Crónica Opinião

FINALISTA ACADÉMICO

Ora aqui chega mais um texto a falar sobre o fim do percurso académico. Apesar de provavelmente todos os anos escreverem textos como este, todos temos várias perspectivas daquilo que é a faculdade e o que significou para cada um de nós. No início parece que não há fim à vista e depois de repente, pisca-se os olhos e em vez de sermos nós a ouvir as histórias dos antigos universitários, passamos a ser nós aqueles que as contam, enquanto recordamos todas as memórias que dão direito a grandes histórias. Portanto aqui segue mais uma visão de uma aluna que sofre de nostalgia por antecipação e porque aliás, um “ finalista pode tudo “.

Finalmente chegou o último ano. Quando entramos na faculdade isso era algo que nem entrava no pensamento, do tão longínquo que ainda estava. A semana de recepção foi boa, a praxe foi boa (ou não), as festas académicas foram um máximo, a queima foi ainda melhor. O primeiro cortejo onde se passou de caloiro para doutor foi muito especial e marcou-nos tanto, independentemente se fomos à praxe ou não. Todos os sentimentos de sermos caloiros culminam-se naquele momento e é algo belo.

Agora as festas são encaradas de uma forma quase nostálgica. A cada evento académico vem o pensamento: “isto vai acabar e agora como vai ser a vida? Só vou poder sair às sextas depois do trabalho e depois tenho de ficar o fim de semana todo a curar ressaca?”. Começamos a perspectivar que as famosas “quintas académicas” se vão tornar apenas em meras quintas-feiras. Os jantares de curso, praxes, etc., vão ser apenas jantares de amigos a lembrar todos juntos os tempos de faculdade e provavelmente se irá discutir o quão depressa o tempo passa, e que parece que foi ontem que iniciámos este belo percurso académico.

Entretanto, enquanto isto não acaba ainda há o stress que o fim da faculdade implica. É aquele último esforço para finalmente alcançarmos o nosso objetivo, que é o de ser uma pessoa licenciada e não ficarmos mais tempo que o necessário a estudar. É o derradeiro estudo e dedicação para as últimas frequências e trabalhos. Provavelmente é o ano em que fazemos estágio e nos tentamos preparar ao máximo para o mercado de trabalho e onde tentamos provar o nosso máximo valor, a ver o que conseguimos arranjar.

Quando vermos os caloiros que vêm a seguir nós, damos conselhos sobre o curso, o que devem esperar, que professor devem amar (ou não) , que cadeira é tranquila, qual é aquela que leva toda a gente ao recurso, etc. Vamos dizendo aos nossos afilhados para cuidarem daqueles que são novos na família, porque a seguir podemos não estar lá presentes para tudo. Começamos a fazer estas pequenas coisas e só aí percebemos o quão velhos nos estamos a tornar nesta vida universitária.

Contudo, todo este percurso pode não acabar por completo. Quando se trata de pertencer a uma praxe ou tuna, por exemplo, pode-se sempre continuar a fazer parte da faculdade onde estamos e podemos aparecer de vez em quando para estarmos com a família que criamos nesses espaços e que levamos sempre no coração. Vemos aqueles que entraram depois de nós a crescer, a passar por tudo o que uma vez passamos, a tornarem-se como nós e eventualmente a encher-nos de orgulho.

Por fim, a hora de pôr a cartola aproxima-se cada vez mais e tudo aquilo que vivemos como estudantes universitários começa a vir como um grande flashback e o sentimento que fica é tristeza e orgulho por tudo aquilo estar a acabar. Quando os nossos amigos e família nos destroem a cartola por completo e nos põem com dores de cabeça por o terem feito, sentimo-nos completos. Quer dizer, isto é o que penso que irei sentir quando me cartolar, porque até lá ainda vou sofrendo com o que os últimos semestres da licenciatura me trazem.