Artigo de Opinião Opinião

“NOSSA CASA ESTÁ A ARDER”: DA AMAZÓNIA À EUROPA, FICAM AS CINZAS

A Floresta Amazónica é a maior floresta tropical do mundo e está presente em nove países na América do Sul, sendo que 60% dela está localizada em território brasileiro, ocupando a área de cinco estados do norte do Brasil.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais brasileiro (INPE), foram registados 39.033 fogos na Amazónia entre os dias 1 de janeiro de 20 de agosto, representando um aumento de 140% em relação ao mesmo período de 2018. Este facto fez com que os media ao redor do mundo voltassem os olhos àquela que é considerada o “pulmão da Terra”.

Todavia, precisamos perceber que os incêndios não ocorrem somente no Brasil ou na Floresta Amazónica. Cá mesmo em Portugal, neste ano já registamos incêndios nas zonas da Amadora, de Monte Real e da Covilhã, por exemplo. Na vizinha Espanha, as Canárias arderam sem controlo nas últimas semanas. A França, que atacou o Governo Brasileiro, não tem adoptado medidas de protecção da Amazónia em seu território, que vem sendo desmatado para a exploração de ouro e agrícola na Guiana Francesa, inclusive por meio de empresas russo-canadianas. Em África, diversas florestas estão a queimar e não nos mobilizámos para controlar os fogos.

O discurso ambientalista pode ser usado para convencer superficialmente os cidadãos, mas precisamos elucidar se os factos são realmente usados com o fim pretendido e não com razões económicas ou políticas por detrás da irresignação de determinados actores internacionais. Países que se mostram preocupados com os territórios sul-americanos devastaram terras em solos africano e asiático e não ofereceram a devida reparação económica.

Atualmente, a diplomacia global tem enfrentado obstáculos dignos da Guerra Fria, com acções para ampliar o controlo do mercado mundial seja pelos norte-americanos, seja pelos chineses, com a Rússia a interferir principalmente no Médio Oriente e na Venezuela, enquanto que a União Europeia tenta afirmar seu papel neutral e busca minimizar os efeitos do BREXIT na relevância e na manutenção do bloco.

Entretanto, não nos podemos esquecer que só há um planeta para habitarmos e que, enquanto não tomarmos medidas de protecção das poucas reservas ambientais, nossa casa irá continuar a arder e o fumo continuará a cobrir desde as grandes cidades às mais pequenas vilas do interior, pois toda a Natureza está interligada e os resultados irão refletir em todo o globo terrestre. Precisamos de cuidar de nossos biomas e cada país precisa de adotar meios de monitorização e de preservação dos recursos naturais nos seus territórios, sem trocarem farpas ou discursos de ódio entre si e sem objetivos obscuros por detrás das palavras.

A Amazónia hoje é o foco dos media por ser o “pulmão da Terra”, mas talvez este pulmão represente o corpo de um fumador, onde não basta que nos preocupemos com este órgão vital se não nos preocuparmos com os demais órgãos do meio-ambiente. Tentar preservar o pulmão sem medidas concretas que envolvam todos os atores internacionais é como tentar salvar o pulmão de alguém que não para de fumar todos os dias. As calotas polares da Gronelândia estão a derreter, as matas estão a queimar e a fauna está a desaparecer, mas o discurso reproduzido na comunicação social dá conta de que o problema global iniciou-se há alguns meses por conta do novo Governo brasileiro.

De facto, as políticas ambientais do país sul-americano precisam ser revistas e endurecidas para combater o desmatamento e as queimadas na Amazónia e o presidente daquele país não pode incentivar a destruição da Natureza, mas a hipocrisia e os discursos dos demais atores precisam mudar para que todos estejamos juntos na proteção do Planeta Terra e na preservação da vida. Muito mais que números, gráficos e percentagens, estamos a falar de ações reais.

Assim, conseguiremos (sobre)viver por algum tempo mais… e a Amazónia agradece!

Artigo de Cristian Ricardo Ferreira Júnior. Revisto por Adriana Peixoto.