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Farmacêuticos na frente da batalha

Às vinte e duas horas do dia catorze de março ouviram-se as ruas a encher de palmas e uivos que aclamavam os profissionais de saúde na frente da batalha. Louvavam-se médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde e todos aqueles que, em contexto hospitalar, se colocam em risco ao assumir os cuidados dos doentes em época de pandemia.

Orgulho-me de ver um povo mais ou menos unido neste apoio que se fez ouvir um pouco por todo o país, passado em correntes pelas redes sociais, por mensagens esperançosas e carregadas de ânimo. Orgulho-me ao sentar-me à varanda e saber que não sou o único a aplaudir, ao abrir o Instagram e ver ruas inteiras de casas a falar por si. É lindo, de facto, saber que ainda há quem tenha um pingo de consciência e entenda parte do sacrifício que os profissionais de saúde enfrentam. No entanto, é uma pena que não seja reconhecida a totalidade e que seja esquecida outra essencial frente de combate: as farmácias.

As farmácias são, diria eu, o primeiro contacto entre o utente e os serviços de saúde. Quantos de nós procuram atendimento médico ao mínimo problema que surge? Poucos, arrisco-me a afirmar. Deslocamo-nos à farmácia mais próxima, ou àquela na qual dispomos maior confiança, para falar sobre determinado problema que nos surgiu entretanto, procuramos aconselhamento e, se possível, tratamento imediato. E de que modo mudam estes hábitos com as circunstâncias em que nos encontramos? Não mudam, de todo.

Aliás, é nestas alturas que toda esta correria se intensifica, e por isso mesmo é também nestas alturas que temos de reconhecer o trabalho do Farmacêutico e tentar, pelo menos, respeitar o esforço que faz para conter o caos. Passa isto por respeitar limites e distâncias de segurança estabelecidos nas farmácias e cumprir as medidas estipuladas pelas organizações de saúde. A não esquecer a importância de respeitar a etiqueta respiratória e, claro está, não começar a tossir para cima do farmacêutico para demonstrar o tipo de tosse. Porque a farmácia não fecha, nunca… Fecham as lojas, fecham os bares e restaurantes, fecham os museus e fecham os ginásios, mas as farmácias não fecham. E nem podem fechar!

O papel do Farmacêutico já é essencial no quotidiano, e em situações de crise ainda se torna mais importante, ainda que continue a ser desvalorizado e, em muitas ocasiões, desrespeitado. Se há medidas a cumprir numa farmácia para que se evite o contágio do vírus, foram, decerto, cuidadosamente pensadas de modo a melhor cuidar da saúde pública. São profissionais de saúde, altamente qualificados, que têm em atenção todo o tipo de possíveis situações e elaboram um plano de contingência de modo a prevenir ao máximo as mais desfavoráveis, e há, por estas mesmas razões, que ter consideração pelo mesmo, e tentar segui-lo ao máximo mediante o possível.

Tenho visto críticas às farmácias, ora pelo número limitado de pessoas a entrar, ora pela distância a que têm de ficar ao balcão, e, no meio de tudo isto, pouca consciência se faz notar. Respeitemos, portanto, o trabalho de quem cuida de nós e se esforça para nos proteger. Aplaudiremos, também, o Farmacêutico.

 

Artigo de Josué Moutinho