Cultura

HISTÓRIAS DA VELHA RÚSSIA CONTADAS EM JAPONÊS

A Orquestra Sinfónica do Porto apresentou ao público da Casa da Música Histórias da Velha Rússia, com direção musical de Takuo Yuasa.

A noite de sexta-feira prometeu, a todos aqueles que decidissem passar pela Casa da Música, uma odisseia de sons e narrativas russos, num programa marcado por ritmos pesados e irregulares.

Takuo Yuasa conduziu a Orquestra Sinfónica do Porto através de composições de  Modest Mussorgski, Igor Stravinski, Sergei Prokofieff e Dmitri Chostakovitch, com uma reverência especial pelos seus músicos e público.

O concerto começou tímido e simples com o Prelúdio de Khovantschina a recolher os primeiros ouvidos atentos. Mussorgski é uma das grandes figuras do romantismo musical russo. O inovador membro do Grupo dos Cinco fez uso das palavras de Stassov para criar uma ópera que ficou aquém de outros seus grandes sucessos, como Boris Godunov. Passam pouco mais de cinco minutos antes das primeiras palmas.

A linguagem introduzida por Stravinsky em Scherzo à la russe distancia-se da composição anterior de forma quase perigosa, em ritmos saltitantes, desafiadores e leves.

Depois de histórias de czares e problemas de sucessão, o programa convida ao conto de Tenente Kijé.  Prokofieff é mestre em dar vida aos instrumentos, não fosse Pedro e o Lobo uma das composições mais marcantes da infância do público que assiste ao concerto. Produzida para uma adaptação cinematográfica, esta obra de Prokofieff acabou por se revelar mais popular do que o filme que serviu. Os espetadores seguiram os cinco andamentos com mais vitalidade do que mostraram durante o resto da primeira parte e não foi um quebra-cabeças encontrar um ou outro sorriso inconsciente, enquanto a orquestra contava a história.

A segunda parte, inteiramente dedicada à Sinfonia nº10 em Mi menor de Chostakovitch, perde-se entre a figura de Estaline e divagações autobiográficas do compositor. A interpretação é generosa e muito expressiva, majestosa até. Quatro são os andamentos que ditam os movimentos das cordas e a azáfama dos músicos, numa obra tensa e pesada, feita de contrastes que se notam no fulgor e nostalgia das notas.

Esta sinfonia volta a calcorrear as paredes da Sala Suggia num concerto comentado por Fernando C. Lapa, hoje, pelas 12 horas.

A postura do maestro esteve longe de se revelar severa, enquanto recebia os aplausos da orquestra e dos espetadores e chamava a atenção de volta aos instrumentos. A reação da plateia esteve, também esta, longe do entusiasmo de outros concertos. A sala não encheu e o público, na sua maioria, só se levantou para abandonar o seu lugar.

A Casa da Música aposta na diversidade de espetáculos até ao final do  mês. Do fado à música clássica, por lá vão passar Rita Redshoes e Paulo Mesquita e pernoitar a Orquestra Metropolitana de Lisboa. O JUP deixa também a promessa de marcar presença.