Educação

Associação de Estudantes da FBAUP quer um ensino mais digno

Em março, a Associação de Estudantes da Faculdade de Belas Artes das Universidade do Porto fez circular um abaixo-assinado a reivindicar melhores condições para os estudantes, agora, defende a integração da faculdade no "grupo das exceções", de modo a que os alunos tenham sempre aulas em regime presencial. Por: Inês Travassos

À conversa com Leonor Barbosa, presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (AEFBAUP), conseguimos perceber as condições das infraestruturas e de funcionamento da faculdade: os alunos vêem-se restritos a contentores e anexos do bar para terem as suas aulas, sempre com a ânsia que a chuva vá estragar os seus trabalhos; a cantina não serve jantares; a faculdade fecha relativamente cedo e não existe um serviço de reprografia para dar resposta às necessidades dos estudantes. 

Algumas destas condições motivaram a criação de um abaixo-assinado para reivindicar condições que possam tornar o ensino artístico digno.

O primeiro problema mencionado, e frisado, remete para o subfinanciamento da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP). “Aquilo que reparamos na FBAUP tem-se vindo a intensificar e arrastar certos problemas que são visíveis nas infraestruturas e na falta de serviços da faculdade, como é o caso da reprografia”, elucida Leonor Barbosa

Embora a questão das infraestruturas já tenha sido discutida, no ano letivo anterior, um dos ateliês de pintura, que está a ser atualmente remodelado, inundou e danificou alguns trabalhos que iriam ser elemento de avaliação. No segundo semestre do ano letivo de 2019/2020, iniciaram-se obras para pôr fim aos problemas das infraestruturas da faculdade, mas a direção da associação de estudantes refere que “durante um período de tempo vários são os estudantes que estão sujeitos à falta de condições dos espaços provisórios”

Atualmente, algumas das aulas têm sido dadas em contentores ou até mesmo num anexo do bar da faculdade, que outrora foi um espaço de convívio para os alunos. A sala anexa foi remodelada com cavaletes e bancos para dar uma resposta aos alunos de pintura, mas os estudantes dizem não ser suficiente.

“Estamos a viver uma pandemia que afetou inúmeras famílias que não conseguem suportar, totalmente, os custos do Ensino Artístico” [Leonor Barbosa, Presidente da Direção da AEFBAUP]

A AE refere ainda a existência de estudantes que não possuem as condições mínimas e dignas fora da faculdade, quer sejam económicas ou de espaço, para desenvolverem os seus projetos, não conseguindo dar resposta às propostas das unidades curriculares: “Estamos a viver uma pandemia que afetou inúmeras famílias que não conseguem suportar, totalmente, os custos do Ensino Artístico” alega a presidente da associação de estudantes. Com o encerramento da cantina à noite e o encerramento da faculdade, por volta das 20h00, os alunos ficam impedidos de usufruírem os ateliês para a elaboração dos seus trabalhos. Assim, a AE acredita ser urgente reconsiderar a abertura da FBAUP até às 23h00, tal como é exigido no abaixo-assinado, visto que “muitos são os estudantes que não têm espaços em casa que substituam os ateliês, os laboratórios ou as oficinas”, conta Leonor Barbosa.

Outro ponto reivindicado pela comunidade estudantil da FBAUP é o funcionamento da papelaria. O serviço de papelaria é da responsabilidade da Moldursant, uma empresa independente e autónoma da Universidade do Porto, contratada pela Direção da FBAUP. Segundo a AEFBAUP, esta é uma questão que já foi abordada com os vários órgãos da Direção e Conselho Executivo. O objetivo da associação de estudantes é propor uma dinâmica diferente entre a FBAUP e a Papelaria, ou seja, “encomendar-se-iam materiais papelaria à Moldursant, e os serviços de venda seriam administrados pela própria faculdade.” Deste modo, a AE defende que o interesse dos estudantes seria tido em maior consideração, uma vez que, atualmente, existe a impossibilidade de associar as despesas dos materiais de belas-artes a um estatuto de “despesa escolar”, para efeitos de IRS.

“Os custos dos materiais de belas artes para a elaboração das propostas das unidades curriculares é de um valor extraordinário que acresce às propinas, havendo alunos a investir 200 euros mensais apenas em materiais. Estas despesas acabam por não ser contabilizadas como despesas escolares, revelando-se mais uma pressão financeira aos pais e aos alunos.” [Leonor Barbosa, Presidente da Direção da AEFBAUP]

A Presidente da Direção da Associação de Estudantes, Leonor Barbosa, acredita que os apoios das bolsas não são suficientes, referindo que “o valor mínimo da bolsa é de 87 euros e gasta-se 70 euros nas propinas, o que significa que sobram apenas pouco mais de 17 euros por mês, para as restantes despesas.” A presidente da AE expõe que “os custos dos materiais de belas artes para a elaboração das propostas das unidades curriculares é de um valor extraordinário que acresce às propinas, havendo alunos a investir 200 euros mensais apenas em materiais. Estas despesas acabam por não ser contabilizadas como despesas escolares, revelando-se mais uma pressão financeira aos pais e aos alunos.”

A Associação de Estudantes revela ainda que tem estabelecido uma comunicação direta com a Direção e Conselho Pedagógico da FBAUP, a fim de urgir para a integração da FBAUP no “grupo de exceção”, que permite a continuidade das atividades letivas em regime presencial (grupo que integra o ensino clínico e os estágios, tais como os estágios clínicos) definido, em comunicado, pela Reitoria da Universidade do Porto.

Leonor Barbosa acredita que a FBAUP cumpre os critérios necessários para integrar este “grupo de exceção”, uma vez que “o método de ensino é maioritariamente prático e de uma natureza de ensino particular e específica, que fica extremamente fragilizada pelo ensino à distância.” A presidente da direção da associação de estudantes explica a necessidade “da presença física no desenvolvimento dos projetos devido à materialidade do objeto de aprendizagem.”

Por outro lado, a comunidade estudantil da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto alerta para a existência de outras falhas que precisam de ser colmatadas e que acabaram por se acentuar durante a pandemia. Dentro do plano curricular da faculdade, alguns alunos queixam-se da falta de preparação para o mercado de trabalho. Neste sentido, a AEFBAUP redigiu um programa de atividades que visa a criação de oportunidades para o desenvolvimento artístico individual e coletivo da comunidade estudantil da FBAUP.

 

Artigo escrito por: Inês Travassos