Cultura

A MÁQUINA DE WELCH ENCERROU 21º SBSR

O último dia de festival prometia uma enchente à espera de Florence and The Machine e cumpriu. Uma noite que contou também com Palma Violets, Unknown Mortal Orchestra, Franz Ferdinand e os Sparks e Crystal Fighters.
Fotografia por Margarida David Cardoso.
Vídeo por Leonor Tudela.

O último dia de Super Bock Super Rock começa com filas que esperam já Florence And The Machine. Mas antes disso muito havia para ver.

Com uma legião de fãs algo considerável, era a vez de Palma Violets atuarem do Palco EDP. A banda britânica formada em 2011 tem dois álbuns: 180, de 2013, e Danger in the Club, de 2015. O palco foi pequeno para o som que a banda nos trouxe. Alguns fãs, num palco meio cheio.

No Palco EDP a festa continuava e pouco depois foi hora de ouvir Unknown Mortal Orchestra. Ouvir, mas só depois dos primeiros 20 minutos, porque até aí o som deixava quase impercetível a voz de Ruban Nielson. Mas foi com Multi-Love que conseguimos começar a ouvir o psicadelismo do novo álbum.

Apesar da agitação que já se sentia para ir para o palco principal e esperar as grandes atuações da noite, tempo ainda para ouvir a Banda do Mar. A banda de Mallu Magalhães e Marcelo Camelo conquistou mais uma vez o público, com os seus temas calmos e fofinhos, num deleite perfeito para relaxar antes do que nos esperava no palco Super Bock. Mais ninguém, Muitos chocolates ou  a inesperada Anna Júlia, dos Los Hermanos, deliciaram todos.

FFS! São os quarto Franz Ferdinand juntos com os irmãos Ron e Russel Mael, fundadores dos Sparks em 1971. Este convívio escocês e Americano trouxe uma consagração de ambas as bandas, que nasceram com décadas de diferença entre si. O momento alto foi, como seria de esperar. Take me Out, dos Franz Ferdinand, que contagiou uma plateia dividida emtre este concerto e a espera pelo que se seguia.

Já a noite não ia para nova quando os Florence and The Machine subiram ao palco. Uma e pouco da manhã começava aquele que seria dos melhores concertos do festival, se não, o melhor. A espera já ia longa para muitos e eis que começam a ouvir-se os sons que indicam que ela vai chegar. E chega Florence Welch, a líder da banda a quem empresta metade do nome. What the Water Gave Me abriu o espetáculo, com a teatralidade e capacidade envolvente dos movimentos de Welch. Descalça, vestida de branco celestial e quase desmaquilhada, foi como se apresentou ao público. Shake it out é talvez o maior sucesso da vida da banda e Florence sabe-o. Convidou o público para ser o seu coro e o convite não foi recusado.

Dog days are over, How Big, How Blue, How Beautiful ou uma pequena menção a People have the power, de Patti Smith, foram algumas das canções que fizeram este concerto.Welch não se coibiu de correr de ponta a ponta do palco e de avançar para o público por três vezes. A entrega foi total e a ovação também. Os Florence and The Machine mataram a sede a todos aqueles que os esperavam e deram o concerto mais memorável de todo o festival. Canções quase epopeicas, feitas para grandes salas e para concertos incríveis.

O SBSR acabou. Apesar de problemas com o som na Meo Arena, que nem sempre foi o melhor, o festival terminou em beleza. A mudança de local não parece ter afetado os festivaleiros, que na sua maioria, apesar de reconhecerem que a Herdade do Cabeço da Flauta tinha muita mística, admitiram que as acessibilidades estão agora melhores e que isso é um ponto bastante positivo.

Terminada a nossa missão de acompanhar o festival, esperamos estar lá de novo para o ano.

Até breve.