Cultura

Dante: o Inferno apresentado por Lince Rebelo

E se o Inferno da Divina Comédia fosse repensado? Esta é a narrativa ousada que levará Lince Rebelo, ilustrador portuense, à Senhora Presidenta, galeria de arte no Porto, no próximo dia 20 de novembro, entre as 15 e as 19 horas. “Dante” é o seu primeiro álbum ilustrado e retrata uma interpretação queer do clássico da literatura. Por Marta Sofia Ribeiro

Mesmo que não nos apercebamos, a noção de inferno que existe no nosso subconsciente parte, indireta ou diretamente, da descrição de Dante Alighieri. Repensá-lo de forma subversiva é um exercício de desconstrução em várias dimensões. Com um admitido interesse pela capacidade subversiva da ilustração, Lince Rebelo pensou um inferno onde os condenados são adorados, o sexo é um prazer sem pudores, o sistema binário é irrelevante e as bruxas voam livremente. Todas as identidades a quem o céu normativo fechou as portas são celebradas neste inferno, aqui a diversidade sexual e as diferentes identidades de género são divinas. O livro conta com textos de Rui Resende e design de Catarina Neves.

“existir enquanto uma pessoa LGBTQI+ foi e continua a ser um ato de resistência, quer essa resistência seja visível aos olhos das outras pessoas ou não”

Antes de construir este “pesadelo” desenvolveu alguns projetos. Em 2019 surgiu bem e mal amado, no qual procurou narrativas LGBTQI+ escondidas nos fados interpretados por Amália Rodrigues. No passado 25 de abril criou uma fanzine com várias histórias da comunidade LGBTQI+ em Portugal. Deu-lhe o nome Resistência porque “existir enquanto uma pessoa LGBTQI+ foi e continua a ser um ato de resistência, quer essa resistência seja visível aos olhos das outras pessoas ou não”, explica na sua página de Instagram.

Mais recentemente colaborou com a revista Gerador, enquanto autor da obra gráfica Better in My Memory, descrita como uma “romantização e um exagero da memória”. “Parte do desejo de alterar a forma como as coisas realmente aconteceram para uma versão mais desejável dos acontecimentos. É uma mentira narrativa e visual, um escapismo que reescreve a memória, mas que, em parte, é verdade.”

É licenciado em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e trabalha como ilustrador freelancer e tatuador no estúdio Círculo.

Artigo da autoria da Marta Sofia Ribeiro