Crónica Opinião

O TANGO DESASTROSO DE CRISTAS E RIO

Em período eleitoral, Assunção Cristas e Rui Rio decidiram tentar aproveitar-se de um dos temas que mais incomoda o governo de António Costa, o tempo de serviço dos professores.

Com a discórdia regente entre sindicato dos professores e Governo, Bloco de Esquerda, PCP, CDS, PSD e Verdes votaram a favor da aprovação do princípio, de que os professores terão direito, à recuperação da totalidade do dinheiro, do tempo em que houve congelamento de carreiras. Medida que poderia ser aprovada, uma vez que PS não tem a maioria.

Ao aperceber-se da jogada dos opositores, António Costa ameaça com a demissão do governo, se a medida for aprovada, e apresenta diversas razões que, segundo o mesmo, impossibilitam a sua aprovação, como o impacto no Orçamento de Estado e a igualdade exigida para com as restantes profissões do setor público. Desta forma, o primeiro-ministro mostra que, apesar das falhas ao longo do mandato, ainda percebe muito mais da “dança” que envolve a política do que os seus oponentes, passando a bola e a pressão para o lado dos seus opositores.

Perante o ultimato de António Costa, em plena dança com a atenção dos portugueses, com as palmas de BE e PCP a apoiar, Cristas e Rio hesitam e dá-se o descalabro de todo este tango e jogada política. Tropeçam e espalham-se no chão ao reverter a posição dos seus partidos, dando como justificação que a medida não pode pôr em causa o crescimento económico do país, ou seja, tanto um como o outro confirmam que apoiam medidas não sabendo que impacto irão ter nas contas do país, que desconhecem de todo, quando seria esperado que se informassem sobre o assunto minimamente, dado este ser o trabalho deles e estes se apresentarem como candidatos a governo.

Assunção Cristas e Rui Rio mostram a falta de capacidade de “dançar o tango” da política, quer como opositores, quer como governantes, perdendo grande parte da sua credibilidade e confiança depositada, revelando não serem grandes alternativas ao governo atual, que se prepara desta forma para ganhar este fraco espetáculo de dança com um solo.

Apesar de tudo, os grandes perdedores continuamos a ser todos nós, portugueses, que levamos com um espetáculo triste e deprimente, de pessoas e partidos que mais uma vez põem os interesses partidários e pessoais à frente dos interesses do país. Continuamos sem ter alguém que inspire confiança e seriedade para a governação do país.

Artigo de Luís Pinheiro. Revisto por Adriana Peixoto.