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HÓQUEI: FC PORTO VENCE SL BENFICA E MANTÉM-SE NA LIDERANÇA

Os portistas bateram os rivais de Lisboa por 5-3 esta quarta-feira, em partida a contar para a 17ª jornada do Campeonato Nacional. Com este resultado, o FC Porto mantém a liderança isolada e aumenta para 12 pontos a distância para o SL Benfica, por Pedro Marques dos Santos.

Foi num Dragão Caixa bastante perto da lotação esgotada que a equipa de hóquei do Futebol Clube do Porto recebeu os eternos rivais do Sport Lisboa e Benfica, em jogo alusivo à 17ª jornada do Campeonato Nacional. Em momentos claramente distintos da temporada, a formação da casa apresentava-se na liderança do campeonato e numa sequência de nove vitórias consecutivas, enquanto os visitantes não tinham vencido qualquer um dos três desafios anteriores na competição.

Fruto dessa sucessão de resultados negativos, o Benfica chegava ao terreno dos “dragões” já com um atraso de oito pontos na tabela classificativa e obrigado a vencer para se manter na luta pelo título. Naquela que terá sido a exibição mais conseguida dos forasteiros desde a entrada de Alejandro Dominguez para o comando da equipa técnica, o arranque da partida ficou marcado por vários remates de parte a parte, com as “águias” a não se mostrarem afetadas pela crise de resultados.

Ainda assim, era o Porto que gozava das melhores oportunidades ao mostrar-se eficiente nas transições rápidas para o ataque, fator que se mostrou decisivo ao longo da partida. Ultrapassados os primeiros cinco minutos do encontro, o domínio portista acentuou-se, com a equipa da casa a ter mais tempo a bola em sua posse e a criar mais jogadas de perigo que o adversário. Foi na sequência desse maior domínio que Telmo Pinto inaugurou o marcador e colocou a equipa de Guillem Cabestany na frente à passagem dos dez minutos de jogo.

Abertas as hostilidades, o Benfica partiu em busca do empate, mas apesar da sua maior posse de bola era o Porto que se mantinha mais perigoso ao obrigar o guarda-redes Pedro Henriques a trabalhos forçados para suster os contra-ataques da equipa da casa numa fase da partida em que acumulou várias defesas importantes que mantiveram o resultado em 1-0. Se as transições rápidas para o ataque foram decisivas para os “dragões”, a ineficácia nos lances de bola parada provocava alguns dissabores aos adeptos “azuis e brancos”.

O desperdício começou com uma grande penalidade falhada por Gonçalo Alves quando faltavam nove minutos para o intervalo. Pouco depois, os visitantes chegariam mesmo ao empate após uma perda de bola de Poka em terreno proibido que foi prontamente aproveitada pelo argentino Nicolía. O empate trouxe um maior equilíbrio à partida, com o FC Porto a dispor de nova bola parada para voltar a marcar. Desta vez seria Cocco a desperdiçar a cobrança de um livre direto a castigar a décima falta dos “encarnados”.

Logo de seguida, os papeis inverteram-se e foi o Benfica a dispor de um livre direto após a décima falta dos portistas. Mais eficazes que a equipa da casa nas bolas paradas, a equipa de Alejandro Dominguez colocou-se na frente com Lucas Ordoñez a fazer o 1-2. A doze segundos do fim do primeiro tempo, mais uma bola parada para o Porto, desta vez resultante de uma troca de sticks ilegal que originou um cartão azul para o treinador dos visitantes. Nesta ocasião, foi o capitão Hélder Nunes a assumir a marcação, mas o desfecho voltou a não ser favorável à formação da casa.

Já na segunda parte, a equipa orientada por Cabestany entrou a todo o gás e chegou ao empate com um forte remate ao ângulo de Rafa com apenas dois minutos decorridos. Logo de seguida, Gonçalo Alves teve mais uma oportunidade para converter um castigo máximo, mas o remate esbarrou no poste e elevava as bolas paradas desperdiçadas do Porto para quatro. E não foi preciso esperar muito para que outra oportunidade clara de golo voltasse a surgir. Cartão azul para Nicolía e livre direto para Rafa. Pedro Henriques, guarda-redes do Benfica, voltou a levar a melhor.

Apesar da pouca eficácia nas bolas paradas, o domínio acabaria por dar frutos quando um remate feliz de Hélder Nunes sofreu um desvio em Casanovas e traiu Pedro Henriques, voltando a colocar o Porto na frente do marcador por 3-2. Seguiu-se depois um período mais equilibrado da partida com os “dragões” a terem mais posse, mas com várias perdas de bola a colocarem os adversários em posições privilegiadas para marcar. No entanto, graças a mais uma grande penalidade para a equipa da casa, o capitão Hélder Nunes bisou na partida e ampliou a vantagem dos portistas, que finalmente aproveitavam uma bola parada, para 4-2.

A precisar de um resultado claramente diferente daquele que se verificava, os últimos dez minutos da partida viram um Benfica a rondar de forma constante a baliza do Porto. Se na primeira parte tinha sido Pedro Henriques a contribuir para a vantagem dos visitantes ao intervalo, no segundo tempo foi Filipe Magalhães a brilhar com várias defesas preponderantes a impedir o golo dos “encarnados”.  Sempre perigosos no contra-ataque, foi dessa forma que os “dragões” chegaram ao 5-2 num golo apontado por Reinaldo Garcia.

Pouco depois, o jovem Hugo Santos teve oportunidade para converter mais um penalti a favor da formação da casa, mas sem sucesso. Ao não conseguir ampliar o resultado, o Porto viu-se obrigado a sofrer nos últimos minutos já que Adroher viria a reduzir para 5-3 na cobrança de um livre direto a três minutos do fim. Os últimos minutos foram assim frenéticos, com um desentendimento entre Rafa e Nicolía a resultar num cartão azul para ambos e Filipe Magalhães a realizar mostrar-se intransponível nesta fase.

A precisamente um minuto do final, Gonçalo Alves viu um cartão azul e “ofereceu” novo livre direto para o Benfica que Ordoñez não conseguiria converter. Apesar do esforço final do Benfica para aproveitar a vantagem numérica dentro do rinque, o marcador não sofreu alterações até ao final.

Em declarações após a partida, Cabestany considerou que este foi um encontro que exigiu muito tática e fisicamente da sua equipa devido à pressão alta do Benfica ao longo da partida. O técnico portista salientou também a importância do ambiente do Dragão Caixa para ajudar a equipa nos momentos mais difíceis da partida e realçou a vontade de não deixar escapar pontos em casa ao longo do campeonato. Por sua vez, Dominguez mostrou-se contente com o desempenho da equipa, tanto a nível defensivo como ofensivo, e reconheceu que mesmo antes desta partida, “o título nacional já estava muito distante”.

Com este desfecho, o FC Porto mantém a liderança isolada do campeonato, com um ponto de vantagem em relação à Oliveirense, enquanto o SL Benfica permanece na quarta posição, já a 12 pontos do topo da tabela, e tem apenas um ponto de vantagem em relação ao Óquei de Barcelos que surge no quinto lugar. Na próxima jornada, os campeões nacionais deslocam-se ao terreno do Sporting Clube de Tomar, enquanto os “encarnados” recebem o HC Braga.

Artigo de Pedro Marques dos Santos