Cultura

THE SCRIPT, OS ESPERADOS, JAMIE CULLUM, O ARROJADO

No último dia de concertos, foi o estilo jazz que conquistou a praia do Cabedelo. A versatilidade e irreverência de Jamie Cullum deram o toque final a um festival inundado por um público entusiasta. Por seu lado, a banda The Script deu um concerto contagiante, mas sem fugir ao roteiro.
Fotografia por Ludgero Barbosa.

Chegou e triunfou. O cantor e compositor britânico de jazz contemporâneo subiu ao palco na última noite do MEO Marés Vivas para um concerto cheio de momentos surpreendentes. Do jazz ao beatbox, do piano à percussão e com muita dose de improviso à mistura, Jamie Cullum revelou a sua mestria na arte de fazer música.

“Everything You Didn’t Do”, “Get Your Way”, “I’m All Over It” e “Everlasting Love” foram alguns dos temas com que Jamie envolveu e acariciou o público que incessantemente marcava ritmo com palmas. Mas foi com “Please Don´t Stop The Music”, um cover da música de Rihanna, que o músico britânico conseguiu uma das maiores ovações da noite.

E, de facto, a música não podia parar. Sem tirar as mãos do piano, instrumento sobre o qual tem um domínio extraordinário, de Rihanna partiu para “High And Dry” dos Radiohead, passando por “To Build a Home”, dos The Cinematic Orchestra.

“Estou muito orgulhoso por estar na vossa bela cidade”, foram estas as palavras que Jamie Cullum utilizou para demonstrar o seu agrado e simpatia pela cidade e pelo povo português. Ao longo de todo o espetáculo, o músico britânico dirigiu-se várias vezes ao público, proporcionando um concerto bastante interativo e dinâmico. Jamie chegou também a abraçar os fãs da primeira fila de onde recolheu a bandeira portuguesa que calorosamente colocou sobre os seus ombros.

Quando o espetáculo se aproximava do fim, o cantor britânico fez um alerta ao público do Marés que visivelmente tinha entrado na sua onda. “Esta é a vossa última oportunidade de se envolverem”. Jamie pronunciou uma melodia para o público ir repetindo sucessivamente. No fim, uma ovação prolongada e um coro bem treinado em uníssono acompanharam a saída do músico.

Depois do grandioso concerto de Jamie Cullum, os cabeça de cartaz, The Script foram os escolhidos para fechar o último dia do Marés Vivas. Através de uma grande produção visual, a banda irlandesa apresentou excertos de videoclips, enquanto se ouvia temas como “Superhero”, “Man On A Wire” ou ainda “Only You Can See Me Now”.

Danny O’Donoghue, vocalista dos The Script desapareceu por breves instantes e surpreendeu os fãs ao percorrer a bancada da Caixa Geral de Depósitos que se encontrava numa das laterais ao palco. A euforia instalou-se. Perante um público jovem, mas não só, todos cantaram ao som de “The Man Who Can’t Be Moved”.

Para fechar em grande, os três meninos bonitos atravessaram o passeio da fama. O recinto do Marés iluminou-se com milhares telemóveis que se erguiam no ar. “Hall Of Fame”, a mais esperada da noite contagiou o público e teve direito a coro. “Vêmo-nos em breve. Esta foi a primeira vez, mas não será a última”, deixando no ar quase que uma promessa de um regresso à cidade invicta.

O palco principal abriu cerca das 20h30 ao som de blues e funk soul com os The Black Mamba. O trio formado por Pedro Tatanka, Ciro Cruz e Miguel Casais brindou os fãs com a sua música negra e cantou temas como “It Ain’t you” e I’ll Meet You There”. O que ninguém estava à espera era de ouvir “Wonder Why” pela voz poderosa de Kika Cardoso, vencedora da segunda edição do Fator X. Os The Black Mamba não deixaram ninguém indiferente e foram muito aplaudidos pelo público.

Depois da banda portuguesa, Ana Moura deu fado aos festivaleiros. Dona de uma voz portentosa, a fadista de 35 anos quis mostrar que a sua música também soava bem em ambientes pouco usuais para este tipo de registo. “Quem diz que fado tradicional não é para festivais?”, foi assim que Ana Moura interpelou o público na tentativa de destruir esse preconceito.

Além de cantar temas como “Amor Afoito”, “Loucura”, “Os Búzios”, “Porque Teimas Nesta Dor”, a fadista portuguesa brindou o público com “Valentim”, música de Amália Rodrigues e “No Expectations” dos The Rolling Stones”, um arranjo arrojado que mistura dois idiomas e dois registos.

Para finalizar o concerto, Ana Moura escolheu o grande êxito “Desfado”. Repetindo várias vezes o refrão, a fadista abriu os braços para receber o coro da multidão que demonstrou conhecer muito bem o tema. Do palco explodiram confetes e sorrisos da cantora que deu provas da sua boa disposição e simpatia.

À semelhança da noite anterior, a rádio comercial voltou a dirigir-se aos festivaleiros. Após cantarem com fulgor e alegria o hino do Marés, os famosos locutores propuseram ao público um novo slow. Na verdade, o recorde que queriam ter já atingido na noite anterior não foi batido, o que significava que mais pessoas precisavam de entusiasmo e dedicação a esta causa. Ao som de Spandau Ballet, os festivaleiros juntaram-se em parelha para cumprir o desafio.

No palco secundário, foi DEAU quem reinou ao mostrar o seu hip hop português. “Teresinha”, “4400” e “Andorinha” foram alguns dos êxitos mais aplaudidos por um público, na sua maioria, muito jovem. Já perto do final do concerto, o cantor portuense cantou o tema “Diz-me Só” que conta com a participação do MC Bezegol. Por breves momentos, os fãs ansiaram por ver Bezegol em cima do palco. Não aconteceu, mas DEAU pediu a todos para cantarem bem alto, de forma a fazer chegar o som ao amigo e colega de profissão, que vive do outro lado da margem do Douro.

Assim terminou mais uma edição do MEO Marés Vivas, com lotação esgotada nos três dias do festival. Um recorde de 90.000 pessoas estiveram no recinto junto à praia do Cabedelo, em Gaia. A 14º edição, que acontecerá em 2016, já tem dias marcados: 14, 15 e 16 de julho.