Educação

NOVOS MÉTODOS DE ENSINO? NA MADEIRA SIM

O projeto pedagógico que parecia improvável, afinal tem tido resultados positivos.
Em duas escolas da Madeira, o novo método de dividir alunos por aproveitamento parece ser a solução para o sucesso escolar.

Há três anos, o Governo Regional da Madeira lançou um programa pedagógico piloto: Estreito + e Caniço +, que propunham dividir alunos por aproveitamento escolar. O objetivo era reduzir o insucesso.

Os alunos foram divididos em turmas ‘mais’ tendo em conta os resultados do ano anterior: de um lado alunos com boas notas e facilidade de aprendizagem, do outro alunos com taxas elevadas de insucesso. A criação destas turmas ‘mais’ nasceu da ideia de que cada pessoa aprende de forma distinta e que a escola não pode ensinar da mesma forma todos os alunos.

Até agora os resultados têm sido animadores: na escola do Caniço as taxas de retenção passaram para 4%; no início do programa chegaram às 28.8%. Em Estreito, a taxa do sucesso subiu 7 pontos percentuais para 96% e a de insucesso baixou de 11% para 3.1 %.

Questionado sobre o sucesso do programa, o presidente do conselho executivo da EB 2/3 do Caniço, afirmou ao jornal Público que “muitos encarregados de educação têm vindo à escola pedir para os filhos entrarem para o programa”. Para Armando Morgado: “tirando um caso ou outro, todos os alunos completaram o 3.º ciclo em três anos”.

Para a Secretaria Regional da Educação, em comunicado, “os dados disponíveis confirmam que é possível conceber e implementar com sucesso alternativas para manter a maioria dos alunos no ensino regular, como aconteceu no caso destas escolas”. Para o gabinete de Jorge Carvalho “é sabido que cada pessoa aprende de forma diferente. Não pode, portanto, a escola que se afirma democrática, ensinar de forma igual para todos”.

Início do Projeto

No momento de implementação estes projetos foram alvo de duras críticas. Entre sindicatos e encarregados de educação, a discriminação entre alunos era a principal falha apontada. “Se houve discriminação, foi pela positiva”, diz António Mendonça ao Jornal Público. Para o diretor da EB 2/3 do Estreito de Câmara de Lobos, “as turmas de recuperação – onde os alunos com maiores dificuldades foram colocados – sempre tiveram mais meios pedagógicos do que as restantes. Depois da relutância inicial, temos agora pais a pedirem para os filhos entrarem.”

“Estreito +” iniciou com duas turmas do 5.º e duas do 7.º ano com cerca de 16 alunos, nas quais foram formadas turmas de desenvolvimento e de recuperação. Ambas foram compostas pela mesma carga horária e contavam com o apoio de dois professores por disciplina. No início deste ano letivo, a escola de Estreito de Câmara de Lobos tinha duas turmas “mais” no 5.º, duas no 6.º, seis no 7.º, e duas no 8.º e no 9.º.

Mas o programa não acaba por aqui. Segundo António Mendonça, o programa não termina no final das aulas. Os alunos são monitorizados e o percurso escolar é acompanhado nas novas escolas. Para o diretor da escola, só assim será possível perceber o alcance do projeto.

Já no passado, o Secretário Regional da Educação desafiou ambas as escolas a tentarem reduzir o insucesso escolar, através de iniciativas pioneiras e novas abordagens de ensino. 

 

Lídia Araújo