Cultura

The Crown e o Reinado da mulher

Depois de um ano tão atípico e limitado, coisas boas acontecem. A espera acabou, a 4ª temporada da série "The Crown" saiu e deixou os fãs ainda mais aliciados para uma próxima.

“The Crown”, a série biográfica do reinado da Rainha Elizabeth II, tem sido um sucesso desde a 1ª temporada. Quer seja pela curiosidade em descobrir os segredos da história da família real mais adorada do mundo, quer pela qualidade gráfica e artística. 

Depois da 3ª temporada, que saiu em 2019, a ansiedade pelo lançamento da 4ª temporada aumentou quando se percebeu que a história da Princesa Diana ia ser integrada. A verdade é que Lady Diana foi a princesa que conquistou o coração do povo quando se juntou à família real e, até aos dias de hoje, continua a conquistar. 

Mas esta temporada não é só sobre Lady Diana. É sobre mulheres.

É sobre a classe e inteligência com que utilizam o seu poder – quer tenha sido conquistado ou quer tenha sido o destino a encarregar-se de lhes entregar. Três mulheres, três exemplos e lideranças completamente distintas. A Rainha Elizabeth, a Princesa Diana e a Primeira-Ministra Margaret Thatcher são as grandes protagonistas. 

A rainha Elizabeth é já uma representação de emancipação desde o primeiro episódio – quer pela liderança inesperada, mas sempre serena; quer pela doçura que contrasta com a extraordinária capacidade de imparcialidade e rigidez. Ela é a devoção para com o dever inigualável. 

Mas se por um lado a Rainha Elizabeth representa uma grande formalidade e seriedade, por vezes até exagerada, a Princesa Diana é completamente o oposto. É uma lufada de ar fresco numa família demasiado séria e, até, infeliz. Esta figura parece vir relembrar a realeza de que eles são humanos. É, no fundo, a sensibilidade e o afeto que vão acabar por moldar a coroa.

A Primeira-Ministra, Margaret Thatcher, foi a primeira mulher à frente do Governo Britânico. É a ambição, a força, a determinação e a segurança em pessoa. Foram 11 anos de uma liderança que mudou o país, mas que também demonstrou que a nossa vez acaba por chegar ao fim e que, quando decidimos ir sozinhos, o caminho deixa de fazer sentido. 

Tudo nesta nova temporada é magnífico, tal como foi anteriormente.

Desde o guarda-roupa à banda sonora, desde o elenco à realização. Quando se retrata, em ficção, factos reais, a responsabilidade e a dificuldade duplicam. No entanto, a série desempenha um papel extraordinário na recriação dos episódios mais emblemáticos da vida da família real britânica. 

Todo o elenco estudou ao pormenor as suas personagens, sendo capazes de retratar os mais ínfimos pormenores, desde tiques a olhares. A representação das três atrizes – Gillian Anderson como Margaret Tharcher; Emma Corrin como Lady Diana Spencer; e Olivia Colman como Rainha Elizabeth II – é esplêndida e merece destaque. 

A série, que junta o drama da coroa e os momentos mais marcantes da história do Reino Unido, prende os espectadores pela elegância, qualidade cinematográfica e fidelidade à realidade.  Devorada a mais recente temporada, a vontade de ver a próxima só cresceu e a expectativa está elevadíssima.

Artigo de Mariana Vilas Boas