Crónica Opinião

Identidade/Consumo

A Identidade é um conceito multifacetado, pois permite diversas abordagens. No entanto, neste contexto gostava de abordar a Identidade Pessoal e Social.

Acredito que as pessoas singulares aspiram, cada vez mais, a poder escolher a sua identidade. Num mundo em que a estandardização é algo frequente e predomina nas nossas vidas diárias, é natural que queiramos ser cada vez mais únicos. Consumidores específicos, amigos peculiares, pessoas singulares.

A verdade é que numa escala global, a população mundial é bastante elevada e é difícil deixarmos a nossa marca por vezes. Mas queremos acreditar que conseguimos mesmo assim ser todos particulares, no meio de tantas semelhanças que nos unem.

Estou certa de que muitos de nós já sentiram que estávamos a encarar “personagens” diferentes em situações na nossa vida. Como filhos, irmãos, amigos, namorados, colaboradores na organização em que trabalhamos, entre outros. Por vezes, é difícil manter a essência da nossa personalidade em todas e sentimos que temos que nos reprimir porque algo em nós ou dizer algo mais não é adequado.

No processo de encontrar a nossa identidade, temos de saber com o que não nos identificámos para perceber o que potencialmente gostaríamos. Isto é relevante, por exemplo, no processo de compra de algo, mas também nas relações que constituímos. É algo inato, que por vezes fazemos inconscientemente.

Sob a influência dos fatores sociais e culturais que nos moldam, de uma maneira ou outra estamos todos envolvidos na indústria do consumo. Este facto apresenta um problema, pois a tendência é comprar por impulso e não por necessidade, mudando-se o foco para “o que será socialmente aceitável”, em vez de “o que será necessário para sobreviver”.

Indiscutivelmente, esta alteração de mentalidade levou a que o consumo se tornasse parte das nossas realidades, entrando nas nossas vidas de forma constante e intrusiva. Por consequência, este lembrete repetitivo de que “necessitamos” de consumir acabar por se tornar parte da nossa própria identidade.

Quando nos encontramos numa situação nova, capazes de alterarmos a nossa identidade, temos a necessidade de consumir, numa tentativa de nos “afirmarmos”. Este ato sistemático acaba por esbater as fronteiras entre “quem sou eu” e “quais são os meus gostos”, tornando estas questões quase indissociáveis.

É nesta mudança de pensamento que o consumo e a identidade se ligam, tornando o ato de consumir como algo banal, sistemático e por vezes também simbólico. Penso que devemos tentar seguir um consumo mais consciente.