Desporto

CDUP: ENTREVISTA COM BRUNO ALMEIDA

O Centro de Desporto da Universidade do Porto (CDUP) é o órgão responsável por promover e levar a prática desportiva aos estudantes universitários. Com autonomia administrativa e financeira, e guiado pelo mote “A maior universidade do país, a melhor escolha para fazer desporto”, o CDUP organiza dezenas de atividades para todos os gostos e tem ainda a responsabilidade de representar as cores da UP nas competições nacionais das diversas modalidades. Bruno Almeida, diretor do CDUP há mais de 10 anos, esteve à conversa com o JUP.

 

Por Pedro Mota
Por Pedro Mota

Atualmente o CDUP oferece atividades desportivas em duas vertentes: lazer e competição. Nas atividades de lazer participam regularmente cerca de 2300 utentes, maioritariamente estudantes. Nas provas de competição, representam a universidade, cerca de 400 estudantes-atletas. Nos últimos anos, apesar da conjuntura desfavorável, a participação nas atividades do CDUP tem aumentado. Os desportos mais procurados pelas estudantes portuenses são o Futebol e o Futsal, o Atletismo, a Natação e o Andebol. Entre as faculdades que mais participam destacam-se a FADEUP, a FEUP e a FEP.

JUP: Nos últimos campeonatos nacionais universitários (CNU’s), muitas associações de estudantes da Universidade do Porto participaram na competição, a par das equipas do CDUP. Não faria sentido a Universidade concorrer com uma única equipa? Existe algum tipo de conflito entre as AE’s e o CDUP?

BA: Não é um conflito. Claro que a lógica, do nosso ponto de vista, seria agregar tudo no CDUP. Mas o problema nasce dos regulamentos da FADU (Federação Académica de Deporto Universitário), que não nos permitem inscrever alunos de uma Faculdade quando a respetiva AE se inscreve na competição. Na nossa opinião, não devia ser assim: nós somos a favor de que as AE’s façam equipas, porque, quantas mais equipas, mais pessoas praticam desporto; no entanto, achamos que devia haver a possibilidade de, nas fases finais, agregar todos os atletas numa única equipa que representasse a Universidade. Até pelos resultados: se repararmos, sempre que fazemos uma equipa da Universidade, ou somos campeões nacionais ou ficamos perto.

Por vezes, chega-se a um momento em que o CDUP conclui que não vale a pena fazer equipa, pois quando chega às competições são muitas as AE’s a participar. E para além disso, cria-se uma situação desconfortável, em que, por vezes, já nos CNU’s, existem jogos entre UP e FADEUP ou UP e FEUP. Já para não falar dos casos em que alguns jogadores ficam fora da competição porque a sua AE não faz equipa e o CDUP não tem jogadores suficientes para participar.

Gostávamos que existisse uma solução, como por exemplo, fazer uma selecção dos melhores jogadores da UP para representarem a Universidade nos CNU’s. No entanto, esta solução seria apenas viável para as fazes finais concentradas, porque nas fases preliminares é importante que existam muitas equipas e que todos participem. O modelo atual não nos parece que seja o melhor e mesmo algumas AE’s partilham desta ideia. Nos últimos anos tem havido abertura da nossa parte e da parte deles, portanto, acredito que, brevemente, vamos encontrar um modelo que agrade a todos.

JUP: Mas uma selecção dos melhores jogadores não teria o efeito perverso de transformar a UP numa superpotência do Desporto Universitário?

BA: Se repararmos bem isso já acontece. Na maior parte das modalidades, o Norte, ou seja, a UP e a Universidade do Minho (UM), estão sempre presente nas finais e conseguem os melhores resultados. Não há dúvida de que o Norte é mais forte a nível competitivo do que Lisboa.

JUP: Na Universidade do Porto, é fácil gerir a dupla carreira de estudante-atleta?

BA: O estatuto de estudante-atleta é muito importante, e esperamos que exista uma diretriz governamental sobre o assunto, para que a situação seja uniforme em todo o país. Hoje, o que se passa em algumas Universidades é que os alunos entram com estatuto de atleta de alta competição mas chegam ao Ensino Superior e não têm benefício algum. No entanto, mesmo com o estatuto de estudante-atleta não há garantia de nada, porque, as coisas nem sempre funcionam por decreto. Por vezes, é difícil que os professores reconheçam os direitos aos alunos e temos de ser nós a mediar a situação. Mas também temos de reconhecer que há cursos em que é impossível a conciliação ou porque são muito práticos ou porque têm estágios, etc.

JUP: Ainda assim, sentem que há uma abertura e um maior respeito e consideração pelo Desporto Universitário do que havia há 10 anos atrás? 

BA: Sim, parece-me que sim. Pelo menos, pela abertura que tem havido e pelo facto de se ter criado, dentro da Universidade, este Centro de Desporto, isso significa que a Universidade está dar importância a esta área e a conferir-lhe autonomia. Isso é bom porque nos dá força e dá-nos também a oportunidade de estarmos juntos do poder de decisão.

JUP: Até que ponto essa evolução tem sido condicionada por toda esta conjuntura de austeridade?

BA: Nós tivemos cortes, como todos os outros logicamente. O nosso orçamento é muito apertado. Temos de fazer uma gestão equilibrada desta área do Desporto: temos que ter fundos próprios forçosamente, e esses provém dos alugueres das nossas instalações e da prática de lazer (de ginásio, etc.), que têm preços muito baixos, é certo, mas que, ainda assim, nos permitem cobrir o custo que a atividade tem. O que nós não podemos é desequilibrar isto, ou seja, nós, na parte de lazer, temos de ter ‘incomes’, tem de haver receitas, até porque na competição só temos défice, como é lógico. O nosso objetivo também não é sermos autossustentáveis, mas é importante que tenhamos receitas para nos ajudar a manter a vertente de competição.

JUP: O Estádio Universitário, há cerca de um ano, estava muito degradado. O que é que o CDUP pretende fazer com ele?

BA: Nós temos um projeto a dez anos de recuperação do Estádio, de construção e de reconstrução de instalações. Aquilo está completamente degradado devido a um diferendo institucional, que se arrastou por tempo demais. Este ano, já conseguimos melhorar muita coisa, com os nossos próprios meios. Mas há muita coisa por fazer, e aquilo está muito mau! A perspetiva é que em dez anos tenhamos o Estádio completamente recuperado. O orçamento para isso são 9,5M€, que é um valor exorbitante, mas pretendemos fazê-lo de forma faseada. E tem de ser assim já que a Universidade tem um orçamento limitado e também porque os fundos que provinham da União Europeia, ao nível de QREN, foram cortados em instalações desportivas. Portanto, temos de arranjar aqui parcerias para levar o projeto adiante. Para já, a nossa prioridade, no próximo ano e meio, é recuperar o campo, que estava uma desgraça, e os pavilhões. E para isso posso dizer que são precisos cerca de 1,5M€.

JUP: Com a reabilitação desse espaço, a ideia é sediar nesse complexo, por exemplo, os treinos da equipa de rugby da Universidade?

BA: Tudo! Nós queremos fazer do Estádio Universitário um centro desportivo de excelência, onde possam decorrer as nossas atividades regulares, mas que também possibilite o acolhimento de equipas federadas.

O que está projetado para aquele Estádio é construir dois campos de relva sintética – que, por serem transversais, dará mais um –, dotar a pista de atletismo de iluminação (criando três ou quatro corredores de atletismo), recuperar os pavilhões e os courts de ténis, e depois construir uma caixa de areia, que permita fazer desportos de praia, um circuito de manutenção com 9 obstáculos, 4 campos de paddle, 3 campos de Futebol (só mesmo para lazer), sala de musculação, sala de aeróbica e passar a sede deste Centro para lá. E depois, ainda há a possibilidade – e isto é uma coisa que não é a Universidade que vai fazer, vai lançar um concurso público para o efeito ainda este ano – da construção de um hotel de 4 estrelas com um mínimo de 120 camas e um restaurante dentro do complexo. Para que as equipas que queiram fazer estágios tenham instalações para ficar logo ali ao lado, e que nos permita, por exemplo, organizar um campeonato do mundo. É este o projeto a 10 anos!

Até porque o Estádio tem de ser um espaço aberto à cidade. O que nós queremos é que os atletas e os clubes treinem lá, porque, de facto, não conseguiremos gerir uma instalação daquelas só com atividade universitária, é impossível. Temos de devolver aquele espaço à cidade, as pessoas têm de perceber que podem ir até lá, andar lá a correr, exercitar-se, fazer circuitos de manutenção, até para tornar aquele espaço ativo e evitar que se torne perigoso. Este é o plano para o Estádio, mas é claro que os outros polos continuarão a ter atividades, e teremos ainda de recuperar as instalações da Boa-Hora que também se encontram em mau estado. No fundo, recuperar tudo o que for possível para continuar a dar a mesma possibilidade de prática desportiva a todos os Polos, esse é nosso o desígnio.

JUP: Por último, quer deixar um apelo aos estudantes que ainda não estão no CDUP?

BA: A mensagem que deixo é que a Universidade está a tentar criar condições para que toda a gente saia do sofá e venha praticar Desporto. Agora terá que haver um retorno, as portas estão abertas para que os estudantes venham às nossas instalações e experimentem o que a Universidade tem para lhes oferecer a preços bastantes baixos.

 

Save