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HÓQUEI: FC PORTO VENCE OS ESPANHÓIS DO CE NOIA E ASSUME LIDERANÇA DO GRUPO

Os “dragões” receberam, este sábado, a equipa da Catalunha em partida a contar para a quarta jornada da fase de grupos da Liga Europeia. 4-2 foi o resultado final.

Pouco mais de um mês depois do primeiro embate entre as duas formações para a fase de grupos da Liga Europeia de Hóquei em Patins, que ditou uma vitória da equipa espanhola por 6-4, Futebol Clube do Porto e o Club Esportiu Noia voltaram a enfrentar-se este sábado, num jogo alusivo à quarta jornada da fase de grupos da principal competição de clubes da Europa. A equipa da casa vinha de uma vitória para a Taça de Portugal que lhe deu o apuramento para os 16 avos de final, enquanto os catalães deslocavam-se até ao Porto depois de um empate para o campeonato, onde figuram atualmente na quarta posição.

Duelo de guarda-redes

Como seria de esperar de uma partida entre os dois principais candidatos à passagem do grupo, os primeiros minutos foram de equilíbrio, embora com mais posse de bola para os espanhóis que atiraram ao ferro da baliza de Mali ainda no primeiro minuto de jogo. No entanto, seria o FC Porto a inaugurar o marcador, quando estavam jogados quatro minutos, com Cocco a aproveitar a recarga após defesa de Zapater, guarda-redes do Noia.

O encontro manteve-se dividido após o golo da equipa da casa, numa fase em que o guardião “azul e branco” se começava a evidenciar. Aos dez minutos, Rafa viu o cartão azul, numa decisão que suscitou muitos protestos junto da equipa de arbitragem por parte da formação portuguesa, mas Sergi Aragonés não conseguiu ultrapassar Mali na conversão do livre. Graças à superioridade numérica, o Noia ameaçou por diversas vezes a baliza dos “dragões” nos momentos seguintes, com o guarda-redes portista a manter-se intransponível.

Os papeis inverterem-se nos minutos seguintes, depois de Sergi Llorca, atleta do Noia, ter visto também um cartão azul e deixado a equipa em inferioridade numérica. Gonçalo Alves não conseguiu bater o guarda-redes adversário que, tal como Mali, assumiu papel de destaque durante este período de jogo. Na verdade, Mali e Zapater foram os maiores protagonistas do primeiro tempo e a principal razão para o resultado magro que se verificava.

Ainda assim, com menos de sete minutos para o intervalo e imediatamente após um desconto de tempo pedido por Pere Varias, treinador do Noia, Poka colocaria o FC Porto a vencer por 2-0 através de um poderoso remate. O resultado manteve-se inalterado até ao intervalo, com os últimos minutos da primeira parte a decorrerem sem grandes incidências.

Final emocionante

À semelhança da primeira parte, o início da segunda metade trouxe um jogo repartido, com mais posse para o Noia e o FC Porto a apostar nas transições. Apesar de uma maior objetividade portista nos seus ataques, as oportunidades eram escassas para as duas formações. A primeira ameaça real surgiu à passagem dos dez minutos quando a formação da Catalunha voltou a acertar no ferro da baliza de Mali.

A emoção ficaria assim reservada para os últimos dez minutos da partida. Numa altura em que o jogo aparentava alguma tranquilidade, Pol Manrubia seria o responsável por colocar o Noia no marcador, após um remate feliz que desviou num jogador da casa e traiu o guarda-redes portista. Seguiram-se momentos de aperto para a baliza “azul e branca”. Sergi Miras viu o cartão azul, mas o guardião espanhol do FC Porto voltaria a vencer o duelo direto com o adversário.

No entanto, logo de seguida, Aragonés levaria a melhor sobre Mali num livre a castigar a décima falta da formação da casa. 2-2 era o resultado quando faltavam seis minutos para o fim. Após o empate, os “dragões” tornaram-se mais dominadores e voltaram à liderança do marcador por intermédio de Rafa, que aproveitou uma recuperação de bola e lançamento rápido do contra-ataque por Gonçalo Alves para bater Zapater com um desvio subtil. Cocco viria depois a dispor de um livre direto para ampliar a vantagem e colocar um ponto final na partida, mas tal não aconteceu.

Sem nada a perder, o Noia apostou na estratégia de cinco para quatro no último minuto do encontro. A organização defensiva dos portistas manteve o perigo longe da sua baliza, mas a situação complicou-se quando Reinaldo Garcia viu um cartão azul, após discussão com o árbitro da partida, o que deixou a formação portuguesa em inferioridade numérica para os 30 segundos finais. A maturidade e experiência do FC Porto acabaram por se fazer sentir, com a equipa treinada por Guillem Cabestany a conseguir manter a posse de bola e arrancar várias faltas à formação adversária.

Com os nervos à flor da pele, Gonçalo Alves acabaria por conquistar uma grande penalidade nos últimos segundos do encontro, num lance que resultou na exclusão do guarda-redes do Noia e muita confusão no rinque. O goleador de serviço do FC Porto não desperdiçou a oportunidade e fechou o resultado em 4-2 para a equipa da casa.

Em declarações ao JUP após o final da partida, Pere Varias considerou que a sua equipa fez um boa exibição num encontro complicado e salientou a forma como o Noia se manteve dentro do jogo durante todo o confronto. O técnico espanhol destacou também a falta de eficácia da sua formação durante os primeiros minutos, muito por culpa do guarda-redes portista. Varias referiu igualmente que a menor frescura física nos minutos finais acabou por ser decisiva.

“Orgulhoso” da prestação da equipa num “dos principais palcos da modalidade”, o treinador do Noia não teve problemas em assumir que o FC Porto será “provavelmente campeão do grupo”. Relativamente às suas expectativas para o que resta da competição, Pere Varias espera conseguir repetir os quartos de final, o que seria um êxito para um “clube modesto”, embora tenha o sonho de chegar à final four.

Por sua vez, Guillem Cabestany mostrou-se satisfeito com “uma muito boa vitória” num jogo “muito difícil”. Apesar de considerar que a equipa podia ter sido mais eficaz, o treinador dos “dragões” afirmou que as dificuldades encontradas foram provocadas por mérito do adversário e não demérito da sua formação.

Questionado sobre o que mudou em relação à partida da primeira volta, o técnico portista disse que não houve grandes alterações e que, porventura, o FC Porto até terá feito uma melhor partida no jogo em Espanha, encontro que pensa ter sido ingrato para a sua formação. “Hoje, a diferença talvez tenha sido jogarmos em casa”, rematou Cabestany.

Com este resultado, o FC Porto assume a liderança isolada do grupo com nove pontos e ultrapassa o Noia que mantém os sete pontos com que chegou a esta jornada. Nas outras partidas dos representantes portugueses na Liga Europeia, a Oliveirense e o Sporting CP perderam com o Forte Del Marmi e Reus, respetivamente, enquanto o Benfica empatou na visita a Barcelona.

A equipa de hóquei em patins do FC Porto volta a ação na quinta-feira, 23 de janeiro, com uma difícil deslocação ao terreno da Oliveirense para o Campeonato Nacional.