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JUP Radar: Plácido Vaz canta ao ritmo da saudade

Plácido Vaz está a produzir o seu primeiro álbum, "Caminho Lonji". À conversa com o JUP, o músico cabo-verdiano desmontou o seu single mais recente e revelou alguns detalhes sobre um dos seus projetos paralelos.

Plácido Vaz é um músico de Cabo Verde que vive na cidade do Porto, onde estuda Direito. O seu primeiro single “Gana Bai” acaba de ser lançado e recebido com carinho pela internet. O motivo é evidente: a saudade e a melancolia são sentimentos conhecidos por todos, principalmente pelos imigrantes. Separados da terra onde nasceram, sentem eternas saudades de casa, dos amigos e dos familiares.

“A saudade é um sentimento muito forte, que traz consigo a melancolia, que nos faz viajar para o que vivemos e a vontade de ir.”

O artista está no Porto há mais de 13 anos, e a sua mais recente criação foi escrita pelo irmão mais novo, Natalino Vaz – mais conhecido como o rapper Young T.

“Gana Bai” é o primeiro de vários singles que integram o álbum “Caminho Lonji”, ainda em produção. O trabalho está a ser produzido em conjunto com o músico Jota, do grupo Kriol’Art, além de outros produtores e amigos. No geral, o álbum de estreia conta com cerca de 10 a 12 faixas, baseadas na cultura musical de Cabo Verde e altamente influenciadas pelas experiências vividas em Portugal.

O músico conta ao JUP que, apesar de estar familiarizado com a música desde cedo – principalmente por causa da igreja -, só descobriu a sua vocação mais tarde, em 2013, já em Portugal – quando fez a sua primeira apresentação ao vivo.

“[Em Cabo Verde] temos dez ilhas, nove habitadas. Das nove habitadas, cada uma tem uma variante, um estilo, um género de música diferente. E mesmo dentro de uma ilha pode haver dois, três, quatro ritmos diferentes. Misturamos ritmos de África com ritmos do Brasil e da América Latina.”

Com um álbum em processo e músicas a ganharem forma e vida, Plácido tem construído o seu próprio caminho. Entre várias ideias e projetos, o artista adiantou que está a musicalizar alguns poemas de um autor brasileiro, que também vive no Porto. A ideia e aspiração é que resulte numa fusão entre as duas culturas e, ao mesmo tempo, acabe por se mesclar também com a arte portuguesa, em particular com a “alma boémia” da cidade do Porto.