Crónica Opinião

WITCH’S DAY À PORTUGUESA

Recordo-me de festejar, todos os anos a partir de 2003, o aniversário da minha irmã, no dia 30 de outubro, e de refletir sempre no seguinte: “A sociedade equivocou-se na data do Dia das Bruxas… Devia ter sido no dia anterior ao estabelecido…”. Para quem conhece a outra única pessoa que laborou pelo canal uterino da minha mãe, a alteração da data faria, finalmente, jus ao nome da celebração.

Posto isto, julgo que não necessito de proferir mais nada em relação ao Halloween. O de relevante já foi dito. No entanto, acabaram de me informar que tenho de apresentar argumentos devidamente fundamentados acerca desse dia e, inclusive, sobre a apropriação do festival em Portugal. Assim sendo, irei aproveitar este espaço para dar a minha opinião e para demonstrar todo o meu vastíssimo conhecimento relativo a este evento cultural. Pelos vistos, lá terá de ser, se quiser que este texto seja aceite para publicação.

O Halloween, um evento tradicional e cultural de origem celta, que mais tarde foi apropriado pela Igreja Católica – após decisões de vários Sumo Pontífices, ao longo do tempo – é, atualmente, uma comemoração celebrada sobretudo nos Estados Unidos, muito díspar do carácter da sua génese – que marcava o fim do verão, no calendário celta. Hoje em dia, há bruxas, fantasmas, abóboras, a famosíssima frase “Trick or treat” e caixas registadoras a telintar sempre que chega o final do mês de outubro.

No fundo, o Dia das Bruxas, bem como outras tantas celebrações inventadas no estrangeiro que depois são incorporadas no panorama lusitano, tem como propósito festejar um acontecimento que ocorreu há uns bons séculos (ou até milénios, dependendo do caso) e fazer com que as pessoas adquiram bugigangas para festejar algo que é completamente alheio à História de Portugal. A não ser que considerem o fantasma do regresso de D. Sebastião. Nesse caso, faz todo o sentido afirmar que, afinal de contas, não houve uma americanização do Halloween, mas sim uma portugalidade inerente à celebração.

Não há muito mais que eu possa dizer em relação ao Halloween, na medida em que não o festejo e o vilipendio por completo. Todavia, é engraçado constatar que um festival que tem como objetivo dar culto aos mortos, esteja bem vivo em termos económicos.

Para findar, após profunda meditação, decidi retirar o meu menosprezo face a este dia. Devo dizer que foi graças a este evento cultural que consegui tirar “Muito Bom”, num trabalho do sexto ano do ensino básico. Contudo, como se comprova pela redação atual, não aprendi nada com ele.

Texto de Miguel Barbosa. Revisto por Adriana Peixoto.