Crónica Opinião

QUEIMA ON FIRE

Neste texto, gostaria de falar sobre o sentido da vida: é nenhum. Agradeço ao leitor pelo tempo despendido a ler esta minha crónica. Esperem… A direção do JUP acabou de me informar que não posso apresentar somente esta frase. Tenho mesmo de escrever um texto mais longo… E agora? Que tema irei abordar? Que maçada… Ah! Já sei! E que tal os acontecimentos que levaram ao encerramento de barracas na Queima das Fitas do Porto? Não me recordo de outra temática mais interessante, portanto, lá vai ter de ser.

Para o leitor desatento, na passada semana ocorreu a 30ª edição da Queima das Fitas do Porto, e como não poderia deixar de ser, houve polémica. Para o leitor ainda mais desatento, houve de facto tanta polémica que algumas das barracas, que habitualmente estão no recinto a vender bebidas alcoólicas, foram encerradas.

Pergunta o leitor intrigado: “O que terá acontecido para que algumas dessas barracas tenham sido encerradas?”. A resposta surpreende bastante, tendo em conta que estamos em ambiente académico: houve exibição de seios, “beijos lésbicos” e simulação de felácios em troca de bebidas gratuitas. “Escândalo!” – pensará o leitor. Eu próprio acho escandaloso e apresento aqui a minha indignação: este tipo de comportamento ocorreu desde o primeiro dia do bonito sarau, ou seja, dia 5 de maio, até ao dia 8 de maio (mais coisa, menos coisa, não conte com rigor do autor desta crónica) – e eu fui à edição do dia 9, onde já as barracas que praticavam esses atos estavam fechadas pela organização do evento, uma vez que a FAP considerou-os como “atentados à dignidade da pessoa humana”. Portanto, não pude desfrutar de nada. Uma pessoa compra bilhete para a Queima não para conviver com amigos e não para se divertir nos concertos, mas para assistir a cenas sexuais e, no dia em que vai, calha de já ser proibido. Um escândalo.

Mas, já que a Federação Académica do Porto encerrou as barracas por essas razões, eu, como indivíduo que preza pelo correto funcionamento das instituições e dos eventos, deixo aqui três sugestões à própria FAP, de forma a erradicar este tipo de comportamentos:

A primeira seria acabar com a própria Queima. No entanto, isso seria uma grande questão filosófica: como melhorar a Queima, se a solução é acabar com ela? É melhor avançar, visto que até fiquei um pouco tonto com este dilema.

A segunda seria acabar com a Humanidade. Em certa medida, não se perdia nada e, quiçá, é a melhor das três ideias. Assim, deixaria de existir qualquer tipo de conteúdo excessivo em termos sexuais. E, sem humanos, até se melhorava isto do planeta Terra ou lá o que é.

A terceira e última ideia, é capaz de ser a mais radical de todas: acabar totalmente com as barracas. A Queima continuava a existir e a Humanidade também, mas assim não haveria álcool no recinto. O contra-argumento principal a esta medida é o seguinte: se não há álcool para beber, como é que se pode considerar que aquilo que os Wet Bed Gang fazem é música?

Em suma, espero que toda a gente se entenda quanto a esta problemática das barracas e que a FAP aproveite uma destas minhas ideias. Caso contrário, só estive aqui a perder tempo a escrever, quando podia estar muito bem a ver os tais vídeos escandalosos da Queima que foram publicados na internet. Saudações académicas.

Artigo de Miguel Barbosa. Revisto por Adriana Peixoto.