Crónica Opinião

UMA CRÓNICA NÃO-NATALÍCIA

Como estamos na época natalícia, decidi escrever uma crónica subordinada a qualquer outro tema sem ser sobre o Natal. Esteja à vontade para me chamar mesquinho ou para referir a minha falta de timing ou, até mesmo, a minha incompetência na hora da escrita, caro leitor. Se procura algum texto hilário ou a debater uma questão importantíssima da atualidade, tem muitos outros cronistas neste jornal (um abraço para todos eles – embora não os conheça). Sem mais demoras, vamos lá principiar esta crónica com a certeza antecipada que se trata de estupidez.

A meu ver, o ato de vislumbrar uma espécie de caracteres ordenados em vários conjuntos e daí retirar alguma informação através de processos cognitivos (peço perdão pela frase anterior, no entanto, um dos meus grandes sonhos de infância, para além do já conhecido sonho de escarnecer escuteiros, sempre foi o de escrever uma perífrase para o termo “ler” – se bem que, é necessário alertar, que a perífrase carece de rigor científico, literário e, inclusive, pastorício, como é evidente. O leitor não esteja à espera de exatidão e zelo neste potpourri de vocábulos colocados aleatoriamente) é deveras importante, embora possua, de igual modo, aspetos positivos e negativos a salientar.

Por um lado, o ato de ler apresenta um vasto leque de vantagens, tais como a pedagogia que se obtém através dos livros, um alargamento da imaginação do indivíduo que lê, uma maior concentração no quotidiano e um melhoramento a nível de memória.

Por outro lado, a leitura contempla inúmeras desvantagens para a Humanidade, todavia, irei vilipendiar a mais fácil de referir neste contexto para fins de comicidade, nomeadamente, a insanidade que a leitura contínua poderá provocar, tal como sucedeu a Dom Quixote. Irei, isso sim, concentrar-me somente no essencial que de nefasto a ação de ler provoca, a saber: tempo gasto indevidamente que poderia ser utilizado a jogar PlayStation, ver vídeos de humor e, sobretudo, visualizar pornografia (não me refiro a mim, obviamente, quem vê esses filmes são amigos meus. Que necessidade tenho eu de mirar tais películas cinematográficas com tamanha qualidade na atuação por parte das atrizes? Nenhuma, pois claro).

Para findar, almejaria proferir que, contrapondo os aspetos positivos com os negativos, após esta intensa reflexão, creio que pesam mais os pontos contra a leitura do que os pontos a favor. Peço novamente perdão, mas acabei de receber um SMS de um amigo meu chamado Miguel de Cervantes com o link de um desses filmes que há na Internet – porém, a razão pela qual me irei ausentar é que está na altura de abrir os presentes cá em casa, ficando, assim, impedido de escrever uma conclusão mais aprofundada e fundamentada. Como disse, isto prova, efetivamente, que são amigos meus que veem esse género de filmes. Principalmente o Cervantes, esse espanhol tarado.

Pós-Escrito: Ah, e boas festas, e tal!

Artigo por Miguel Barbosa. Revisto por Adriana Peixoto.