Crónica Opinião

Informação ou Desinformação?

Informação, informação e mais informação. Parece que nos últimos tempos tudo se resume a esta simples palavra que parece estar na moda: informação.

E, de repente, somos bombardeados com a dita informação por todo o lado, televisão, redes sociais, pessoas, todos passaram a ser fontes de informação permanentemente ativas e prontas a disparar. Volumes infindáveis de informação, de números, de ditos e não ditos, ficamos confusos, sem saber o que pensar e em quem acreditar. Informação e desinformação, 24 horas por dia, 7 dias por semanas, torna-se irónico ao ponto que chegámos. Atrevo-me a afirmar que em qualquer momento destes últimos meses, já todos perguntámos se não estaríamos a viver uma espécie de filme, em que o fim parece estar longe de chegar.

Bem, como todos também já nos apercebemos, não é um filme, é real e estamos a vivê-lo, mais do que nunca estamos a ter a prova: vivemos uma era de desinformação dentro de uma de informação. Nunca tivemos tanto acesso à informação, à distância de um clique, não é? No entanto, onde é que esse clique nos vai levar? A quem nos vai levar? Não estaremos, hoje, mais confusos do que ontem? Tanta informação, números, dados, chamemos-lhe o que preferirem, mas mais do que ontem, precisamos de estar atentos, não nos podemos deixar cair em facilitismos de acreditar em tudo o que lemos.

E porquê, estarão alguns a questionarem-se. A resposta é simples, aquilo que consumimos afeta-nos, tal como acontece com a alimentação. Numa altura em que nos é exigida paciência e calma, acredito que a última coisa que precisamos é de estar confusos e consequentemente stressados, por isso, sejamos bons gestores da informação que consumimos.

Comecemos por ser críticos e rigorosos. Arranjemos estratégias e critérios. Não sejamos idiotas digitais.

Não vamos acreditar e muito menos, partilhar tudo o que lemos nas redes sociais. Comecemos por tentar perceber quem disse e quando o disse. Talvez descubramos notícias de há 3 anos a serem partilhadas na atualidade, que nada mais fazem do que causar o pânico, nós podemos evitar fazer parte desta rede. Podemos contribuir para a informação em vez da desinformação.

A seguir, sejamos honestos e compreensivos connosco próprios. Arranjemos truques.

Se nos sentimos confusos, assoberbados e estamos a entrar num ciclo de ansiedade, medo, stress e todas essas emoções negativas, porque sentimos que são demasiados números, demasiados ditos e não ditos, sejamos práticos. Cortemos a televisão, não é preciso ver as notícias ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar. Não precisamos de sentir que é mais do mesmo, mas mesmo assim continuamos sentados no sofá. Vamos desligar. Penso que será óbvio, que devemos estar informados, saber o que está a acontecer, mas para isso basta-nos uma hora por dia. Não precisamos de nos massacrar constantemente.

Não estamos a viver uma época indolor, todos os dias um número assustador de pessoas está a sofrer, está a perder alguém que ama, afastado dos seus, a trabalhar até a exaustão, e por aí adiante. E todos temos consciência disso, ou deveríamos ter, mas cumpramos o nosso papel, não causemos mais pânico nos outros e em nós próprios. Sejamos agentes não só de saúde, mas também de informação.