Cultura

DMX: a vida e o legado

DMX morreu, após uma semana ligado a máquinas de suporte artificial de vida. O rapper e ator foi levado para o hospital a 2 de abril, após ter sofrido um ataque cardíaco. Por Renata Mendes

Earl Simmons nasceu em Mount Vernon, Nova Iorque, a 18 de dezembro de 1970. Cresceu em Yonkers, uma cidade a norte de Bronx, que foi, nos anos 80, palco de grandes tensões raciais e problemas relacionados com o crime e a violência.

DMX, também conhecido como Dark Man X, é o produto da vida complicada de Earl, a sua infância e adolescência foram passadas entre a rua, casas de acolhimento e instalações de detenção juvenil, onde desenvolveu o hábito da escrita. Sofreu abuso por parte da mãe e dos seus companheiros, e recorreu ao crime e às drogas como escapatória.

No seu tema “Do You” diz que, para ser como ele, é preciso “grow up neglected by both parents and still pull through”.

A carreira

Em janeiro de 1991, a revista The Source lança DMX aos olhos da imprensa, mencionando-o na secção Unsigned Hype – sendo que alguns dos nomes que tinham passado por essa secção era The Notorious B.I.G, Emimen e Mobb Deep. Continua, nos dois anos seguintes, a manter presença no mundo do hip-hop em Nova Iorque, enquanto beatboxer, mas só em 1993 assina com uma editora. Lança, com a Columbia Records, o seu primeiro single, “Born Loser”, mas não tem grande sucesso e sai da editora. Pouco tempo depois junta-se a Rick Rubin e Russell Simmons na Def Jam, editora que lançou nomes como Snoop Dog e Kanye West.

É com a Def Jam que a carreira de DMX atinge grandes dimensões. Lançou, em 1998, dois álbuns, agora classificados como clássicos do horrorcore hip-hop dos anos 90. It’s Dark and Hell is HotFresh of My Flesh, Blood of my Blood chegaram, no mesmo ano, à primeira posição da Billboard 200. Foi o segundo artista a conseguir este feito. Tupac Shakur foi o primeiro, em 1996.

Earl atinge o pico da sua carreira em 1999 quando atua no festival de música Woodstock e lança o ábum And Then There Was X, que lhe garantiu o prémio de melhor álbum de rap nos Grammy’s de 2001. O álbum atingiu também cinco vezes a certificação de Platina.

DMX no palco do festival Woodstock, em 23 de julho de 1999

Em 2001 apresenta o álbum The Great Depression e faz história em Grand Champ. DMX foi o primeiro artista a conseguir a primeira posição na Billboard de cinco álbuns consecutivos. Os anos seguintes abalaram a carreira do músico que, em 2008, serviu uma pena de 90 dias por crueldade animal, posse de droga e furto. Em 2010, voltou à prisão por condução imprudente.

Undisputed (2012) e Redemption of the Beast (2015) são os últimos dois álbuns do rapper que marcou o hip-hop pela sua crueza e confrontou os ouvintes com a realidade que viveu, envolvida por trauma. Dark Man X ficou conhecido numa era do hip-hop em que os grandes artistas de afastavam da vertente do confronto e da denúncia e se aproximavam do entretenimento e ostentação, como aquele que revive o gangsta rap. Mas DMX deixa um legado na música e uma discografia que conta, melhor do que alguém alguma vez conseguirá, a sua vida, traumas e ambições. Parte aos 50 anos, mas a sua rouquidão, flow e a sua lírica continuarão a marcar o hip-hop.

Artigo da autoria de Renata Mendes