Educação

O TELEMÓVEL FOI SUBSTITUÍDO POR CONVIVÍOS COM AMIGOS REAIS

Já existem escolas onde o telemóvel não tem lugar e a conversa, os jogos e os abraços são as únicas “redes sociais”. A EB 2,3 de Lourosa em Santa Maria da Feira é um exemplo. Já há dois anos que é proibido o uso do telemóvel nesta escola.

É preciso “cortar o mal pela raiz” e foi o que a Escola EB 2,3 Lourosa em Santa Maria Da Feira fez. Nesta escola, logo na primeira aula do dia, os telemóveis são colocados dentro de uma caixa e apenas são devolvidos aos alunos no fim das aulas. Durante o dia permanecem guardados num armário. Esta norma já é aplicada na escola há dois anos. O intuito é promover a interação entre os jovens, de aumentar o seu rendimento escolar e os desprender das novas tecnologias que tanto os limitam.

O processo de adaptação pode traduzir-se na famosa expressão “primeiro estranha-se depois entranha-se”. Se inicialmente os estudantes eram contra a medida e lhes foi difícil perder o hábito de estar sempre a utilizar o telemóvel, agora reconhecem a importância desta e as mais valias que lhes trouxe. Atualmente, alunos, pais e docentes apoiam e reconhecem os efeitos positivos desta medida.

Em declarações à SIC Notícias, a diretora do Agrupamento de Escolas de Lourosa afirma que muitos alunos protestaram a medida adotada pela escola declarando estarem sobre uma ditadura, pois a sua liberdade estava a ser condicionada. A verdade é que o efeito pretendido é exatamente o oposto. O objetivo é promover a interação entre os jovens e impedir que o telemóvel os aprisione.

As consequências da inclusão das novas tecnologias na nossa sociedade é um tema que se tem vindo a tornar corrente. O aparelho que obteve mais impacto nas nossas vidas e nos tornou mais dependentes dele foi o telemóvel.  Passou a ser essencial na vida da maioria da população. Para uns é um instrumento de trabalho, para outros o meio mais eficaz para contactarem com amigos e familiares. Para os jovens do século XXI um vício.

Em alguns países já foram feitas algumas mudanças. Nomeadamente na França, foi aprovada uma lei que impede os alunos de utilizarem os telemóveis até nos intervalos. Eduarda Ferreira, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e psicóloga educacional é uma das pessoas que discorda com esta decisão, acreditando que se deve, pelo contrário, integrar o uso do telemóvel no sistema educativo.

As escolas da Orquestra Metropolitana são outro exemplo. É proíbo o uso do telemóvel tanto para os alunos como para os professores nas salas e corredores das instalações. Contudo, existem algumas exceções e este aparelho pode ser usado na sala de professores e músicos da Orquestra Metropolitana de Lisboa, na sala de alunos da Academia Nacional Superior de Orquestra (ANSO), no piso térreo e na sala de alunos da Escola Profissional Metropolitana. A regra aplica-se não só aos alunos, mas a todos os docentes das escolas, desde professores e funcionários a administrativos.

Uso do telemóvel nos estabelecimentos de ensino, sim ou não? Esta é a grande questão que tem surgido e gerado opiniões divergentes. Se por um lado se defende a proibição ou limitação do uso deste aparelho nas escolas por este ser um motivo de distração, de limitação das relações sociais, de aprisionar as pessoas levando-as ao sedentarismo e por ser um meio para praticar bullying. Por outro lado, muitos defendem que a exclusão deste dispositivo provocará um desinteresse ainda maior pelo ensino e que deveria antes ser inserido no sistema educativo. O telemóvel dá acesso a diversos conhecimentos e o ser humano absorve muita informação através deste aparelho. Posto isto, a alternativa pode ser educar os jovens no sentido de absorverem a informação mais pertinente deste aparelho. Ensiná-los a serem seletivos e rentabilizar assim a atenção dada por eles ao telemóvel num sentido mais benéfico.

As mudanças tecnológicas levaram á evolução da sociedade e por conseguinte das escolas. O telemóvel pode ser um novo método de ensino.

 

Mariana Vilas Boas