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Setembro Amarelo: Luís Fernando Veríssimo e o que nos faz bem

Luís Fernando Veríssimo é escritor, humorista, cartonista, roteirista, dramaturgo e romancista brasileiro. Nas suas crónicas faz por transportar o riso para as situações corriqueiras e, num mês como o "Setembro Amarelo 2020", isso é ainda mais importante.

Numa entrevista dada pelo autor, Luís Fernando Veríssimo confessa a sua timidez e afirma que considera a escrita “uma forma de compensação.” Porque lhe permite comunicar como não consegue fazer em conversa. E a verdade é que ele consegue, através de um estilo próprio, e com boa dose de humor, trabalhar temas muito densos e importantes como o feminismo, as convenções sociais e o bem-estar. Os seus textos atingem a qualquer tipo de leitor e gerar o riso é a principal missão de cada escrita.

O que faz bem pra saúde?” é uma crónica que, inicialmente, expõe as notícias que bombardeiam a sociedade todos os dias,  enumerando o que seria uma “alimentação saudável”, mas que (em pouco tempo) passa a ser considerada como perigoso para a saúde. Nessa dicotomia entre o que é faz bem e o que faz mal, que muda e alterna de dia para dia, o narrador conclui que, diante de tantas descobertas, o mais seguro é não mudar de hábitos. E, a partir desse momento, relata quais os costumes que não mudará – uns porque o fazem sentir bem, outros porque o fazem sentir mal.

Segundo o autor, o prazer faz muito bem, dormir traz renovação, e ler um bom livro rejuvenesce. Brigar provoca arritmia, e ver pessoas a ter acessos de estupidez embrulha o estômago. Amigos são melhores do que gente influente, e perguntar é melhor do que seguir com a dúvida. E, em tom de dicas imprescindíveis para quando o assunto é bem-estar e manter a sanidade mental: o humor é melhor do que o rancor, beijar é melhor do que fumar.

Neste mês de Setembro Amarelo, de consciencialização sobre prevenção do suicídio, crónicas e textos como os de Luís Fernando Veríssimo sublinham as coisas boas da vida, a positividade e o valor do riso. Recordam que é essencial libertarmo-nos do que nos aprisiona e adoece. E, além disso, reforçam que o passado é “roupa velha”, que a dor não falará mais connosco, e que devemos viajar (em setembro, e sempre) para onde houver sol.