o republicano Donald Trump, enquanto estes realizaram campanhas eleitorais e confrontaram-se em debates terrivelmente agressivos e caóticos para provar quem é o candidato mais adequado para defender e representar o seu país.

Donald Trump é um multimilionário de grande influência e os seus principais focos de votos são as pessoas do mesmo estatuto social e aqueles que confiam cegamente na informação que o presidente lhes transmite, sem questionar as suas afirmações, ou que se baseiam em informação proveniente das redes sociais para tomar esta decisão. Ao fim de quatro anos, Donald Trump prossegue o seu legado de divulgação de notícias falsas, sem provas ou fundamento científico, continua a desvalorizar situações de máxima importância e gravidade – tais como o racismo e, mais recentemente, a COVID-19 -, e está constantemente a criar um clima de tensão com outras potências mundiais e a incitar à violência armada – além de ser frustrantemente impossível partilhar uma argumentação lógica com ele.

Para piorar a opinião que tenho deste indivíduo, o seu estatuto garante-lhe, praticamente, impunidade total, o que significa que ele, independentemente da gravidade das acusações – violação da lei, e nível de desrespeito para com a população e demonstração de comportamentos racistas e xenófobos -, não sofre qualquer tipo de repreensão ou advertência. Logo, a meu ver, um indivíduo com este nível de imaturidade, desrespeito e descaramento não é, e nunca foi, digno de ser o líder de uma das mais importantes potências a nível mundial.

Na oposição temos Joe Biden, uma luz ao fundo deste túnel que percorremos ao longo de quatro anos, a testemunhar escândalos, mentiras, discursos e atitudes inconcebíveis. As suas propostas de aumentar os impostos aos milionários, investir esse dinheiro na educação e energias renováveis, e aumentar o salário em 15$/hora são certamente apelativas para grande parte da população americana. Além do mais, a sua estabilidade política, a luta pelo equilíbrio socioeconómico e a simpatia conquistada das pessoas menos protegidas e mais atacadas por Donald Trump, nomeadamente as mulheres e afroamericanos, facilita a angariação de votos a seu favor. Porém, o tendão de Aquiles do ex-vice-presidente americano é claramente visível e resume-se à sua falta de carisma. Joe Biden falha em cativar a atenção dos eleitores mais indecisos e é um opositor demasiado passivo para enfrentar um candidato tão perigoso e ruidoso como Trump.

A 26 de outubro de 2020, as sondagens mostravam uma liderança significativa por parte de Joe Biden em relação ao atual presidente Donald Trump. No entanto, as sondagens não são sempre fiáveis, visto que os sondados nem sempre são sinceros na revelação do candidato que pretendem eleger – basta relembrar que, em 2016, as sondagens apontavam uma clara vitória de Hillary Clinton e esse resultado não se verificou no dia da eleição. Por isso, é possível que estas previsões não reflitam a realidade da próxima terça-feira.

A verdade é que, na situação em que nos encontramos, os Estados Unidos da América precisam de um líder que esteja empenhado em lutar com base no melhor interesse da população norte-americana e, assumindo que Biden ganhe as eleições, o legado de Trump permanece e num pais onde a violência se faz notar cada vez mais, o caos pode rapidamente instaurar-se e principiar o colapso desta grande potência.