Desporto

DO CAMPEÃO AO FUTURO

Dentro do possível, a normalidade voltou ao futsal português! Depois da inesperada mas igualmente meritória vitória da AD Fundão na Taça de Portugal, faltava decidir quem conseguiria levar a melhor na mais importante prova do calendário futsalístico português – o Campeonato Nacional ou Liga SportZone. Neste mesmo espaço, uns dias antes do arranque dos playoffs, projetei as mais que prováveis vitórias de Sporting, Benfica e SC Braga/AAUM e o equilíbrio entre os Leões de Porto Salvo e a AD Fundão nos jogos dos quartos-de-final. Sem grandes sobressaltos, foram, de facto, as equipas mais fortes a atingir as meias-finais, com destaque para a equipa da Beira-Baixa – distinção creditada e reforçada pelas performances seguintes.

Quando o mais expectável era o reeditar da clássica final, entre Benfica e Sporting, a verdade é a surpresa voltou a imperar … Nas meias-finais, se o Sporting conseguiu ultrapassar um duro obstáculo chamado SC Braga/AAUM – duas vitórias a zero mas sempre por números tangenciais –, o Benfica voltou a claudicar frente à equipa da AD Fundão, perdendo os dois jogos e nunca conseguindo demonstrar maior qualidade de jogo ou capacidade coletiva. Nisso, de facto, o conjunto montado por Joel Rocha foi dando lições atrás de lições ao longo desta época.

A AD Fundão atingiu, de facto, um patamar de excelência, nível que, ainda assim, foi insuficiente para derrotar o Sporting nos jogos mais importantes da sua história. Numa final à melhor de cinco, os ‘leões’ superiorizaram-se nos dois primeiros jogos (3-0 e 4-2), perderam o terceiro nos penalties (4-1, depois de um 2-2 no tempo regulamentar) e foi ao quarto jogo que revalidaram o título, ao vencer em casa do conjunto de Joel Rocha por 4-3 (após prolongamento).

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Defender a justiça e justeza de um vencedor é sempre um exercício redundante mas uma equipa que, tudo somado, em trinta e quatro jogos apenas perdeu por três ocasiões, terá de ser considerado um campeão inatacável. Algo ainda mais vincado se olharmos para o plantel e virmos jogadores com a categoria de Divanei, Deo ou Alex, todos eles fundamentais para este desfecho, e sustentados por um conjunto que é equilibrado, com segundas linhas competentes e que teve um padrão de qualidade de jogo acima de qualquer adversário.

Com a época fechada para balanço, os ajustes tendo em vista a próxima temporada começam a fazer-se sentir um pouco por toda a parte – entre outras mudanças, o treinador Joel Rocha (ex-AD Fundão) ruma até à sua vítima predileta esta temporada, o Benfica; o Sporting já contratou quatro jogadores (Cássio, Fábio Aguiar, Diogo de Lana e Fábio Lima) e liberou Divanei; e, por sua vez, o Boavista prepara uma revolução no plantel, tendo já sido confirmadas oito caras novas.

Olhando o futuro …

Uma das novidades em relação à próxima época desportiva prende-se com a alteração dos quadros competitivos.

Com efeito, a FPF projectou e planeou uma reorganização dos campeonatos que terá como efeito o final da 3ª Divisão Nacional e a despromoção das equipas que, no decorrer desta época, tenham competido nessa divisão e não tenham conseguido a promoção à 2ª Divisão Nacional, aos campeonatos distritais, num total de 43 clubes. Assim sendo, os campeonatos distritais verão uma corrente de equipas chegar às suas competições, o que, no caso do distrito do Porto, levou já à criação de uma Divisão de Elite que, sendo uma competição distrital, situar-se-á entre a 2ª Divisão Nacional e a Divisão de Honra. Com a eliminação de um campeonato nacional – como é o caso da 3ª Divisão Nacional – e a arrumação dos clubes a nível distrital, visa-se, sobretudo, a contenção de custos, designadamente ao nível das deslocações, algo que muito pesa no orçamento de pequenos clubes.

Por sua vez, outra das inovações previstas é a criação de um Campeonato Nacional de Sub-20 (Juniores), bem como o alargamento do referido escalão de duas para três épocas desportivas. A este propósito, ambas as medidas me parecem lógicas e com sentido, ainda que com uma ressalva. Relativamente à nova competição nacional, mesmo que esta seja projetada em duas séries, é inevitável que aconteçam algumas deslocações consideráveis, pelo que o mesmo problema que se aplicava às equipas seniores de alguns clubes vai agora transportar-se para as equipas juniores; por outro lado, uma competição deste calibre elevará os patamares competitivos dos jovens jogadores e prepará-los-á de outra forma para a realidade que é a competição ao nível sénior. Aliás, neste sentido, a ideia de alargar o escalão para as três épocas desportivas tem toda a razão de ser, enquanto se revele uma etapa mais alargada de maturação, permitindo uma transição mais gradual e progressiva para as equipas principais – qualquer atleta com 20 anos, ao invés de ser obrigatoriamente integrado num plantel principal (muitas vezes sem possibilidade de jogar e evoluir), pode continuar a sua formação neste escalão, algo que, num futuro próximo, lhe poderá render importantes frutos.

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