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JUP Radar: Pierre Zago apanhar-nos-á se puder

Criatividade, vontade de fazer humor e um público alvo que se traduz em gente normal a circular na rua. Quem diria que esta seria a fórmula para conceber vídeos virais, culpados pelo aparecimento de expressões contagiantes e situações inusitadas - algumas que nem o próprio humorista conseguiu prever.

Pierre Zago é o nome criador do novo molde dos conhecidos “apanhados”, no seu canal de youtube. O humorista fez ressurgir o gosto pela espontaneidade de quem não desconfia, nem tem nada a esconder. Em conversa com o JUP, revelou que as as pessoas que “apanha” nos seus vídeos “são os melhores atores do mundo, porque estão a representar sem saberem.” Por isso, vê-as quase como “personagens de filmes.”

A vontade de fazer humor surgiu desde cedo e foi crescendo, ou surgiu inesperadamente?

Surgiu ainda estava eu na barriga da minha mãe, lembro-me como se fosse hoje. [risos] 

Como é que tudo aconteceu, até seres o “Pierre Zago, o tal da expressão “tou só a ver“? 

Foi um percurso bem inesperado. Há uns anos atrás nunca imaginei vir a fazer o que estou a fazer agora. Da mesma maneira que não consigo imaginar o que vou estar a fazer daqui a uns anos. Quer dizer, imaginar até consigo. Mas prefiro não saber porque sei que vou ser surpreendido.

Há um risco associado quando se provocam pessoas desconhecidas. Qual a situação mais complicada em que te envolveste por causa de um vídeo?

A maior parte das pessoas acha que eu me devo meter em sarilhos, mas a verdade é que, até hoje, ainda não tive problema nenhum. Não sou uma pessoa agressiva, e acho que as pessoas sentem isso.

“Claro que não estou livre de levar um sopapo, um dia destes. Mas como sou cinturão negro em Kung Foge, estou tranquilo.”

Mantendo a tua personagem humorística, acabas por te manifestar politicamente. O recurso ao riso ajuda-te a passar a mensagem que queres que passar sobre determinadas causas? 

Não procuro passar mensagens políticas, ou de que natureza forem. Não digo que não o possa vir a fazer se sentir a necessidade. Mas, até agora, aquilo que desperta a minha criatividade são outras coisas. E quando vejo que a artistas ou famosos se envolvem publicamente em causas “nobres” para proveito próprio ou para conquistar simpatia popular, isso dá-me nojo.

O humor está em todo o lado, é certo. Mas como surgiu a ideia de fazer este humor – interativo e sob disfarce?

Foi uma combinação de várias substâncias psicotrópicas numa noite de lua cheia. Mas não posso revelar a receita. Quero ser único. [risos] 

“Quando estou a gravar encarno um personagem a 100%. Um personagem que não tem a consciência de que está a ser cómico.”

O teu canal de youtube é um sucesso, e não o dizem apenas os números. Alguma vez deitaste um vídeo fora – seja por falta de colaboração, ou por não te agradar o resultado final? 

Já deitei vários vídeos fora. Às vezes tenho uma ideia que parece brilhante na minha cabeça mas quando a trago para a rua, não funciona.

“Rirmos de nós próprios é uma aprendizagem libertadora. Acho que deveria ser ensinado na escola. Perder o medo do ridículo. Aceitar as nossas fraquezas.”

Pierre Zago vai continuar a divertir-se e a divertir-nos. E quando interrogado se o humor é, para si, uma arma ou um escudo, responde – naturalmente – “é uma bisnaga.”