Cultura

250 anos de Beethoven: a vida e obra sobrevoadas

Eis Ludwig van Beethoven, um génio carismático nascido com algo dentro de si desejoso de saltar cá para fora, que viveu para e através desta voz interior, e que faleceu com um legado que o eternizou como um dos compositores mais lendários e transcendentes que pisou Terra.
Beethoven, como tantos outros génios, será um dos casos de eterno orgulho comum da nossa espécie, tendo em conta a obra que nos deixou com a sua criatividade divina e trabalho perfecionista incansável. As partituras falam por si só, mas são páginas e páginas – de hieróglifos para uns e símbolos e figuras para outros -, que guardam partículas da alma do compositor.
 
Arte e artista fundem-se numa relação de interdependência sem a qual ambos ficariam desenlaçados do seu sentido de existência. Mas enquanto o artista acaba por se desnaturar, é a sua arte que se mantém viva a contar a sua história por entre o passar do tempo. O que, neste caso em especial, pode ser alvo de uma ironia mórbida: tendo em conta que Ludwig não era conhecido pela sua simpatia, mas sim por um caráter grosseiro e altivo, teríamos herdado respostas tortas ao invés de harmonias sublimes se tivesse sido o compositor (e não as suas obras) a perdurar no tempo.
 
Ludwig van Beethoven nasceu a 16 de dezembro de 1970. Era extravagante e cabeçudo, desorganizado e genial. Nos seus 56 anos de vida, compôs mais do que 650 obras e marcou a passagem entre o classicismo e o romantismo. Nesta sua efeméride dos 250 anos do seu nascimento, relembramos a vida e obra deste compositor que, a despeito de integrar a estigmatizada música erudita, deixou o seu nome gravado para sempre na memória cultural.
Retrato de Beethoven por H. Junker

A chegada do pequeno Ludwig

Bona, Alemanha, 16 de dezembro de 1970. Ainda que não perentoriamente, deduz-se que foi neste dia que o pequeno Ludwig tenha escorregado cá para fora. Foi logo nos seus primeiros anos de vida que o seu talento para a música foi descoberto, o que levou a que ele tenha sido educado de uma forma rígida e autoritária neste sentido, sobretudo vigiado pelo pai. Como criança-prodígio que era, Ludwig mostrou-se um intérprete ágil e talentoso, mas não se ficou por aí: não se satisfazendo com as regras musicais impostas e com pré-conceitos, depressa exibiu um dote especial para a composição.
 
Assim surgiu um criador, um perfeito exemplo de harmonia entre criatividade, produtividade e paixão, onde o engenho borbulhava no cérebro, vibrava e rebatia entre as cordas do corpo e escapulia-se como um sopro por entre os dedos, fazendo-os mover e replicar a informação recebida.
Retrato de Beethoven por G. von Treuberg, em 1800
Beethoven não nasceu belo nem simpático, muito menos modesto. No entanto, foram a sua desenvoltura, orgulho e idealismos definidos que, aliados ao virtuosismo enquanto músico, marcaram o seu sucesso logo na entrada para a sociedade de Viena, aos 22 anos.

Sucesso, dinheiro e admiração

Quando Beethoven se mudou para Viena, em 1792, vivia-se um contexto musical regulado pela suavidade e elegância trazidos por Haydn (1732-1809) e Mozart (1756-1791), os precursores de Beethoven no período classicista. Numa época em que os músicos começavam cada vez mais a viver do produto do seu trabalho próprio, Beethoven surgiu como um dos primeiros a assumir-se como artista e a entrar na alta sociedade sem escrúpulos, a pés fundos e de queixo levantado.
Aqui, encontrou sucesso, dinheiro (segundo uma carta do mesmo, “as pessoas já não negoceiam comigo. Eu defino o meu preço, e eles pagam.”), e admiração, mesmo que no âmago duma sociedade vienense onde residiam mais de 300 pianistas profissionais e 6000 estudantes de piano.
A sua linguagem musical muito particular e, sobretudo, a sua capacidade de improviso fizeram-no sobressair de todos os outros e ser aludido como um potencial “novo Mozart”.
Retrato de Beethoven por J. Kreihuber, em 1865
Beethoven não era um “intelectual” nem um grande pensador. Não sabia multiplicar e dava voz até a entendimentos da sociedade que mostravam o desprezo que sentia pelos outros, revelados em frases como “o poder é a moralidade dos homens que estão acima dos outros” ou “o cidadão comum devia ser excluído do convívio dos homens superiores”. Idealismos paternalistas à parte, Beethoven foi mais do que apenas um simples indivíduo e, vindo de um génio deste carisma, há que dar ouvidos ao velho ditado que nos diz que “não há bel(o) sem senão”.

Organizado na música, desgrenhado na vida

Um dos fatores que é, geralmente, atribuído à genialidade é a loucura, e Beethoven faz jus a esta associação, tanto pela forma idiossincrática como trabalhava como pela sua personalidade extremamente carismática movida pelo orgulho.
 
Era desorganizado praticamente em tudo, exceto naquilo que o ligava à Terra: a música. Tinha a casa de pernas para o ar, com os restos do jantar da noite anterior por limpar e as partituras a esvoaçar pelo espaço, sendo que só o piano se mantinha inabalável de pé (ainda que, por vezes, com os martelos a ficarem presos nas cordas partidas).
Porém, a confusão em que vivia não se mantinha por muito tempo – não porque Beethoven arrumava os aposentos, mas sim porque tinha a mania e o gosto de mudar de casa regularmente.
Estúdio de Beethoven por J. Höhle. em 1827
Era um trabalhador vagaroso e perfeccionista, que levava o seu tempo a terminar uma obra – enquanto Mozart precisava de dias ou semanas, Beethoven demorava meses ou anos. Quiçá as suas composições se estendessem mais no tempo, porque Beethoven empenhava mais o seu próprio sentimento na expressão musical, quando em comparação com Mozart, por exemplo.
 
Assinalando uma ponte entre o classicismo e o romantismo, a música de Beethoven deu aso a uma maior expressividade, sentimentalismo e, consequentemente, romanticismo. Contudo, os seus contemporâneos, particularmente Weber (1786-1826) e Schubert (1797-1828), acabaram por ir ainda mais ao encontro do período romântico, o que reforça a individualidade da música beethoveniana.

“Estou surdo”

Voraz e vívido na forma como conduzia o seu processo de criação e as orquestras, aos vinte e poucos anos Beethoven começou a aperceber-se de uma sombra muda e ensurdecedora que lhe viria a roubar a audição. Segundo uma carta ao seu amigo Franz Wegener, “a verdade é que apesar do meu sucesso tenho levado uma vida desgraçada. Há dois anos que evito quase por completo as reuniões sociais porque me é impossível dizer às pessoas: ‘estou surdo’”.
Pintura de Beethoven por J. Schmidt, em 1820

À medida que lhe ia custando cada vez mais escutar os instrumentos e as vozes, ele continuava a compor mediante a memória auditiva e a dirigir as orquestras. Para alguém excecional nas leituras à primeira vista e que nasceu com ouvido absoluto (facilmente identificava e cantava as notas e melodias certas), a surdez não lhe foi um obstáculo derradeiro: a escrutinar o movimento dos dedos dos músicos e com o ouvido interno funcional, Beethoven continuava a distinguir o certo do errado e não deixou a sua posição de maestro.

Há que referir que Beethoven, enquanto maestro, tinha a fama de grande gesticulador com todo o seu corpo, onde todos os músculos pulsavam, ora encolhendo-se ao som dum pianíssimo ora espraiando-se num fortíssimo.

Quanto à composição, Beethoven afirmava que “um bom compositor não precisa de um piano para trabalhar”, pelo que prosseguiu o seu trabalho mergulhado em silêncio, até ao final da sua vida.
Nestes últimos tempos, o caráter de Beethoven amargurou-se, a paciência para com os outros ficou mais ténue e os cabelos tornaram-se ainda mais selvagens: o deteriorar da sua saúde levou, em igual medida, a alegria do compositor.
 
Ludwig van Beethoven faleceu no dia 27 de março de 1827 e, de acordo com o que se conta, o seu último suspiro ocorreu numa noite, entre relâmpagos e trovões, a erguer o punho aos céus. Mais de vinte mil pessoas apareceram no funeral para lhe prestar homenagem.

 


Obra

Os estudiosos do período musical de Beethoven dividiram-no em três fases: a inicial (1790-1803), que vai ao encontro do período classicista; a intermédia (1803-1815), a qual é marcada pela composição da sinfonia heroica e por um grande relevo depressivo para Beethoven, contando mesmo com assomos de ideias suicidas; e a última (1815-1826), que é vista como a de maior transcendência espiritual do compositor.
 
Segundo cartas do próprio, Beethoven matutava primeiro nas suas composições durante um tempo considerável antes de passá-las a papel. E não o fazia com uma ideia apenas, mas sim com várias, misturando-as na sua cabeça sem receio que as ideias descarrilassem para o comboio musical adjacente.
Manuscrito original de Beethoven da sinfonia nº 9
Uma das principais características de Beethoven é o atrevimento que teve para romper estigmas, como se pode observar na duração das suas sinfonias (enquanto que as de Mozart ou Haydn duram, em média, meia-hora, a nona sinfonia de Beethoven perfaz 70 minutos com as repetições) ou na arquitetura das suas sonatas.
As suas composições, no geral, trouxeram uma nova dramaticidade e violência cortante, assim como uma bipolaridade entre o cariz dos seus andamentos – o facto de um andamento ser lento e emocionalmente desafiante não impede que o seguinte seja grandiloquente de cortar a respiração. Esta oscilação é uma das razões pela qual a música de Beethoven é, normalmente, tomada como técnica e emocionalmente exigente.
Muito da exigência técnica está também ligado à mestria que Beethoven possuía na execução de legatos em conjugação com o uso do pedal.
Virtuoso sem rodeios, Beethoven deu um novo protagonismo ao piano e à música clássica em si.

As sonatas para piano

As sonatas de Beethoven apresentam a particularidade de conterem as suas forma e estrutura reinventadas, seja pela longa duração ou pelas variações que adornam os andamentos. Outro aspeto é a intensidade do sentimento que cada andamento comporta: se este for lento, murchamos ao som de uma profunda tragédia ou entramos num transe onírico; se, por outro lado, o andamento for rápido e forte, aí vigora a pujança arrebatadora. O compositor compôs 32 sonatas ao todo.

Sonata “Patética”, op.13

A ”Patética” é uma das sonatas de Beethoven mais conhecidas e tocadas. O nome advém do próprio objetivo que o compositor pretendia com a sua composição: o de suscitar no ouvinte um grande peso emocional – o pathos. Decorre ao longo de três andamentos e encerra tremendas complicações ao nível da sua execução, evidenciadas logo no primeiro andamento (extremamente grave e soturno), onde os pianistas são desafiados nos mais variados aspetos.
 
Ressaltado pelo musicólogo Bruno Caseirão, no seu programa “Caleidoscópio” da Antena 2, um exemplo da complexidade é a dinâmica fp (forte-piano) que Beethoven aplica em alguns acordes, em que o peso das duas mãos tem de ser complementado com uma certa leveza de forma a deixar o som pairar no ar. Beethoven era conhecido por esta ousadia e toques de exigência extrema, sendo que algumas das suas últimas composições tinham mesmo passagens demasiado difíceis para serem tocadas. Curiosamente, a canção popular italiana “Bella Ciao” (reerguida pela série La Casa de Papel) tem semelhanças com o último andamento desta sonata.
 

Sonata “Ao luar”, op. 27 nº2

A “Ao luar” é vastamente popular, sobretudo pelo primeiro andamento, o qual é profundamente lento. A sonata viaja de quasi una fantasia para um caráter dramático incorporado no terceiro e último andamento. O nome “Ao luar” não foi dado por Beethoven, mas sim postumamente por um poeta. No entanto, e dado que Beethoven se encontrava apaixonado ao compor esta peça, o nome “Ao luar” vai sem dúvida ao encontro do terno espírito contido, principalmente, no primeiro andamento da sonata.
 

Sonata “Hammerklavier”, op.106

A “Hammerklavier” data já dos confins da vida do compositor e é considerada por muitos como uma das mais grandiosas sonatas que alguma vez foram escritas. Designada por “piano de martelos”, é uma peça de grande complexidade técnica e de cariz enigmático, causando desvios nas opiniões dos ouvintes e intérpretes – enquanto uns admiram a minúcia dos detalhes, outros desacatam com a sobrenaturalidade dos quatro andamentos daquela que é “a verdadeira sinfonia do piano”, segundo Bruno Caseirão.
 
 

A música de câmara

Trios com piano

Envolvendo o piano, o violino e o violoncelo, os trios comportam um grande desafio no equilibrar da importância dada a cada instrumento, como nota o musicólogo Rui Vieira Nery (no seu programa “O tempo e a Música”, na Antena 2), já que o piano “faz mais barulho”. Aparentemente mais despreocupadas do que, a título de exemplo, as grandiosas sinfonias, as composições dos trios não implicam, surpreendentemente, um menor nível de complexidade.
 

Trio “Fantasma”, op. 70 nº 1

Este é o primeiro trio de Beethoven, sendo designado por “Geistertrio”, o “Trio Fantasma” ou o “Trio dos espíritos”. Segundo Rui Vieira Nery, esta denominação pode provir não só da textura mística e fantasmagórica que o trio insere, como também do facto que os esboços da composição se encontravam ao lado dos esboços de uma hipotética música de cena para a peça Macbeth de Shakespeare.
 

Trio “Arquiduque”, op. 97

O “Trio Arquiduque” é o último trio composto por Beethoven (em 1910-1911) e é considerado como uma das melhores obras da música de câmara de Beethoven, tendo sido até uma das últimas peças que ele tocou ao vivo antes de se aperceber que os seus ouvidos não mais tal permitiriam.
 

Quarteto de cordas “Razumovsky”, op. 59 nº 1, 2 e 3

O primeiro quarteto de cordas de Beethoven só ficou terminado quando o mesmo tinha 31 anos. A razão deste adiamento é justificada pela perfeição que os seus antecessores, Haydn e Mozart, tinham alcançado neste género musical e, como tal, Beethoven preferiu evitar antecipar-se e trabalhar arduamente nos seus quartetos. Estes três quartetos “Razumovsky” não foram bem acolhidos pelos melómanos seus contemporâneos, mas Beethoven afirmava que esta sua música era para ser apreciada num momento posterior ao seu tempo.
 

Sonata para Violino e Piano, op. 47

A sonata “Kreutzer” é a mais célebre de entre as dez sonatas para violino e piano de Beethoven. A sua duração de 35 minutos torna-a na peça mais longa deste género, onde virtuosismo e intensidade se juntam num autêntico lirismo musical. De acordo com o compositor Alexandre Delgado, em “A Propósito da Música”, a despeito de Beethoven incorporar um maior sentimento nas suas peças quando comparado com os seus antecessores, este renegava uma aliança entre a arte e a sensualidade. Pelo que esta sonata, ao dar voz a um maior atrevimento, foge à regra.
 

Septeto, op. 20

Este septeto é escrito para violino, fagote, clarinete, violoncelo, contrabaixo, trompa e violeta. Obteve um sucesso tão grande na sua altura que o próprio Beethoven se veio a enervar mais tarde com a sua popularidade. De acordo com Alexandre Delgado, esta obra confluiu dois aspetos paradoxais: por um lado, foi ao encontro da apreciação do público; por outro, tem um valor que é muito maior do que o mero entretenimento, nomeadamente através da conceção sinfónica inovadora que a mesma integra, tal como Schubert veio a anunciar mais tarde.
 

Sonata para Violoncelo e Piano, op. 69 nº 3

Beethoven foi pioneiro na conceção do género da sonata para violoncelo e piano. Compôs 5 sonatas ao todo entre 1796 e 1815 – um espaço de tempo considerável cujas transições entre os períodos beethovenianos estão bem ilustradas nas peças. Esta sonata nº 3 é de 1807, originária do período heroico. Como denota Alexandre Delgado, ainda que o violoncelo seja o protagonista da peça, os dois instrumentos interagem um com o outro, à medida que a beleza da simplicidade que acompanha o adagio vai alternando com os “furibundos” allegros.

As sinfonias

Beethoven adiou as suas sinfonias para o final da segunda década da sua vida, terminando a primeira apenas aos 29 anos. Concluiu, ao todo, nove sinfonias e cada uma delas representa um estado espiritual distinto e muito particular, revelando a evolução espiritual atravessada por Beethoven. Estas nove composições são extremamente triunfais e, por conseguinte, não remetem para uma beleza aliciante para os ouvidos, mas sim para um pedestal do sublime.

Sinfonia “Heroica”, nº 3

Esta terceira sinfonia espoletou a rutura entre os modelos sinfónicos deixados por Haydn e Mozart e a nova fase traçada por Beethoven. É uma peça verdadeiramente heroica, ou seja, de um determinismo poderoso, que abre o segundo período do compositor. Teve a sua première em 1805 e era, supostamente, dedicada a Bonaparte. Contanto, Beethoven, ao descobrir que Bonaparte se tinha autoproclamado imperador, decidiu destruir a página da dedicatória.

Sinfonia “Quinta”, nº 5

Porventura a sua sinfonia mais popular, a “Quinta” de Beethoven começa com o conhecido final trágico e retumbante, passa por melodias estranhamente positivas e culmina num final épico, o qual agrega uma potente força orquestral.

Sinfonia “Coral”, nº 9

A nona sinfonia consagra um momento essencial na passagem para o período romântico, influenciando compositores como Wagner e Berlioz. De grande importância não só na transição de períodos musicais mas também na História da Música em si, a “Coral” abrange um panorama auditivo colossal, bem como contém elementos inovadores – um destes é a presença de solistas e coro, por exemplo, no momento derradeiro da sinfonia com o canto da Ode à Alegria.

As obras vocais

Missa Solemnis

Esta missa insere-se nas obras vocais de Beethoven, onde também se encaixam as diversas cantatas (o famoso género musical do Lied ao qual o compositor deu vida, apesar de a afirmação deste género musical ser geralmente atribuída a Schubert) e as obras corais. Esta “Missa Solemnis” demorou quatro anos a ser produzida e é uma das obras mais proeminentes de Beethoven, dito mesmo pelo próprio compositor que a considerava “a melhor das suas obras”. Ainda que tenha uma base religiosa, esta obra vai muito além do confinamento eclesial, por ser de uma proporção magistral somente possível partindo de uma genialidade sobrenatural como a de Beethoven.

Ópera “Fidelio”

A “Fidelio” é a única ópera concluída de Beethoven. Foi publicada em 1814 e a sua história centra-se num resgate motivado pelo amor entre Florestan (inocentemente preso) e Leonore (a sua amada, que se disfarça de rapaz “Fidelio” para o salvar). Embora Beethoven seja dos compositores com maior cariz de dramaticidade nas suas obras, esta é, ironicamente, das poucas composições que o mesmo concedeu ao teatro.

“Plaudite amici, finita est comoedia”

Contrariamente ao que se possa pensar, Beethoven não era apenas a figura respondona e carrancuda com a qual é geralmente associado. Ludwig van Beethoven era um amigo leal, um constante apaixonado (se bem que não tenha consagrado o matrimónio, talvez porque se lançava em romances com condessas), grande apreciador de macarrão com queijo parmesão e um companheiro de gargalhadas garantidas.
Uma das suas últimas frases foi (dita em latim) “Plaudite amici, finita est comoedia» (“Aplaudi, meus amigos, que a comédia acabou”): correspondendo mais a um drama do que uma comédia, os 56 anos de vida e as acima de 650 obras do “Mestre” alcançaram uma universalidade incomparável e são, ainda hoje, alvos de um respeito muito especial entre músicos e ouvintes.
Este artigo foi baseado nas obras “Beethoven – Vida e Obra” (2006), de J. Siepmann
e “The Lives of the Great Composers” (1997), de H. Schonberg