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GRETA: O FENÓMENO MEDIÁTICO

O invólucro mediático constante sobre Greta Thunberg, a pequena ativista de 16 anos que ainda há poucos dias pisava o solo português, conduziu-nos à afirmação de múltiplos fatores circunstanciais que, hoje, por causa óbvia, são indispensáveis à dinâmica de pensamento social e político.

Aliás, esses mesmos fatores de circunstância foram catalisadores de diversos cenários à escala global, desde logo, a projeção das questões ambientais ou a própria pressão que, porventura dos factos, agora se exerce sobre as ações e decisões das entidades internacionais ou governamentais. Foram-no, também, quanto à elevação do mérito de Greta Thunberg pelo mais recente e admirável reconhecimento atribuído pela revista Time e, de igual modo, pela Forbes, que a coloca, na sua última lista das 100 mulheres mais poderosas do mundo, um pouco atrás de artistas como Beyoncé e Taylor Swift, conquista que qualquer adolescente do início deste milénio, que enfrenta uma crise civilizacional em todas as vertentes, almejaria alcançar (ou deverá ser por eu, talvez, me distanciar um pouco da realidade musical do meu tempo que penso isto).

Ora, por Portugal também não passaram despercebidos os efeitos resultantes desse mediatismo, pelo contrário, foram de tal forma notórios que as consequentes movimentações sociais e ações políticas de partidos e personalidades restritos foram tudo menos não superficiais. No entanto, não será esse o fundo do problema, até porque, tendo em conta a subjetividade e o consentimento popular, a petição e a ação popular responsável e livre não pode conter, por natureza, qualquer obstáculo. Para além disso, nem veria como hipótese encobrir uma problemática tão viva e essencial para a humanidade como é o ambiente, nem ninguém poderá limitar a liberdade de expressão de uma menor 16 anos dita ativista, amplamente instrumentalizada no sentido de concretizar interesses alheios. Neste caso, todo e qualquer indivíduo haver-se-ia de cingir ao mais simples e profundo manifesto pessoal – a opinião.

Portanto, não se trata de um ataque “ad hominem” ou de mera imposição ideológica, embora seja esse o escopo de determinados atores na generalidade dos assuntos que nos são partilhados, por vezes, de um jeito caleidoscópico próprio de qualquer rede social que tanto nos oferece benefícios como malefícios. Na verdade, o que se pretende é desmistificar uma série de induções, onde grande parte das premissas são encontradas nos discursos de Greta Thunberg, que levam a conclusões falaciosas acerca da relação entre crescimento económico sustentável e desenvolvimento, como um todo, e as tais políticas ambientais.

Assim sendo, tornam-se bastante comuns declarações corriqueiras em detrimento da criação de riqueza, posicionando-a, erradamente, como principal adversário à sustentabilidade do planeta; ilusão de que o PAN se serviu inúmeras vezes, na passada legislatura, sempre que pretendia, de alguma forma, ferir a moderação fiscal e restringir as liberdades económicas ou individuais, e que resultam dessa tendenciosa propagação de desinformação numa tentativa de satisfazer interesses ou de implementar políticas geradoras de pobreza. Repare-se que, por um lado, os países mais desenvolvidos, isto é, com elevados índices de riqueza, são aqueles que, ao mesmo tempo, segundo o Environmental Performance Index Results (EPI Results 2018) da Universidade de Yale, estão melhor classificados em termos de políticas e economias de produção de bens e serviços verdes ou circulares, o que significa que poluem menos do que os países menos desenvolvidos, ou seja, a maioria dos Estados Africanos; Sul-Americanos e Asiáticos. Por outro lado, o que nada tem de surpreendente, é que, também nos países desenvolvidos, as economias e o mercado são mais livres, flexíveis e respeitadoras dos acordos internacionais, o que faz com que os produtos verdes, ecológicos ou biológicos entrem com maior facilidade nos mercados e, desta forma, cheguem mais rapidamente ao consumidor, limitando a intervenção estadual no procedimento à mera fiscalização. Resumidamente, aquilo que não sucede nos países socialistas ou comunistas, partindo do princípio de que a diferença entre ambos é uma mera questão de grau, que, para além de limitadores de liberdade e de direitos, pobres e desumanos, são, também, as principais fontes de poluição global.

E aí sim, cara Greta, estou plenamente de acordo com as palavras que de modo tão veemente expressas nos grandes palcos mundiais, mas não pelos mesmos motivos que, interna e inconscientemente, a ti te movem. Àqueles que lutam pela liberdade em Hong Kong; àqueles que lutam contra a opressão na Venezuela; àqueles que lutam contra os estigmas culturais contrários aos direitos humanos e aos bons valores; a todos aqueles, jovens ou não, que lutam pelos seus propósitos, não permitam que roubem os vossos sonhos. A liberdade não é, somente, aquilo que de mais verde existe na terra, como é o maior desejo do Homem.

 

Gonçalo Guimarães