Artigo de Opinião Opinião

UMA VISÃO DO FEMINISMO

Todos nós falamos muito do que é o feminismo e daquilo que se trata. Este tema é falado, ou ligeiramente abordado, todos os dias. Tornou-se um aspeto tão central nas coisas que fazemos, dizemos, escrevemos e pensamos, que quase todos os assuntos atuais podem ser discutidos com menções a este tema. Embora possam tentar desvalorizar, este conceito é muito importante e desde a sua origem que tem mudado a nossa sociedade.

Como todos os temas controversos na nossa sociedade, este não foge ao que é a habitual desconfiança por parte de pessoas que não partilham do mesmo pensamento que os restantes. Tudo bem, somos todos pessoas diferentes, os nossos pensamentos não são os mesmos, por isso existe a argumentação e tantas outras coisas que acompanham as discórdias entre os seres humanos. Podem perfeitamente não se identificar com o movimento e não concordar com o mesmo, agora ignorar por completo a sua importância e querer negar a oportunidade às mulheres de se equivalerem aos homens é que ultrapassa o meu limite de compreensão razoável.

O pensamento dito “machista” encontra-se tão presente na nossas mentes que quando alguém fala num conceito tão “radical” como é o feminismo, existe uma indignação de todo o tamanho. Ora, se estamos a falar de uma palavra que deriva do nome  “feminino”, que normalmente se costuma utilizar para apontar o que são as mulheres, então o feminismo deve ser para dizer que as mulheres são melhores que os homens. O problema deste conceito, que na verdade não é problema algum, é exatamente o nome dado. As pessoas que não querem saber de origens das coisas para nada só veem que aquilo é um movimento para favorecer as mulheres e o resto é tudo acréscimo que vem com a frescura da sociedade dos dias de hoje.

Pode um homem ser feminista e uma mulher ser machista? Claro que sim. Não é o género com o qual alguém se identifica que é capaz de determinar quem é o quê nestes aspetos. Este termo de ser “machista” ou “feminista” é algo que provém da mentalidade de alguém e das suas atitudes. Por exemplo, mulheres a dizerem que o feminismo não serve de nada e que não se identificam com o movimento, ou até afirmarem que as feministas são umas extremistas, umas ressabiadas e vamos dizer com grande falta de atenção, só para não entrar aqui em linguagens obscenas. Considero isso uma mulher com pensamento machista, pois um pensamento neutro não o é.

Tinha um antigo professor que dizia “as mulheres devem ser femininas, mas não feministas”. Na altura estranhei aquela frase, mas como não tinha quaisquer preocupações profundas com o assunto, simplesmente segui em frente. Agora que avalio bem esta citação, concluo que percebo o argumento, mas não concordo. Não concordo porque para se ser mulher, não é necessário ser-se feminina, nem em pensamento e segundo, o feminismo não é algo radical como esta frase aparenta querer dizer, embora exista alguns casos de extremismo.

O feminismo é muito importante e quer queiramos quer não, mudou radicalmente o modo como somos hoje em dia. As mulheres e os homens com pensamento machista não veem nada de bom que este movimento trouxe. Estariam bem é se as mulheres apenas servissem para dizer que sim aos homens e para ficarem em casa a tomar conta dos filhos.

Quando vejo mulheres a denegrir o feminismo só consigo perguntar-me que tipo de pessoas conseguem impor-lhes esse pensamento de que as mulheres vêm ao mundo só para o ter bastante limitado e apenas existir neste mundo feito para os homens. Quando vejo homens a denegrir e a repulsar o feminismo, só questiono se pensam mesmo que as figuras femininas que têm na sua vida são assim tão inferiores a eles. O pensamento de “ela é forte, mas não se compara ao quão forte eu sou, porque sou homem” é repulsivo e não tem qualquer sentido.

O feminismo é um conceito tão amplo e tão complexo que eu percebo que algumas pessoas não consigam compreender este conceito. Ainda me encontro a tentar perceber cada vez mais o que é isto do feminismo e todas as camadas pelo qual este conceito se estende. Aparentemente é muito difícil aceitar que as mulheres com isto só querem tudo aquilo que lhes é negado, direitos tal e qual os homens os têm. Apesar das mulheres já terem conquistado muito graças a este movimento, não há quaisquer motivos para descansar a luta.

Exatamente por causa de pessoas que dizem que já não precisamos do feminismo porque as mulheres agora podem fazer trabalhos de homem, podem votar e tudo mais, é que precisamos ainda mais do feminismo. Não basta contentarmo-nos com o que já temos, ainda existe trabalho a fazer. Enquanto houver vários países com salários desiguais, mulheres a não serem protegidas de relações abusivas e violentas; enquanto as mulheres de todos os países do mundo não conseguirem votar, ou forem obrigadas a casar, forem forçadas de sair da escola para tomarem conta dos seus maridos e filhos em casa; enquanto isto tudo não estiver minimizado, a luta não pode acabar.

A luta não pode acabar enquanto ainda temos uma constante violação de direitos humanos das mulheres. Sim, porque o feminismo também se estende aos direitos humanos, estende-se a temas como o racismo e a homofobia, por exemplo. É algo tão complexo e tão abrangente, que sim, precisamos de lutar incansavelmente para que estas bases todas sejam respeitadas, pelo menos ao ponto de lhes pararem de negar os seus direitos naturais.

Mais uma vez, o feminismo não é sobre elevar as mulheres ao ponto de as valorizar mais que aos homens. É sobre igualdade e mudanças de mentalidades. Podem pensar à vontade que este movimento é uma fonte de radicalismo e também uma fonte de desigualdade, mas enquanto houver pessoas a lutar por isto de forma pacífica, este movimento não pode cair em esquecimento.

Texto de Sandra Seidi. Revisto por Adriana Peixoto.