Cultura

“Children Playing Adults”: a autobiografia dos Balter Youth

“Children Playing Adults” é o primeiro álbum dos Balter Youth. O JUP foi descobrir tudo sobre o novo disco e ficou a conhecer um pouco melhor a história da banda. Por Mariana Vilas Boas

O começo foi já há cinco anos, mas oficialmente os Balter Youth existem há três. Depois de quase dois anos de produção, lançam Children Playing Adults, um álbum que define e caracteriza a sua própria identidade enquanto banda e grupo de amigos.

Cinco jovens estudavam música. De amigos passaram também a produtores de covers, até que um dia começou a fazer sentido criarem os seus próprios conteúdos musicais. Inês Pinto da Costa, vocalista, Henrique Tomé, baixista, Mariana Monteiro, teclista, João Freitas, guitarrista, e Gonçalo Cabral, baterista, são os rostos que dão corpo e vida à banda portuense.

A mudança faz parte do processo que muitas das vezes nem nos apercebemos de que está a acontecer.

Sem se focarem na ideia de lançar um álbum, foram escrevendo e criando, influenciados pelo que iam ouvindo. Ajustes foram feitos com o tempo e o álbum acaba por reunir músicas que retratam várias etapas das suas vidas.

As suas próprias experiências pessoais são as principais inspirações na criação das músicas. O baixista da banda, Henrique Tomé, explica: “A coerência que podemos encontrar nas temáticas do álbum tem mesmo a ver com isso. Todas as letras que escrevemos acabam por retratar a experiência pessoal de quem as escreveu ou de vários de nós, e, portanto, acaba por ter alguma coerência porque são sempre assuntos que nos disseram respeito durante a nossa adolescência, como pessoas ou então como uma banda a querer afirmar-se.”

O trabalho da banda com o produtor Luís Rodrigues foi essencial e o processo foi capaz de, tal como disse João Freitas, guitarrista da banda “tornar todas as músicas, independentemente de onde elas venham e das suas influências, bastante homogéneas.”

Um álbum que conta com músicas escritas há quatro anos e outras escritas há um ano. “Faces” é o tema mais antigo da banda. “Blackbox”, “Ongoing” e “Detour” são outros temas também incluídos no disco que espelha o crescimento, a maturidade, as influências e as aprendizagens do grupo nos últimos tempos.

Quanto à mensagem que se esconde por detrás do disco, Inês Pinto da Costa, vocalista, afirma que “o que acabou por acontecer foi que todas elas [músicas] espelham um bocadinho aquilo que nós fomos enquanto crescemos, enquanto crescemos juntos. E embora não haja uma mensagem para passar às pessoas numa de ‘este é um álbum sobre a importância do amor’ ou ‘isto é um álbum sobre a importância da natureza’, é aquilo que é mais fiel a nós e àquilo que fomos durante estes de há cinco anos para cá, até agora.”

Curiosidade: “Primavera” é um dos temas originais da banda incluído no álbum que foi inspirado pelo festival NOS PRIMAVERA SOUND. Um festival do qual os membros do grupo são adeptos e, portanto, decidiram registar as boas memórias lá vividas, musicalmente.

“É um festival que nos diz muito, já vamos há muitos anos. Já vivemos momentos mesmo brutais lá!”

Dançar sem qualquer preocupação, sem qualquer técnica específica, dançar por gosto e prazer é o que a palavra “balter” quer dizer. E é com este conceito no nome que a banda lança os seus temas no mundo música, para que todos a possam ouvir e disfrutar quer seja a ver um pôr-do-sol no jardim das virtudes, quer seja em casa ou até mesmo no metro. Não se precisa de um motivo ou de um lugar certo para ouvir este álbum.

Para já, o futuro é um pouco incerto, mas a vontade de subir a palco e de criar novos sons é enorme. Agora que o primeiro álbum foi lançado, a banda está ansiosa por se voltar a encontrar na “sala de ensaios” para criar novos temas e explorar novas técnicas.

Artigo da autoria de Mariana Vilas Boas