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Exercício físico na quarentena: uma iniciativa a ser mantida?

Com um aumento do tempo livre e na tentativa de fugir ao sedentarismo, a prática de exercício em casa foi um método importante para a criação de rotinas e manutenção do bem-estar físico e psicológico
Iniciativa UPFit em Casa. Foto: CDUP

Durante a quarentena e devido à dificuldade que a população sentiu em manter a rotina diária, a prática de exercício físico em casa foi uma forma de estabelecer objetivos e criar uma ocupação ao longo do período de isolamento social.

Entre as pessoas que se exercitaram na quarentena, uma parte delas já frequentava um espaço dedicado à atividade desportiva, como é o exemplo de João Batista, estudante de 22 anos, que afirma que a prática de exercício físico foi “muito importante” para o seu bem-estar, “tanto físico como psicológico”Carlos Valente, estudante de Engenharia Informática na Universidade do Porto, revela que “a prática do exercício em casa foi importante para não perder a vontade de, quando o ginásio abrir, voltar a frequentar o mesmo, e também para manter e melhorar a forma física”.

Ambos os jovens, que já frequentavam um espaço dedicado à prática de exercício, afirmam que a prática de desporto na quarentena foi essencial para manter o bem-estar físico e também mental, uma vez que a manutenção da atividade desportiva diária ajudou a manter um objetivo saudável e uma rotina que já existia antes da pandemia.

Contudo, houve ainda quem sentisse a necessidade de começar a praticar exercício em casa, algo que por diversos motivos não realizavam até ao período de confinamento. Bárbara Pinto, estudante de Direito da Universidade Portucalense, refere que a prática de exercício físico ajudou a torná-la “uma pessoa mais ativa”, confortável com o seu corpo, mas sobretudo a melhorar a sua saúde e autoestima. “Consegui criar uma rotina e um objetivo, pude estar focada em algo importante”, mencionou a estudante.

Por sua vez, João Narciso, com 20 anos e estudante de Engenharia e Gestão Industrial na Universidade de Aveiro, menciona que a prática de exercício físico foi importante “para evitar o sedentarismo” e para “ocupar o tempo” de forma saudável.

Assim, percebe-se que prática de atividade física foi, de forma generalizada, uma importante ajuda a nível psicológico. Nota-se, de facto, que a prática de exercício providenciou uma maneira da população se manter ativa e bem a nível física, mas foi também encarada como um método para criar uma rotina, um foco. 

No entanto, será que, com o regresso da “normalidade”, estes jovens irão manter a rotina que tinham antes da pandemia ou abrirão agora espaço para o objetivo que delinearam durante a quarentena? Por outro lado, será que as pessoas já se sentem seguras para frequentar novamente espaços públicos fechados? João Batista mostra-se inseguro e refere que “face ao momento que passamos” não se sente, por enquanto, “confortável” para voltar a treinar no ginásio, opinião partilhada por Diogo Araújo, estudante de Sociologia na Universidade do Porto, que “ainda não se sente seguro para regressar ao ginásio”. Em sentido inverso, João Narciso já voltou a treinar no ginásio.

Ainda assim, muitas das pessoas que começaram a treinar pela primeira vez na quarentena ainda não tomaram uma decisão de continuar a praticar exercício físico em casa ou ir para um ginásio. Bárbara Pinto refere que “muitas das tarefas da rotina habitual voltaram” e, por isso, deixou de praticar exercício físico em casa, no entanto diz estar a ponderar a inscrição num ginásio.

Para ajudar à prática de exercício físico durante a quarentena, o programa UPFit transmitiu treinos em direto, através redes sociais, e Bruno Almeida, diretor do Centro de Desporto da U.Porto, afirmou que a maioria das pessoas inscritas no programa pago “aderiram ao programa UPFit em casa”, com a média de visualizações de cada vídeo-aula transmitida nas redes sociais a rondar as seis mil visualizações.

Bruno Almeida revelou ainda que diversas entidades e escolas contactaram a UPFit para divulgarem os vídeos na sua rede de contactos, entre as quais a Liga Portuguesa contra o Cancro, a RunPorto e a Comunidade Europeia, dados que ajudam a compreender a importância que a prática desportiva teve durante o processo de isolamento, para todas as pessoas, com diferentes estilos de vida e idades. Com a procura das várias instituições, o programa desportivo da Universidade do Porto obteve “mais de um milhão e 200 mil visualizações” em pouco mais de 200 vídeos partilhados.

Para além disso, a UPFit demonstrou ainda uma enorme competência na adaptação a esta nova realidade, uma vez que a 11 de março encerraram instalações e a 16 de março já se encontrava em prática o novo programa online. “A equipa CDUP-UP planeou e organizou tudo de forma a que não faltassem atividades para todos os gostos e idades para toda a comunidade”, revela Bruno Almeida.

Em suma, afirma que “os utentes regulares se mantêm e a taxa de fidelização foi ainda assim bastante alta. As aulas presenciais têm tido bastante sucesso com taxas de ocupação a rondar os 85%”, o que significa que as pessoas estão a perder o medo, o desconforto e insegurança, e estão a voltar aos ginásios e aos clubes desportivos. Significa também que muitos ginásios estão a trabalhar com afinco no sentido de mostrar às pessoas que um ginásio é um sítio seguro, desinfetado e onde podem estar bem.