Cultura

Daft Punk: o “epílogo” de uma carreira fulgurante

A dupla francesa Daft Punk terminou oficialmente esta segunda-feira. A banda alastrou a sua música pelo mundo inteiro como pólvora, pondo várias gerações a dançar. É certo que vamos continuar a dançar ao som do french touch revolucionário que as estrelas internacionais presentearam para o universo eletrónico, mas daqui para a frente vamos fazê-lo relembrando-os como uma dupla histórica.

Formada por Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, a banda alcançou um patamar imponente ao longo dos últimos 28 anos. Relativamente aos espetáculos ao vivo, estes eram marcados por encenações visualmente fortes, visto que o som, a imagem e a iconografia tinham um papel central para os músicos.A dupla de música eletrónica deu a notícia de forma enigmática através de um vídeo de oito minutos intitulado de “Epilogue” e publicado na conta oficial de YouTube. No vídeo, num excerto do filme de ficção científica “Electroma” realizado pelo duo, os dois músicos caminham num deserto usando os seus icónicos capacetes. A dado momento despedem-se um do outro antes de um deles explodir. De seguida, aparece o ano de início e fim do percurso (1993-2021).

A separação do duo foi confirmada pela sua assessora de comunicação à Pitchfork. No entanto, não foi avançada uma justificação para o fim do grupo francês.

Foi com o nome Daft Punk que conquistaram o mundo e se tornaram um dos grupos mais influentes da música eletrónica das últimas três décadas. A sua longa história foi polvilhada de sucesso ao longo dos anos de 90, 2000 e 2010. Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo conheceram-se no ano de 1990, em Paris, na escola secundária. Em 1993 juntaram-se, mas foi no ano de 1997 que saltaram para a ribalta com o lançamento do primeiro dos quatro álbuns completos, Homework. “Da Funk”, “Revolution 909”, “Burnin” e “Around the World” foram alguns dos grandes êxitos que moldaram o casamento de pop e house com a música eletrónica.

O disco seguinte, Discovery, lançado em 2001, foi um clássico que ajudou a eternizar o duo parisiense, contendo os êxitos intemporais “Harder, Better, Faster, Stronger” e “One More Time”. Sempre discretos em relação à sua identidade, os anos de Discovery trouxeram consigo o guarda-roupa e cenário futurista — máscara no rosto e capacetes — acessórios que marcaram a identidade visual da dupla.

Depois de lançado o disco de 2005, intitulado Human After All, os Daft Punk atuaram em Portugal, na edição do Festival Sudoeste no ano de 2006. Em 2010 encetaram no mundo do cinema, assinalando a banda sonora do filme da Disney Tron: Legacy.

O regresso, em 2013, com “Random Access Memories” foi bombástico. O álbum acabou por se tornar o derradeiro manifesto musical, trazendo consigo o êxito planetário “Get Lucky”, uma parceria com o guitarrista Nile Rodgers e Pharrell Williams. Foi neste ano que o grupo atingiu o auge do sucesso e, inclusive, o álbum foi premiado com quatro Grammys, incluindo na categoria de Melhor Álbum do Ano.

O disco de 2013 foi o último original dos Daft Punk. Não obstante o duo manteve a sua atividade em várias colaborações, nomeadamente com o cantor The Weeknd nos temas “Star Boy” e “I Feel It Coming”. “Overnight” dos Parcels é outro exemplo da impressão digital da banda.

Termina assim a dupla que deixou um legado inatacável e agigantou a música eletrónica francesa. No entanto, ainda há álbuns e músicas icónicas para recordar, projetos novos para cada um dos membros dos Daft Punk e pessoas para dançar ao som da herança musical que a dupla produziu.