Desporto

SURF SALVA: HORA PARA ENSINAR A SALVAR VIDAS

Surfistas e nadadores-salvadores aprenderam técnicas base para o socorro a náufragos na terceira edição especial do Surf Salva, este sábado, na praia de Matosinhos.

Da teoria à prática, a formação em salvamento e suporte básico de vida preencheu o areal da praia de Matosinhos, na manhã do último sábado. O Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), em parceria com a cadeia LIDL Portugal, propôs-se a partilhar a cultura de uma praia segura. Eram 10h30 e as primeiras instruções surgiram na voz das autoridades marítimas.

O “Surf Salva” integra cinco módulos distintos: evacuação de vítimas em moto 4×4, resgate com moto de água, aperfeiçoamento de técnicas de resgate com prancha na areia, aperfeiçoamento das manobras de suporte básico de vida e uma palestra da Liga Portuguesa contra o Cancro sobre o cancro da pele.

De olhos postos no mar, a tenda branca do lado direito é a da Liga Portuguesa contra o Cancro. Patrícia Pinto, Psicóloga do Departamento da Educação para a Saúde, ensina a prevenção do cancro da pele. Uma sequência didática de perguntas e respostas em estilo “Big Picture” aborda questões como a radiação nos solários – para a qual ainda não há ainda legislação -, as queimaduras solares ou a proteção dos nadadores-salvadores face aos raios ultravioleta. Entretanto, na audiência soltam-se umas expressões surpreendidas. A novidade é que as cores escuras protegem mais facilmente do sol.

“A palavra-chave do dia de hoje é segurança”. Ao JUP, Patrícia realça o papel dos nadadores-salvadores na promoção da segurança: “eles são modelos de comportamento para todas as pessoas que estão na praia e também podem alertar as pessoas e a comunidade em geral para terem determinados cuidados. Por isso, são um elemento chave na prevenção do cancro da pele.”

A abertura oficial da época balnear prolonga-se até ao início de junho. Patrícia Pinto afirma que, como o nível de radiação ultravioleta é maior ao longo do Verão, “estamos na altura ideal para falarmos destas questões. As pessoas estão mais descobertas, a pele está mais à mostra e, então, faz todo o sentido abordar esta questão nesta altura do ano.” A longo prazo, uma das medidas a adotar é “pensar em todas as atividades de risco e trabalhar com essas pessoas.”

E porque o antónimo de risco é segurança, a tenente Olga Marques do ISN afirmou ao JUP que “a cultura de praia segura foi uma das motivações que levou à organização do Surf Salva”. “O ISN começou por perceber que os surfistas faziam muitos salvamentos não só na época balnear, mas também fora desta. Achamos que era uma boa iniciativa dotá-los de algumas competências e capacidades para o fazerem em segurança.” Assume que “o grande objetivo destes eventos especiais é ligar as duas comunidades: os nadadores-salvadores e os surfistas, de forma a que eles consigam manter a mesma linguagem, se tiverem de atuar em conjunto. É uma mais-valia para a população em geral.”

Bem no centro do areal, o suporte básico de vida. “É mais fácil tirar o perigo da vítima do que a vítima do perigo” é o primeiro ensinamento que se ouve. A avaliação da consciência e inconsciência da vítima e consequente ação é demonstrada utilizando quatro bonecos insufláveis. Da teoria à prática, dos bonecos ao corpo humano a sério, é uma questão de tempo.

Mais a baixo, aprende-se a salvar na prancha. Ismael Duarte é um dos nadadores-salvadores portuenses que participa pela primeira vez no “Surf Salva”. O primeiro salvamento veio num dia em que estava fora de serviço. Socorreu um casal de ingleses e diz não esquecer a sensação de ter salvo alguém: “estou aqui por alguma razão.”

Vítor Cruz recorda a primeira prancha de esferovite e recua aos 12 anos para contar a história do primeiro salvamento. Certo é que se sente “feliz por ter estado lá na hora certa no momento certo.” Faz bodyboard e, numa das vezes em que estava no mar, salvou um senhor de 50 anos com a prancha. A época balnear ainda estava fechada e a praia de Leça da Palmeira estava sem vigilância: “foi tudo novidade e foi o instinto de ajudar alguém.” O estreante no “Surf Salva” afirma, em declarações ao JUP, que o evento é uma oportunidade para “os surfistas aprenderem uma forma mais eficaz de salvar vidas. Quem começa agora já tem mais informação”.

E é sobre preparação e informação que Ricardo Vieira, formador do ISN desde 2001, fala ao JUP. À beira mar, ensina como abordar e resgatar em segurança com prancha. Técnicas que são complementadas pelo suporte básico de vida.

O “Surf Salva” percorreu as praias da Rocha, a 22 abril, e de Carcavelos, a 29 abril.