Cultura

The Doors – L.A. Woman: Um álbum seminal, 50 anos depois

L.A. Woman, o que viria a ser o álbum de encerramento da discografia memorável dos The Doors, surge o último suspiro de uma estrela eclipsada pelos excessos. Mas terá sido esse último suspiro em vão? Artigo por: José Macedo

A 19 de abril de 1971, há precisamente 50 anos, era lançado “L.A. Woman”, o sexto álbum de estúdio dos lendários The Doors.

Feito numa altura em que o comportamento cada vez mais errático (o que explica parte substancial da componente lírica bastante pesada deste disco) do cantor e letrista Jim Morrison já cobria por completo o interesse atual na banda – tirando foco à enorme qualidade musical de cada integrante (Jim Morrison incluído) que, em conjunto, tinham construído em pouco mais de quatro anos um reportório digno de registo – este álbum veio cimentar o estatuto da banda como uma das melhores de sempre do “Rock”.

Musicalmente, este álbum cobre bastante território: seja aquele que a banda já nos fazia reconhecer quase instintivamente, como se fosse já uma identidade própria (como o grande sucesso “Love Her Madly” ou “L’America”, ou os belos teclados de Ray Manzarek em “The Changeling” e “Hyacinth House”), seja o “blues rock” de faixas como “Been Down So Long”, “Cars Hiss by My Window” e “Crawling King Snake, seja a “incrível estranheza” de “The WASP (Texas Radio and the Big Beat)”, onde os já referidos talentos musicais de cada integrante vêm ao de cima, formando algo tão “bom e hipnótico” que o ouvinte irá querer ouvi-la em repeat contínuo.

No entanto, e já estando este disco a um nível muito alto de qualidade, este ainda se consegue elevar mais nesse ponto. Essa elevação ocorre com a ajuda dos dois grandes clássicos do disco, que ajudaram a formar o legado lendário da banda, legado esse que permanece reconhecido nos dias de hoje: a faixa título, “L.A. Woman”, que, pelas suas nuances e duração, se assemelha às músicas de “Rock Progressivo”, género emergente da altura, e “Riders On The Sorm”, clássico intemporal, instantaneamente reconhecível e inapagável do “Rock” que, com uma melodia bastante agradável, esconde uma letra muito menos bucólica, baseada nas ações do “Serial Killer” Billy Cook.

O comportamento incontrolável de Jim Morrison viria a custar-lhe a vida a 3 de julho de 1971, pouco depois do lançamento deste disco, fazendo com que L.A. Woman fosse o seu último cântico. Embora os membros restantes da banda tenham tentado seguir em frente e continuar com a banda, lançando os álbuns “Other Voices” no final de 1971, “Full Circle” em 1972, e “An American Prayer” em 1978, este último baseado em leituras e poemas de Jim Morrison passados para música, estes tendem a ser facilmente esquecidos, quando comparados com a grandeza dos álbuns anteriores, especialmente este, pois, 50 anos depois de ter sido lançado, continua a soar atual e a maravilhar novos ouvintes e antigos fãs.

Claramente algo a ter em conta para ouvir hoje.