Cultura

Final do Festival da Canção 2021: The Black Mamba vencem com “Love is On My Side”

No último sábado, os The Black Mamba foram coroados vencedores do Festival da Canção, contudo, a verdadeira vitória pertenceu à música portuguesa, homenageada em todas as suas diferentes formas e ritmos, épocas e estilos.

Sem público na plateia, porém, com o humor de Filomena Cautela, e a boa disposição de Vasco Palmeirim, a final do 55º Festival da Canção conseguiu não só revelar o melhor da música portuguesa, mas também garantir uma boa noite de entretenimento. Após as votações do público e do júri serem contadas, e um empate se impor entre Carolina Deslandes e os The Black Mamba, a banda, que recebeu a maior votação do público, venceu com “Love is on my side”.

Como é apanágio das galas de entretenimento, houve lugar a um pequeno momento cómico, em que o espectador foi presenteado com um número musical. Filomena Cautela, Vasco Palmeirim e Inês Lopes Gonçalves (responsável pela cobertura da “Green Room”) percorreram os corredores de uma RTP deserta, onde as grandes estrelas estão confinadas e os seus camarins vazios, ao som de uma versão alternativa da célebre “Playback” do Carlos Paião.

Depois do número musical, o desfile de canções inicia-se com uma apresentação potente: é a “Saudade” de Karetus e Romeu Bairos. Saudade, palavra tão portuguesa, é o mote de uma música onde o tradicional e o moderno se conjugam: a melodia da canção começa triste, acompanhada por um canto lento e grave, somente para se tornar rápida e eletrónica no final.

De seguida, apresenta-se a “Joana do Mar” de Joana Alegre. Acompanhada  por uma bailarina, a cantora nada nas ondas do seu vestido enquanto os movimentos da sua bailarina nos contam a estória de uma mulher que nasceu para ser livre, e que busca a sua liberdade no mar.

Em terceiro lugar, “Dia Lindo”  de Fábia Maia. Um tema melancólico a que nos habituamos enquanto a voz enternecedora da interprete viaja até nós. Resta dizer, “Que dia lindo para dizer (…)” que queremos que o nosso festival continue para sempre, com músicas que nos toquem na alma como esta.

“Na Mais Profunda Saudade”, a quarta música da noite, é uma homenagem ao fado português, rejuvenescido nas palavras do compositor, Hélder Moutinho, e na voz da cantora, Valéria.

A quinta música é de uma voz conhecida do público português, Carolina Deslandes. “Por um triz”, é nos mostrado a preto e branco, mas a interpretação da cantora, e também compositora do tema, dá cor e vida às palavras de uma letra belíssima.

Fotografia: Pedro Pina | RTP

Acompanhado ao piano, Neev, nome artístico de Bernardo Neves, conquistou os espectadores com a sua voz ténue e um tema apresentado integralmente em inglês: “Dancing in the Stars”.

De seguida, Pedro Gonçalves mostra-nos a sua “Não vou ficar”. A sétima canção da noite é uma composição pop nostálgica, que chega até nós através da prestação eletrizante do jovem, mas imparável, cantor.

“Contramão” é a oitava música a desfilar no palco da final, interpretada por Sara Afonso e composta por Filipe Melo. Foi um dos vários temas apresentados no Festival assolados pela melancolia.

“Volte-face” de Eu.Clides, com letra de Pedro Linha e Tota, foi a nona canção da noite, foi interpretada por um cantor sozinho no palco, sentado num simples banco, onde sua performance  demonstrou a essência emocional do tema.

Por último, a décima música da noite foi a “Love is on my side”, trazida pelos The Black Mamba. A apresentação da banda tocou-nos com a melodia dilacerante do tema e a rouquidão da voz do vocalista. A música acabou por vencer o festival, e tornou-se a única cantada em inglês a fazê-lo.

Mas o ponto alto da noite foram as diversas homenagens realizadas por artistas diferentes, pois o verdadeiro significado do Festival da Canção é o de celebrar a música em todas as suas formas, e garantir a sua imortalização, como parte do património cultural português, mesmo quando os seus criadores partem. Finda a apresentação dos temas a concurso, a cerimónia prosseguiu com uma homenagem ao falecido Carlos do Carmo, protagonizada pela Ana Moura, o Ricardo Ribeiro, e o Camané, que interpretaram temas como “Lisboa, menina e moça”.  Já Dino Santiago optou por homenagear o falecido fadista com uma reconstrução do tema “Os Putos”, onde misturou o fado lisboeta com o som do seu “Krioula”. É de realçar também o tributo que juntou a banda Clã a nomes como o de Claúdia Pascoal e Filipe Sambado, para celebrarem a música interventiva de José Mário Branco, José Afonso e Sérgio Godinho, para depois os acompanhou em palco.

No final da noite, o público deu-nos um vencedor: The Black Mamba, com “Love is on my side”. Embora o grupo tenha acabado com a mesma votação do que a música de Carolina Deslandes (20 pontos, após somadas as votações do público e do júri), e ter ocorrido um empate, o regulamento dita que nesses casos o vencedor é o que tiver maior votação do público. Assim, a banda portuguesa sagrou-se campeã do Festival. Sucedem a Elisa e Marta de Carvalho, cantora e compositora, respetivamente, de “Medo de Sentir”, tema vencedor do ano passado, e representarão Portugal em Roterdão no próximo dia 20 de Maio.