Artigo de Opinião Desporto

A RESSURREIÇÃO DO TRICAMPEÃO

David Guimarães
David Guimarães

O jogo da 1ª mão das meias- finais da Taça de Portugal entre o Futebol Clube do Porto e o Sport Lisboa e Benfica terminou com a justíssima vitória dos “Dragões” por 1-0. Um desafio abordado com estados de espírito diametralmente opostos por ambos os contendores. O tricampeão nacional apostado em atenuar a má imagem que tem trespassado esta época pelas más prestações no campeonato onde a diferença pontual “fere de morte” as aspirações de novo título, está focalizado nas três competições que tem pela frente, Liga Europa, Taça de Portugal e Taça da Liga. Pinto da Costa afirmou que apenas a conquista de Campeonato Nacional e/ou uma prova europeia configura uma época bem-sucedida no clube. Mas, pelo facto de esta meia-final ser discutida com o eterno rival, redimensiona o “peso” da “prova Rainha” do Futebol Português para o clube, tomando-a crucial para as hostes azuis e brancas. Do outro lado, o Benfica, que centralizando atenções no campeonato e com a segunda mão a ser disputada no Estádio da Luz, aproveitou este embate para proceder a uma rotatividade no escalonamento do onze, procedimento bastante utilizado pelo clube nas provas a eliminar esta época.

O Porto que vinha denotando uma maior estabilidade emocional teve uma entrada muito personalizada, pressionando muito alto a saída de bola do adversário, não permitindo as temíveis transições rápidas benfiquistas. Destaco a aposta em Herrera de início que “caía” incessantemente junto de Rúben Amorim, cortando assim a ligação entre o setor defensivo e ofensivo da equipa encarnada. O Porto está melhor no seu processo atacante, criou inúmeras ocasiões de golo que só a inspiração do guarda-redes Artur evitou. Com Paulo Fonseca atacava apenas com 3 jogadores: o portador da bola, o ponta-de-lança e outro extremo em diagonais sem a aproximação dos médios. Actualmente, a utilização de Fernando sozinho como “trinco” no 4x3x3 permite a incorporação dos médios em locais mais adiantados do terreno junto de zonas de finalização, o que torna a equipa mais agressiva. A aposta continuada em Steven Defour desde a chegada do novo treinador permite à equipa um jogo apoiado, uma posse de bola com critério, marca indelével dos últimos anos que se esfumou no período do anterior técnico. Na antevisão o técnico portista afirmava que os seus jogadores não se podiam “deixar levar pela emoção do jogo”. Esta ideia “entranhou-se” na equipa que “agarrada” aos seus renovados princípios de construção apoiada, nunca caiu na tentação de sair em contra ataque, mesmo quando tinha espaço para o explorar. Apesar de ter jogado com o seu sistema habitual (4x4x2) procedeu a seis alterações relativamente ao jogo de campeonato com o Gil Vicente. Fazendo entrar Artur, Maxi Pereira, Rúben Amorin, Salvio, Sulejmani, e Cardozo, o treinador Jorge Jesus fez descansar seis dos seus habituais titulares reservados para o jogo com o Braga, considerado o “jogo do título”.

No segundo tempo, com as entradas de Markovic, Gaitán e Lima, o Benfica melhorou, fez recuar a equipa do Porto, posicionando a sua defesa sobre o risco de meio campo e exercendo uma pressão sobre os homens da casa nunca antes vista no “reinado” de Jesus à frente do Benfica. Luís Castro respondeu com Ghilas, Quintero e Carlos Eduardo. Ressalvo a entrada do colombiano para o lugar de Herrera quando este já não tinha capacidade física para roubar bolas como na primeira metade do jogo. Com esta substituição o Porto trocou a pressão pela definição, tentando tirar partido do adiantamento das linhas do Benfica que a nova coqueluche podia aproveitar.