Cultura

JOHN C. MATHER: UM UNIVERSO DE FELICIDADE

Ontem, dia 4, o Teatro Municipal Rivoli recebeu John C. Mather, prémio Nobel da Física, para a abertura do Fórum do Futuro 2015. O astrofísico falou-nos do universo, do qual sabemos tão pouco, e de felicidade, de que talvez saibamos menos.
Fotografias oficiais.

Numa noite de casa cheia, o Grande Auditório Manoel de Oliveira recebeu Jonh C. Mather, astrofísico sénior da agência especial norte-americana (NASA). Perto das 22:00, subiam ao palco os representantes das principais entidades envolvidas no evento, cujo tema é “Felicidade”. Miguel Pereira Leite, Presidente da Assembleia Municipal do Porto, abriu o caminho para as breves palavras de Sebastião Feyo, reitor da Universidade do Porto, Luís Valente de Oliveira, Presidente do Conselho de Fundadores da Casa da Música, Ana Pinho, Vice-Presidente da Fundação Serralves, e Nuno Carinhas, Diretor Artístico do Teatro Nacional São João. Mas foi Paulo Cunha e Silva, Vereador da Cultura, quem finalizou a abertura oficial do evento, falando sobre a “procura pela feliz cidade”. Arrancou a primeira de muitas gargalhadas da noite ao dizer “Compactamos este evento em cinco dias, transformando-o num Paredes de Coura do pensamento!”, e chamou finalmente ao palco John C. Mather, acompanhado de Orfeu Bertolami e Carlos Fiolhais.

“O vinho é a prova constante de que Deus nos ama e deseja ver-nos felizes.” Foi com esta frase de Benjamin Franklin que astrofísico iniciou a sua viagem na história das descobertas no espaço e na sua relação com a felicidade. Numa apresentação que incluiu Galileu, o efeito Doppler, Einstein, Stephen Hawking, Edwin Hubble e tantos outros nomes e conceitos sonantes da física, Jonh C. Mather conduziu, com perícia, uma apresentação que abraçou leigos e não leigos, mas em que prevaleceram imagens imponentes, sufocantes e epopeicas de galáxias e estrelas em explosão. Apresentou-se, referiu as mais importantes descobertas sobre o universo e chegou, inevitavelmente, às questões sem resposta de que transborda a ciência do espaço.

Carlos Fiolhais introduziu a sessão de perguntas ao astrofísico, “o único cientista da NASA a ganhar um Nobel”. Falando do almoço que partilhou com John C. Mather, referiu a curiosidade insaciável que o acompanhou para todo o lado: “Procurou os pratos que não conhecia. Acabou por comer açorda de marisco. [risos] Tão importante como a descoberta de uma nova estrela é a descoberta de um novo prato gastronómico!”.

Do público surgiram perguntas sobre Deus, panspermia e a unicidade do ser humano. “É só para perguntar, se começámos com o Big Bang, como vamos acabar?”. Os risos na sala precederam uma resposta imediata: “Ninguém gosta dessa pergunta.” “Na sua apresentação, falou muito sobre o conceito do espaço. Gostava de ouvi-lo a falar um pouco sobre o conceito do tempo”. Com a mesma imediatez algo reguila, provocou novamente o riso: “Não temos resposta para si. Volte a perguntar no próximo século.”.

Numa noite que foi tanto sobre olhar para cima como olhar para dentro, o astrofísico recebeu da audiência uma longa ovação. “As pessoas são mais complexas do que as leis da Física”. A felicidade, provavelmente, também o é.