Desporto

BENFICA CAMPEÃO, SPORTING REVELAÇÃO E PORTO DESILUSÃO

Francisco Perez
Francisco Perez

O Benfica confirmou o que já há muito tempo se previa: a conquista do seu 33º título de campeão nacional. Com a confirmação do novo detentor do troféu, proponho uma análise à época dos 3 grandes.

Os encarnados foram a equipa mais consistente da Liga Zon Sagres. Com um forte investimento nas suas contratações, em particular no mercado sérvio, de talentos como Markovic, Fejsa, Sulejmani ou Djuricic, foi o clube que mais opções apresentou durante a época, o que permitiu a Jorge Jesus fazer uma gestão eficiente do seu plantel não só nas competições internas, como também nas competições europeias, sem cometer o erro de reservar o Marquês antecipadamente. Nem a saída do melhor jogador do ano passado (Matic) abalou as águias que, com mérito, conquistaram o galardão.

Pela mão de Bruno de Carvalho e pelo dedo de Leonardo Jardim, o Sporting fez uma época muito interessante. Após terminar em sétimo lugar, os leões procederam a uma autêntica revolução no plantel, excluindo jogadores com salários elevados que não se revelavam, e apostando em jovens promissores da formação como William Carvalho, Carlos Mané, Wilson Eduardo, entre outros. Desta forma, confirmou o estatuto de melhor formador de jogadores em Portugal, e, para além disso, contratou jogadores “baratos” que se confirmaram apostas acertadas como Fredy Montero, Islam Slimani ou Jefferson.

Sem nunca assumir que era “candidato” ao título, o segundo lugar é merecido, e o seu regresso à Liga dos Campeões é excelente para o futebol português. No entanto, é importante realçar o facto do clube de Alvalade não ter participado nas competições europeias e, tendo sido eliminado prematuramente de ambas as taças, não esteve sujeito ao desgaste físico que acompanhou o Porto e o Benfica, dedicando-se exclusivamente ao campeonato (como o Liverpool em Inglaterra).

O Futebol Clube do Porto foi quem mais desiludiu. A época até começou bem para os dragões, conquistando frente ao Vitória de Guimarães a Supertaça Cândido de Oliveira por 3-0, o que fazia prever mais um ano de sucesso do clube e de Paulo Fonseca. Após o clássico no Dragão que opôs o Porto e o Sporting, os azuis e brancos chegaram a ter uma vantagem de 5 pontos sobre o segundo classificado, distância que se perdeu num Novembro absolutamente tenebroso, em que não ganhou um único jogo. A par disto, a campanha na Liga dos Campeões foi dececionante, sem nenhuma vitória em casa num grupo relativamente acessível. O terceiro lugar é uma prova da inconsistência da equipa ao longo do ano.

Ainda assim, os problemas não podem ser atribuídos exclusivamente ao treinador ou aos jogadores. O Porto vendeu jogadores-chave da equipa como João Moutinho ou James Rodriguez, que não foram devidamente substituídos, e não apresentou alternativas credíveis a Fernando, o único trinco, e na defesa a Danilo e Alex Sandro, os únicos laterais no plantel. Paulo Fonseca foi obrigado a trabalhar com o que tinha, mas a sua teimosia em apostar no 4x2x3x1 em vez do habitual 4x3x3 foi o seu erro, uma vez que o clube foi muito inconstante. Licá, Herrera, Quintero, Reyes, e até mesmo o minuto 92 Kelvin eram alguns dos jogadores de quem se esperava mais. Com o regresso de Ricardo Quaresma e a ascensão de Luís Castro à equipa principal, o Porto voltou à sua identidade, mas a equipa nunca se encontrou verdadeiramente, tendo de trabalhar (muito) mais para reencontrar o domínio que tem mostrado nos últimos 30 anos.

Assim, o campeonato acabou e de uma forma simples resume-se a isto: o Benfica é um justo campeão e o Sporting alcançou o seu principal objetivo, a entrada direta na Liga dos Campeões. O Porto, por demérito, permitiu que isto acontecesse.

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