BOMBEIROS-ESTUDANTES: “NÃO SE CONCILIA, JOGA-SE NA FÉ” – Jornal Universitário do Porto
Educação

BOMBEIROS-ESTUDANTES: “NÃO SE CONCILIA, JOGA-SE NA FÉ”

Portugal dispõe de uma vasta corporação de bombeiros voluntários. Entre eles existem bombeiros-estudantes que se esforçam por conciliar os dois "mundos" - a universidade e o quartel.

O estatuto de bombeiro-estudante foi publicado in Diário da República e abrange universitários bombeiros. As universidades têm uma tendência para adaptá-lo às suas condições. Contudo, e como os próprios estudantes afirmam, não traz nenhum benefício efetivo excepto a utilização da época especial para exames. Em termos de propinas, apenas há diminuição dos custos depois de 2 anos de serviço.

Mariana Nunes, Ana Santos, Marlene Rocha e Maria João Nunes são exemplos do que é ser-se bombeira-estudante na academia. Todas estudantes universitárias em Coimbra e Vila-Real, as bombeiras voluntárias no quartel de Santa Maria da Feira, aos 19 anos assumem que é “preciso abdicar-se de muita coisa lá fora” para se conseguir conciliar as duas tarefas. Porém, reconhecem que fazem um esforço para estar nos dois lados. Mariana chega a afirmar que “não se concilia, joga-se na fé”.

Da esquerda para a direita: Ana Santos, Maria João Nunes, Marlene Rocha, Mariana Nunes Compreensão Social
Da esquerda para a direita: Ana Santos, Maria João Nunes, Marlene Rocha, Mariana Nunes
Compreensão Social

Compreensão Social

Uma das dificuldades que destacam é a compreensão por parte da sociedade. Aos olhos dos outros, estudar no quartel é “um plano furado”, como afirma Marlene Rocha. Uma vez que não consegue abdicar do quartel, une as duas da forma que considera mais pertinente. Ana Santos revela que o facto de serem jovens também leva a que os utentes, por vezes, sejam “mal educados”. No entanto, há quem venere o  trabalho da juventude. Melões, laranjas, tangerinas são exemplos de oferendas simbólicas que lhes costumam ser entregues em forma de agradecimento.

Mesmo com declaração de justificação de faltas pelo posto de comando, Maria João diz que faltar às aulas é “prejudicial num certo ponto”. A  perda de rumo na matéria lecionada que, por vezes, é difícil recuperar foi uma das  dificuldades apontadas pela estudante. Todas sentem que há uma falha de comunicação e interesse por parte dos docentes, já que estão a prestar “um serviço público” e são prejudicadas por tal.

Questionadas sobre o que é ser-se bombeiras-estudantes na atualidade, reforçam a ideia de abdicar da vida comum de um adolescente. Para Mariana é “uma ginástica acrobática”, pois só assim se “consegue manobrar o estar na faculdade” e estar no quartel. Vêem como um desafio “revitalizante”, principalmente, quando alcançam sucesso nos dois “mundos”. Para Ana Santos é um descobrir de sentimentos que não encontra “em outro lugar”, dos quais destaca o companheirismo.

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