Cultura

LENNY KRAVITZ ELETRIZA MARÉS

Lenny Kravitz foi o homem da noite no segundo dia do maior festival do norte do país. Um concerto eletrizante que contagiou os fãs assim que ouviram a voz inconfundível do cantor norte-americano. No final da noite, não houve quem não tirasse o pé do chão ao som de ritmos africanos dos Buraka.
Fotografia por Ludgero Barbosa.

“It Ain’t Over ‘Til It’s Over” foi o tema de arranque daquele que foi considerado o melhor concerto do segundo dia do festival. Lenny Kravitz contagiou os milhares de fãs logo nos primeiros acordes. Seguiu-se “American woman”, um dos seus maiores sucessos, e a partir daí tornou-se difícil não ouvir o seu nome nas margens do Rio Douro. Cerca de 30.000 pessoas vibraram ao som de “Fly away”, “I belong to you” e “I want to get away”. Durante o concerto, Lenny Kravitz congratulou os fãs com solos arrepiantes de guitarras, trompete, saxofone, órgão e ainda bateria, protagonizados pelos elementos da banda. Para surpresa de muitos, a bateria estava sob comando de uma mulher. Cindy Blackman teve um dos maiores aplausos da noite.

Perante um público tão eufórico, após já se ter despedido, Lenny não resistiu aos chamamentos e voltou a palco, fechando o concerto com uma versão prolongada de “Are you gonna go my way”. No final, Lenny Kravitz despediu-se com uma vénia.

No palco Santa Casa, ainda a noite estava longe e já os fãs de Jimmy P estavam ao rubro ao som do hip hop português. De descendência angolana, o rapper conseguiu pôr uma plateia enorme a cantar as suas músicas. Foi com grande entusiasmo que o público dançou e cantou temas como: “O que vai ser”, “On fire” e “Amigos e amantes”. Jimmy P fez questão de prestar uma homenagem a vários rappers portugueses. Boss Ac, Valete, Sam the Kid e Da Weasel fizeram parte dessa lista.

No final, agradeceu ao público. “Muito obrigado a todos. Há 3 anos nunca pensei estar aqui. Mas no próximo ano quero estar do outro lado”, referindo-se assim ao palco principal.

Kika, a cantora portuguesa com sotaque inglês foi quem abriu o palco principal do segundo dia do Marés Vivas. Apesar do talento com apenas 18 anos, não foi fácil prender o público. “Guess it’s alright” e “Love will take us higher” foram alguns dos temas que se ouviram no recinto do festival.

Após a atuação da jovem portuense, muitos festivaleiros que se encontravam dispersos no recinto encaminharam-se para junto do palco para receber Miguel Araújo. Num ambiente familiar e acolhedor, marcado por um cenário rústico, o músico de 37 anos proporcionou um concerto interativo, descontraído e contagiante. Temas como “Fizz Limão”, “Recantiga”, “Reader’s Digest” e “Dona Laura”, acompanhados por instrumentos como guitarra, trompete, harmónica, xilofone ou concertina, deleitaram um público cada vez mais numeroso e extrovertido.

Além de exibir as suas músicas mais conhecidas, Miguel surpreendeu com uma versão própria de “Dancing Queen” dos Abba e também com “Like a rolling stone” de Bob Dylan.

Durante a atuação do músico português, houve ainda espaço para um pedido de casamento. Ricardo subiu ao palco com a namorada e deu provas do seu amor perante milhares de pessoas. A resposta afirmativa de Joana foi presenteada com “Balada Astral” que o músico dedicou ao casal.

Para encerrar o concerto, Miguel Araújo reservou o êxito “Os maridos das outras”, um tema bastante conhecido que durante a atuação juntou as vozes do cantor à voz do público.

Ainda antes do espetáculo mais aguardado da noite, os locutores da Rádio Comercial lançaram um desafio: bater o record do maior número de pessoas a dançar um slow. Quando soltaram “Careless Whisper”, de George Michael, casais e conhecidos agarraram-se para dançar a balada e conseguir corresponder ao desafio.

Depois do arrebatador concerto de Lenny Kravitz, os Buraka entraram em cena, imbuídos da energia que tanto os caracteriza para continuar a aquecer a noite. “Vamos instalar aqui o carnaval”, disseram os músicos no início do concerto, enquanto distribuíam vuvuzelas antes de soar o tema “Vuvuzela  (Carnaval)”. Êxitos como “Stoopid”, “Wegue”, “Hangover” também fizeram agitar a enorme multidão que apesar das horas decidiu ficar.

“Queremos acordar Gaia inteiro e de preferência o Porto também. Hoje ninguém vai dormir”, foram as palavras que precederam a música “(We Stay) Up All Night”. De facto, pela noite dentro, ao som de ritmos africanos cheios de ritmo, os festivaleiros não pouparam na energia.

Para o último dia do festival, as expectativas permanecem elevadas perante nomes como The Script, Jamie Cullum e Ana Moura.