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Basquetebol: Reviravolta coloca Imortal na final da Taça de Portugal

A formação algarvia defrontou e venceu, este sábado, as “águias” em jogo da meia-final da final four da Taça de Portugal. 88-92 foi o resultado final. Por Tiago Sousa

O Sport Lisboa e Benfica (SL Benfica) e o Imortal Basket Club(Imortal) defrontaram-se, este sábado, em jogo a contar para a meia-final da final four da Taça de Portugal, a decorrer durante este fim-de-semana no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos. Os “encarnados” viam na conquista da Taça de Portugal a compensação possível de uma época marcada pela irregularidade, enquanto os algarvios, pela segunda vez nesta fase da prova, procuravam a estreia na final da competição.

 Chuva de triplos e equilíbrio

Antes do arranque da partida, os holofotes viraram-se para Betinho, extremo benfiquista e ex-internacional português que foi distinguido pela Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) como o melhor jogador da década. 

O jogo começou com mostras de muita confiança por parte de ambas as equipas, num estilo de jogo bastante ofensivo. A esta tendência atacante aliou-se, durante o primeiro  período, a aposta, das duas formações, no lançamento da linha de três pontos: no final dos primeiros dez minutos, contabilizaram-se 16 lançamentos triplos tentados, dos quais, sete se concretizaram. Apesar do equilíbrio, a força dos contra-ataques e a qualidade na penetração da área adversária permitiram que o SL Benfica ganhasse algum ascendente, alargasse a vantagem e terminasse na frente no final do primeiro quarto. 30-21 era o resultado apontado no marcador.

Ty Toney, base do Imortal, abriu o segundo período com um triplo que indiciava a vontade da formação de Albufeira em lutar pelo resultado. Os algarvios mostraram-se mais confiantes, organizados e físicos, mas os “encarnados” continuaram a fazer valer a qualidade individual dos seus atletas para chegarem ao intervalo em vantagem. O destaque principal foi Quincy Miller, que chegou ao intervalo com um registo assinalável de 15 pontos. 51-47 era o resultado no final da primeira parte do encontro.

À semelhança do que aconteceu no segundo anterior, o Imortal recomeçou o jogo com um triplo, mas os “encarnados” não cederam e responderam com uma boa sequência que dilatou a vantagem para 11 pontos, a maior diferença registada durante toda a partida. Luís Modesto, técnico da formação algarvia, pediu desconto de tempo e os efeitos da paragem rapidamente se fizeram sentir. O Imortal marcou 13 pontos, sofreu apenas seis e reduziu a desvantagem para quatro pontos. A equipa de Albufeira terminou o período a dois ataques de se colocar na frente do marcador e prometeu, assim, emoção até ao final do jogo.

Reviravolta e emoção até ao final

O Imortal prometeu emoção e cumpriu. O SL Benfica desorientou-se ofensiva e defensivamente e os algarvios foram atrás da vitória. Liderados por uma exibição inspirada do extremo norte-americano Tanner Omlid, que somou 19 pontos, sete ressaltos e seis assistências, a equipa do Algarve conseguiu chegar à vitória e chegou a estar com seis pontos de vantagem sobre o adversário. A formação de Lisboa ainda tentou reencontrar-se na partida, reduziu a desvantagem para um ponto, mas os esforços foram insuficientes. O Imortal não desarmou, manteve-se coeso defensivamente, eficaz nos momentos de ataque e carimbou o acesso à final da Taça de Portugal. 88-92 foi o resultado final.

Do ponto de vista individual, destaque, do lado das “águias”, para o extremo norte-americano Quincy Miller que, com 21 pontos, foi o melhor marcador do encontro e para o extremo português Betinho que terminou a partida com 19 pontos e cinco ressaltos. Do lado dos algarvios, destacaram-se Tanner Omlid, extremo dos Estados Unidos da América que registou 19 pontos, sete ressaltos e seis assistências, e o húngaro Derrick Fenner, que terminou a partida com 19 pontos e cinco ressaltos. Nota também para as lesões de Jalen Jenkins e Tyere Marshall durante o confronto que desfalcaram a equipa do Imortal.

No final da partida, Luís Modesto, treinador do Imortal, destacou a qualidade dos jogadores da sua equipa e o seu “espírito guerreiro” como principais motivos da vitória. Em análise ao encontro, o técnico considerou que este foi “quase o jogo perfeito”, e relembrou que a equipa teve “maus momentos”, mas que soube “reagir rápido de modo a encurtá-los”. Concluiu as suas declarações com a lembrança de que “esta era a melhor classificação de sempre” da formação algarvia na prova e de que “em 34 anos consecutivos no Imortal, este é o momento mais feliz da minha carreira no clube”.

Carlos Lisboa, técnico benfiquista, explicou a reviravolta e a derrota com as falhas defensivas e ofensivas: “Deixamos de defender, deixamos de atacar, é inexplicável.” Na opinião do técnico, “as lesões de dois estrangeiros da equipa adversária levaram, ainda que inconscientemente, a equipa a acreditar que o jogo estava ganho”. Sobre o impacto da derrota no que falta jogar no campeonato, o técnico relembrou “que as derrotas nunca são boas para ninguém”, que “prefere jogar sob vitórias” e, mais uma vez, lamentou o que sucedeu durante o jogo e salientou que a equipa tinha “ todas as condições para disputar a final e não soube aproveitar”.

Para o SL Benfica, que terminou, este sábado, a participação na Taça de Portugal, segue-se o jogo contra Maia Basket Clube, 14º e último classificado do campeonato, na última jornada da fase regular do campeonato. O Imortal enfrenta, este domingo, o Sporting Clube de Portugal (Sporting CP), que saiu vitorioso frente ao FC Porto na outra meia-final da Taça de Portugal.

Artigo da autoria de Tiago Sousa.