Crónica Opinião

Viagem de Finalistas: o sonho adiado

No início de abril é habitual só se ouvir falar das magníficas e únicas viagens de finalistas, quer seja para demonstrar as saudades que se tem de lá estar, quer seja para exibirem que já se encontram no dito paraíso.

Não é novidade nenhuma que este ano, devido à situação excecional que estamos a viver, todas elas tiveram de ser adiadas. Muitos planeavam ir para Marina d’Or, Punta Umbría, Gandia ou até mesmo passar a semana numa casa no Algarve. A revolta que testemunhei nos jovens foi ridiculamente intensa, contudo, compreensível.

Ora, quem tem a possibilidade de fazer esta viagem, que barata não é, começa a idealizá-la quase 7 meses antes de a fazer, não por acaso, apenas porque é em outubro que começamos a ver o dinheiro a voar. “Será que valerá a pena?”, “Será que vai correr mal?”, “Será que vai ser mesmo a melhor semana das nossas vidas?”, porque sim, há criaturas que afirmam ser a melhor semana da vida deles – tão pouco viveram e já têm a ousadia de dizer tal disparate. Muitas são as questões que nos passam pela cabeça, mas nunca colocamos a hipótese desta viagem ser adiada para pleno setembro ou, pior ainda, para dezembro – “Christmas Edition” como algumas agências se justificam.

Após ter sido anunciado o adiamento, muitos dos jovens optaram por serem reembolsados a ir numa outra altura. Vejamos, o que há realmente de tão especial nesta semana? Compreendo a ansiedade e o entusiasmo por se encontrarem longe do ninho, longe das responsabilidades, enquanto se abafa a cada minuto o facto de haver exames à porta e uma decisão importante a tomar. É uma ótima semana, falo por experiência própria. Mas haja consciência, o que acontece lá acontece num festival normal de verão ou numas “mini férias” que decidam fazer com as personagens que mais gostam de aturar. Quer seja a acampar ou a alugar um apartamento. Se não houver concertos? Há colunas. Se não houver colunas? Podem sempre desafinar o quanto quiserem em uníssono.

O problema está no facto de assumirem que viagem de finalistas é só viagem de finalistas se, e só se, estiver tempo de praia e forem exageradamente para longe de casa. Este pensamento chega a ser absurdo. São criadas tantas expectativas para esta semana que acabam todos por se desiludir de uma forma ou de outra. Recuando para a minha viagem, cuja foi passada nas piscinas interiores devido ao frio, após nem 5 minutos desde a chegada ao paraíso dou de caras com um colega que me diz, depressivamente, e passo a citar “Isto não é como eu pensava”. Daniel, acabamos de sair do autocarro, estavas à espera do quê? Como esta personagem, há outras. Creio que pensam que é suposto todos os minutos daquela semana valerem a pena, esquecendo-se que nada vai acontecer por obra do Senhor, a menos que sejam eles a torná-la memorável.

Portanto, caros jovens desanimados, cabe a cada um de vocês tornar esta viagem inesquecível e façam-no, até porque (não vos querendo deprimir) será a última memória que terão com alguns colegas. Mudou-se o mês, mas não deixem que mude a vontade.