Educação

30.º ANIVERSÁRIO DO PROGRAMA ERASMUS

O programa Erasmus assinala três décadas de existência. São 30 anos a mudar a vida dos participantes e a moldar o futuro da Europa.

São milhares os estudantes universitários que anualmente aderem ao programa Erasmus. De malas feitas, rumam pela Europa e pelo mundo fora, regressando meses mais tarde com a bagagem cheia de conhecimento e experiências de vida.

O programa Erasmus foi criado em 1987 e tem como principal objetivo dar aos estudantes do ensino superior a possibilidade de estudar, receber formação, trabalhar ou fazer voluntariado num país estrangeiro.

30 anos sempre a crescer

No primeiro ano de existência, em 1987, o programa Erasmus contou apenas com 3 000 pessoas.

Contudo, rapidamente se percebeu as múltiplas vantagens e utilidades deste programa de mobilidade, transformando-o num projeto de elevada adesão, do qual já beneficiaram 9 milhões pessoas.

Segundo dados da Comissão Europeia (CE), esses 9 milhões de pessoas envolvidas dividem-se em estudantes, alunos de intercâmbio, formandos e voluntários.

Este ano, e em virtude das comemorações dos 30 anos, serão realizados inúmeros eventos por todos os países aderentes, com vista a promover ainda mais a mobilidade estudantil, os quais poderás acompanhar aqui.

Foto: Comissão Europeia
Estatísticas erasmus | Foto: Comissão Europeia

Erasmus em números

Ano após ano, a popularidade do programa tem aumentado significativamente. Só entre 2014 e 2015, o número de candidaturas cresceu 10%.

Estatisticamente, os estudantes de Erasmus são:

  • predominantemente mulheres 61%;
  • tem aproximadamente 24,5 anos de idade;
  • recebem uma média de 281€ de bolsa por mês;
  • passam cerca de 5,3 meses no estrangeiro.

É ainda de salientar que, segundo o relatório anual da CE, foram investidos pela União Europeia (UE) cerca de 2,1 mil milhões de euros em 19 600 projetos relacionados com o programa Erasmus, os quais abrangem 6 900 organizações.

Foto: Comissão Europeia
O estudante Erasmus | Foto: Comissão Europeia

Os destinos preferidos dos alunos universitários

Inicialmente, em 1987, o programa  abrangia apenas 11 países. Todavia, cobertura geográfica foi alargada para 33 países: 28 estados membros da UE e 5 estados associados (Turquia, Antiga República Jugoslava da Macedónia, Noruega, Islândia e Liechtenstein).

Os 5 países favoritos pelos estudantes universitários para fazer Erasmus são: Espanha, Alemanha, Reino Unido, França e Itália. Portugal ocupa o sétimo lugar da tabela dos mais escolhidos, tendo recebido 11 459 estudantes de ensino superior.

Relativamente ao Reino Unido, cerca de 200 mil estudantes britânicos já beneficiaram do programa Erasmus, contudo, estima-se que depois do Brexit o país possa vir a ser excluído do projeto, tal como avança o jornal britânico The Guardian.

Por último, importa também referir que, segundo dados da CE, 96% dos participantes ficaram satisfeitos com o programa, 94% dos estudantes afirmaram que melhoraram as suas aptidões profissionais e 80% reforçaram as suas perspetivas de carreira.

Outro dado notório consiste no facto de um em cada três estudantes que fazem estágios no estrangeiro, através do programa Erasmus, receber imediatamente uma proposta de trabalho pela sua empresa de acolhimento.

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Países mais visitados | Foto: Comissão Europeia

“O mundo é a minha faculdade”

“Inicialmente, vim para o Porto com intuito de modelar o meu futuro, ampliar o meu conhecimento e em busca da experiência que os empregadores tanto procuram. Porém, já não penso em abandonar esta cidade! A minha vida é aqui, fiz novas amizades e encontrei no Porto o meu príncipe encantado”, confessou ao JUP Pauline Abruzzo, estudante de Nice.

De facto, dados do Erasmus Impact Study constatam que um em cada quatro estudantes de Erasmus encontra “a sua cara metade” enquanto estuda no estrangeiro e ao abrigo deste programa.

A UE estima que tenham nascido já mais de um milhão de “bebés Erasmus”, ou seja, bebés nascidos de casais que se encontraram no âmbito deste programa de mobilidade.

Geração Erasmus. A mobilizar estudantes desde 1987 | Foto: UPorto

O Erasmus também se faz dos negócios

O programa Erasmus “não serve apenas para conhecer novas caras e novos lugares”, afirmou ao JUP Tiago Moura Pinto, antigo estudante de engenharia que esteve a estudar no Brasil. “Além das experiências de vida empíricas, é uma grande oportunidade para estabelecer pontes e desenvolver os contactos profissionais tão indispensáveis no mercado de trabalho”.

Face a isto, a CE implementou já uma outra vertente ao programa chamada “Erasmus para Jovens Empreendedores”.

Este programa permite aos estudantes europeus que pretendam criar o seu próprio negócio adquirir as competências específicas necessárias para gerir uma pequena empresa com sucesso.

Isto faz-se a partir da troca de experiências com um empreendedor experiente, com quem ficam e colaboram por períodos que de um a seis meses. A estadia é financiada pela CE.

A mobilidade dos estudantes no ensino superior constitui uma mais valia do nosso sistema educacional. Como tal, a CE espera que sejam cada vez os alunos universitários a abraçar e ingressar nestes projetos.

Foto: Pedro Rocha / Global Imagens
Estudante de Erasmus a estagiar em ateliê português | Foto: DN/Pedro Rocha/Global Imagens