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Andebol: Sporting CP bate FC Porto e conquista a Taça de Portugal, oito anos depois

Num duelo equilibrado, o Sporting CP levou a melhor sobre o FC Porto, após dois prolongamentos, e conquistou a 16ª Taça de Portugal. Em pleno Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos, a equipa leonina venceu por 36-35. Por Pedro Silva.

O Futebol Clube do Porto (FC Porto) e o Sporting Clube de Portugal (Sporting CP) defrontaram-se na final da Taça de Portugal, em Matosinhos, após eliminarem a equipa do Madeira SAD e SL Benfica, respetivamente. Após duas horas e meia de jogo, os “leões” bateram os campeões nacionais e conquistaram a prova rainha, oito anos depois da última conquista.

Ritmo de jogo grande

Nas bancadas, muito antes do apito inicial, os adeptos já faziam a festa. Com a entrada dos jogadores em campo, o pavilhão explodiu de emoção. A primeira parte começou num ritmo bastante faltoso, ninguém dava um lance como perdido. O equilíbrio persistiu nos primeiros minutos, até a exclusão de Victor Iturriza. Com a equipa portista em inferioridade, os “verdes e brancos” rapidamente assumiram a vantagem no marcador, com duas iniciativas individuais de Jens Schöngarthe Jonas Tidemand. 

A agressividade nos duelos foi uma constante em todo o jogo. Apesar dos “leões” se encontrarem na frente do marcador, foi a formação portista que tomou conta do ritmo do jogo. Devido à exclusão de um jogador leonino, à passagem do quinto minuto, os “dragões” diminuíram a desvantagem através de um livre de sete metros, convertido pelo suspeito do costume. Pedro Cruz não tremeu, na hora da verdade, e liderou a equipa “azul e branca” na procura pelo empate. Daymaro Salina e Rui Silva também puxaram pelos galões e colocaram o FC Porto, pela primeira vez, em vantagem no encontro. 

Se de um lado havia Rui Silva a orquestrar a ofensiva portista, do outro lado tínhamos Francisco Costa. O imponente jogador leonino já levava quatro golos, na conta pessoal, ainda nos minutos iniciais da partida. Contudo, mesmo com todos os esforços do jovem internacional português, a formação “azul e branca” dilatou a vantagem para três golos e obrigou Ricardo Costa, atual treinador do Sporting CP, a pedir um desconto de tempo. 

A verdade é que, mesmo após a suspensão, os azuis e brancos continuaram no comando da partida. O FC Porto apostava numa defesa à zona e num ataque organizacional, enquanto o Sporting CP tentava a sua sorte através de jogadas individuais. Na reta final da primeira parte, a desvantagem leonina estava fixada nos cinco golos mas, devido a sucessivos erros na ofensiva portista, Francisco Costa reduziu o diferencial para dois golos. 15-13 foi o resultado, na ida para o balneário.  

Jogo de nervos

A segunda parte retomou na mesma intensidade da primeira. Francisco Costa diminuiu a desvantagem leonina para o diferencial de apenas um golo, logo nos primeiros segundos de jogo. Mas, ainda em vantagem, a equipa “azul e branca” tentou colocar gelo na partida, aproveitando as posses de bola ofensiva, para diminuir o ritmo frenético do adversário. Esta estratégia acabou por resultar, a parceria entre Rui Silva e Diogo Branquinho voltou a definir uma vantagem de três golos no marcador.

A diferença mínima rapidamente foi reposta. Francisco Costa era o farol que a equipa dos “leões” precisava na frente de ataque e, na baliza, Manuel Gaspar brilhava com defesas de grande qualidade. De facto, esta foi a receita que permitiu o Sporting CP continuar na luta pelo resultado. O equilíbrio de forças manteve-se até aos cinco minutos finais da partida, que se esperavam de grande disputa e intensidade.

A falta de lucidez ofensiva, fez com que Magnus Andersson, técnico portista, apostasse num sete contra seis durante o processo ofensivo, para manter a vantagem no resultado. Mas sucessivos erros no ataque e desconcentrações defensivas, permitiram o empate dos “leões”. A faltar apenas dois minutos para o apito final, uma jogada protagonizada pelos irmãos Costa, por Francisco e Martim, colocou os “verdes e brancos” em vantagem no encontro. Contudo, Diogo Branquinho continuava em alta. A apenas quarenta segundos do fim do encontro, o ponta esquerdo finalizou uma grande jogada coletiva e estabelece o empate. Mesmo assim, ainda havia tempo para mais, mas o gigante Frandsen segurou um potente remate de Francisco Costa, e levou o jogo para prolongamento. 26-26 foi o resultado do tempo regular. 

 O prolongamento iniciou na mesma toada do tempo regular. A formação portista entrou melhor e até dilatou o marcador para dois golos de diferença. No entanto, mais uma vez, Francisco Costa tratou de repor justiça no marcador, levando já treze golos na conta pessoal. O ritmo manteve-se nos primeiros cinco minutos do tempo extra. 28-27 era o resultado. A segunda parte ditou a saída temporária do melhor marcador do encontro, “Kiko” Costa, devido a problemas físicos. O empate do tempo regular voltar-se-ia a repetir, levando o jogo para novo prolongamento. O resulta do primeiro prolongamento fixou-se em 30-30.

O segundo prolongamento abriu com dois golos consecutivos do Sporting CP, duro golpe para as aspirações portistas que não se conseguiram igualar no marcador, mesmo com mais uma exclusão no encontro, desta vez para o lado leonino. O diferencial de ainda foi reduzido para a margem mínima, mas a equipa “azul e branca” acabaria mesmo por vencer o encontro. 36-35 foi o resultado final.

Num jogo bastante equilibrado, sobressai apenas um nome. Francisco Costa foi a principal figura do encontro ao apontar 13 golos. Na formação dos “dragões”, Rui Silva e Pedro Cruz, com 5 golos cada, foram destaque pelo que jogaram e fizeram jogar. 

No rescaldo final, Ricardo Costa, técnico leonino, deixou rasgados elogios à sua equipa, que “foram além das suas forças” e, após deixar elogios ao adversário, relembrou que se não tivessem ganho nenhum título, esta época fantástica seria lembrada como “só mais uma época”.  Já Magnus Andersson, técnico portista, referiu que o FC Porto seria um justo vencedor e, algo emocionado, afirmou ainda que “tivemos muitas chances.”.

Com este triunfo, o Sporting CP ergueu a sua 16ª Taça de Portugal, título que lhes fugia desde 2014. Já o FC Porto, atual campeão nacional, não conseguiu fazer a tripla dobradinha consecutiva. 

Artigo da autoria de Pedro Silva